Time Out Rio de Janeiro

Saudade da pintura e de outras coisas

Maria Nepomuceno mata a saudade de suas origens buscando na pintura a inspiração para brincar com formas e materiais diversos 

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Saudade da pintura e de outras coisas

Data 12 Dez 2013-15 Mar 2014

Horário de funcionamento ter-quar, 14h-20h; qui-sab, 14h-22h

Site de Saudade da pintura e de outras coisas

A Gentil Carioca Lá
Av. Epitácio Pessoa 1674/401 Lagoa, Rio de Janeiro, RJ Brasil 22411- 071, Arpoador

Telefone 2523-1157

Estações próximas
Metrô ipanema

Para muitos entendedores de arte, Maria Nepomuceno é uma artista com a cara do Rio. E, apesar de representada por uma das maiores galerias da Inglaterra, a Victoria Miro, Nepomuceno continua suas experimentações com a forma e objetos cotidianos em solo nacional, muito bem representada pela Gentil Carioca. Ela surpreende a todos com suas formas coloridas que ganham vida em diversas cores, texturas e dimensões. Sua primeira retrospectiva no Brasil, “Tempo de respirar”, ocupou simplesmente o belíssimo salão do Museu de Arte Moderna do Rio, mais conhecido como o MAM, e ganhou aplausos e críticas positivas.

Agora, a artista plástica volta às origens confirmando mais uma vez a sua multiplicidade. Para isso, ela foi matar a saudade do tempo em que pintava. Em “Saudade da pintura e de outras coisas”, Maria Nepomuceno se utiliza de materiais como tinta, pigmentos, pastéis oleosos e pincéis, fazendo experimentos leves com as cores, brincando com a "saudade". A exposição, que é uma forma de entender melhor o trabalho dessa artista, estreia no dia 12 de dezembro e fica em exibição até o dia 15 de março, na Gentil Carioca Lá, na Lagoa.

Confira uma pequena entrevista que a artista deu para a Time Out

Como os elementos do cotidiano interferem no seu trabalho?

Acho que os elementos do cotidiano interferem cada vez mais no meu trabalho. O corpo dos organismos é criado a partir de objetos cotidianos como cordas, contas, vasos,...mas estes, de certa forma se tornam quase irreconhecíveis como objetos do dia a dia para se tornarem uma massa orgânica. Estes "Organismos", forma como eu gosto de me referir á massa orgânica do meu trabalho, começaram a se relacionar mais com outros objetos como tijolos, móveis e a própria arquitetura a menos tempo. Quando comecei a criar minhas esculturas elas se comportavam como organismos que vinham de uma natureza distante, talvez de outros planetas e não travavam uma relação direta com objetos e moveis. Neste momento, em relação ao desenvolvimento da obra, estes organismos estão na terra e exploram nossa civilização de uma forma tátil, se relacionando corporalmente com os objetos encontrados pela frente.

Seu trabalho é orgânico e lúdico. Como o cosmos e o sistema circulatório podem coexistir?

O cosmos está dentro de nós!

A ancestralidade, o elemento feminino, é um traço muito marcante em seu trabalho. Como surgiu essa relação?

A própria ideia de feminilidade, ao meu ver, só faz sentido no meu trabalho relacionada á ancestralidade. Não falo no meu trabalho da questão da mulher de hoje, esse não é o meu discurso. Nas minhas obras evoco uma força feminina ancestral, arquetípica como Pachamama, deusa da fertilidade. O trabalho artesanal não é feito só por mulheres e acho que cada vez mais temos que mudar essa ideia ultrapassada. Estou, aliás, escrevendo um projeto em que proponho uma colaboração aos índios Baniwa aonde os homens são os mestres da cestaria e não as mulheres, como é mais comum.
Se for para falar de questões atuais no meu trabalho, seria pertinente falar do tempo e da falta de tempo contemporânea. O meu trabalho faz com que as pessoas reflitam sobre o tempo , a falta dele e como elas usam seu tempo nos dias de hoje.

Quais são as suas maiores inspirações? Tanto nas artes plásticas, literatura ou na musica? Enfim, o que inspira Maria Nepomuceno?

A natureza como já disse, sempre. Acho que cada vez mais sou inspirada por tudo que me cerca. No momento a construção de uma casinha em Friburgo tem me inspirado bastante, a relação entre os materiais, equilíbrio, força, ação da gravidade e do tempo. Tudo isso me inspira bastante.
 

Escrito por Time Out Rio de Janeiro editors
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