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Atemporal - Arte para todo mundo

Espaço reúne mentes inquietas e criativas trazendo cinema, ocupação artística, literatura e música

Este evento terminou

Atemporal - Arte para todo mundo

Data 12 Mai 2012-10 Jun 2012

Horário de funcionamento Ter-Sex, 13h-18h; Sáb, 11h-15h

Site de Atemporal - Arte para todo mundo

Rua do Senado 338, Centro

Estações próximas
Metrô Uruguaiana

Conversar com Antonio Bokel sobre o momento atual da arte no do Rio é sentir que a máxima ‘arte para todos’ pode sim ir muito além do ar clichê que a expressão algumas vezes ganha. O artista plástico organiza no Atemporal – um ateliê-galeria que segue o sentido literal do nome que tem a ver com o que transcende, transita sem pertencer, ilimitado – mais uma exposição reunindo novos nomes da cena contemporânea carioca.

A exposição na Lapa traz à tona toda forma de comunicar arte, desde uma ocupação artística de um cofre, passando por um lançamento de livro, projeção tendo como tela as paredes da rua, performances surpresa e ainda brinda a noite com show ao vivo.


Ocupando um sobrado antigo na esquina das ruas do Senado e Riachuelo, o espaço deve sua existência à perseverança e à paixão pela arte de Patrícia Bowles, arquiteta responsável pela reforma e conservação do espaço. “A Patrícia acabou me dando carta branca para ocupar o espaço e eu fiquei amarradão. Cheguei aqui cheio de telas, pinceis, tinta e muita vontade de usar este espaço como laboratório de experimentações, de troca”, conta Antonio com um entusiasmo característico de um dos precursores deste movimento que procura integrar arte, rua, gente. “Sabe o que me motiva aqui? – virando-se de repente ele, depois de ficar alguns segundos com o olhar imóvel do lado de fora da galeria – o fato de a comunidade se envolver com o espaço, com o que a gente produz aqui. Eu venho pra cá todo dia e às vezes estou aqui trabalhando e chega alguém querendo saber o que eu tô fazendo. Várias vezes passo um tempo desenhando com as crianças da comunidade que param aqui. No ano passado, o pessoal do boteco aqui em frente serviu de galeria para os nosso quadros. Ontem mesmo, durante a montagem da exposição apareceu um cara dizendo que era poeta, perguntando se podia falar pra galera e tal...respondi: chega aí! Fico feliz de fazer com que as pessoas venham aqui, fiquem curiosas.”


O coletivo de artistas desta edição da mostra conta reúne mais uma vez novos artistas, muitos inclusive que nunca expuseram seus trabalhos em galerias de renome ou que encaram a arte e o processo criativo de forma menos tradicional mas não menos intensa. Acreditando que o ambiente de troca incessante e interação com diferentes formas de comunicar é gasolina para fazer andar este grande vagão que é o mercado de arte contemporânea, Antonio cita o caso da artista plástica Joana Cesar, que participou da última exposição como integrante desta trupe de artistas ligados à cena urbana experimental. “Muita gente chega aqui sem nunca ter mostrado suas obras antes. E é difícil mesmo para gente que não entra nos moldes de um mercado de arte formal. A Joana por exemplo, tinha um trabalho fortíssimo e não sabia como organizar suas obras para expôr. Depois de pouco tempo soube que a exposição dela numa grande galeria tinha sido um sucesso, com 100% vendido. É incrível que esta linguagem esteja sendo absorvida”


A burocracia dos editais, a falta de grandes patrocínios e a distância entre as pessoas e a arte não desanimam nem um pouco este carioca que volta e meia passeia por um novo formato de expressão – roupa, revista, ateliê, exposições nos Estados Unidos e Europa. Pelo contrario. O que norteia Antonio e seus projetos é a vontade de movimento, o coletivo criativo, a arte próxima das pessoas, a mistura. Reunir uma galera criativa, que tem o que dizer e que faz questão de dizer de várias formas. Aqui não tem esse papo de ser artista e ponto. A gente aqui varre o chão, conversa sobre possíveis parcerias, ajuda a organizar o espaço, faz frete trazendo os trabalhos, convida os amigos dos amigos. Eu ganho a vida do que eu faço e reinvestir a energia nesse movimento é fundamental. Não dá pra ficar esperando as coisas acontecerem”. E para quem acha que exposição e arte é coisa para os entendidos, a presença no Atemporal é mais que obrigatória. Quebrar paradigmas faz bem!
 

Escrito por Amanda Scarparo
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