Time Out Rio de Janeiro

5 minutos com Fernando de la Roque

O artista famoso por seus insetos dourados e serigrafias eróticos conta para a Time Out a beleza encontrada nas baratas e por que ele gosta de chocar

Nascido e criado no Rio, o artista Fernando de la Roque certamente sabe como chamar a atenção. Seu trabalho anterior Barata de Ouro teve cobertura televisiva nacional depois que ele pintou uma humilde barata de ouro. Em seu mais recente trabalho, Silhuetas de Amor à Luz da Lua, que será exibida a partir do dia 09 de março no Armazém Fidalgo, em Copacabana, Fernando cria estampas atraentes e intrincadas, que com um olhar mais próximo revela-se como imagens explícitas da formas femininas. Ele explica sua visão de vida, amor e arte para Time Out.

1.Qual é a sua inspiração?


Pessoas me inspiram. Todas. Os personagens do dia a dia são a melhor fonte de alimento para as criações artísticas; é um ciclo: absorvo informações com pessoas, e devolvo a elas isso mastigado e digerido em arte. O melhor das cidades é a sua população – a sociedade é o âmago. Sem gente não faz sentido fazer nada, nem ter nada, nem mesmo existir faz sentido se não há com quem compartilhar os momentos.


2. Qual importância você dá ao elemento surpresa nas suas obras?


Ele faz com que a obra seja mais que um objeto – uma experiência. Gosto de observar quando alguém não conhece a serie colônias e vai chegando perto pra entender o desenho, e quando se depara com a cena erótica revelam as mais diversas reações, desde risadas e rubores até gritos e queixas em delegacia. É bom que o trabalho seja polemico, porque ele ganha sobrevida, fica marcado na memória e se propaga em verbo. Coisas corriqueiras são esquecidas.

3. Nas suas obras com as baratas douradas elas até ficaram bonitas, mas serão sempre nojentas. Como fica essa relação para você?


Todo mundo tem nojo de barata, acho que não há nada mais repugnante,por isso mesmo as escolhi. Eu queria contrapor essa repelência ao poder de atração do ouro. Uma forma feia somada a uma cor bela. Forma que repele, cor que atrai. A intenção é subverter a maneira tradicional de se olhar para estas (terrivelmente) fascinantes criaturas. Barata de Ouro não fica quase bonita, fica linda!

4. Você fez um homenagem das mulheres neste exposição. É para uma mulher específica?


O dia da inauguração, 8 de março, é o dia internacional da mulher. E será noite de lua cheia. Chamei a exposição de “Silhuetas de Amor à Luz da Lua”. Faço uma analogia da palavra “matriz” no sentido de a mulher ser a matriz das matrizes, e a matriz do stencil, que a partir de uma chapa, reproduzo a mesma imagem, construindo formas orgânicas geométricas. Brinco com a palavra “reprodução”, afirmando que o amor é a mais sofisticada forma de reprodução, e lembro que a única forma de entrar no planeta é através do corpo de uma mulher. A homenagem é para todas as mulheres.

5. Qual é seu bairro preferido no Rio?


Jardim botânico.

6. Se você fosse prefeito por um dia, o que você faria?


Só um dia??? Pintaria as paredes da Residência Oficial. Acho que não ia dar tempo de fazer outra coisa. Ia estampar meus motivos alegres nas paredes, chão e teto. Internas e Externas. Ia precisar de um assistente ou mais – o que não seria problema, já que o prefeito pode ter vários assessores.

7. Qual é seu lugar preferido para relaxar?


Cachoeira.

8. E para se divertir?


Gosto de dançar - festas e shows.

9. O que você tem escutado ultimamente?


Rubinho Jacobina, Tono, Nação Zumbi... e fico viajando no grooveshark ouvindo tudo que eu lembro que gosto, o ecletismo rola solto.

10. Qual é o carioca que você mais admira?


Deus.

Escrito por Beth McLoughlin
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