Time Out Rio de Janeiro

Ator conta como é encarnar o personagem pela terceira vez no novo filme dirigido por Sam Mendes

Qual é, afinal, o estado psicológico de James Bond em Skyfall?
Ele está muito bem no começo do filme. Só que acaba se metendo em confusão. Acho que preciso guardar segredo. Mas tentamos tornar a história o mais rica possível, então ele aparece em uma porção de estados [emocionais], alguns felizes, outros tristes. A história acaba se resumindo às interações dele com os personagens. Então, quando Javier [Bardem], o malvado, nos leva até certo ponto, o filme é dele. É ele quem dá as cartas, e [o filme] é sobre como Bond lida com tudo isso.

James Bond é um coadjuvante?
Não! Eu sabia que ia ter de voltar atrás. Estou em toda cena, então é difícil eu ser coadjuvante. O que eu quis dizer é que, tendo atores tão bons quanto temos no filme, inevitavelmente eles terão uma participação meio que grande nele. Para mim, isso é um grande alívio.

A franquia 007 existe há décadas e, para mantê-la interessante, é preciso sempre
revigorar a história. Qual é a abordagem desta vez?

Fazer o melhor possível. Sei que falar assim parece um pouco falso, mas é a verdade. Não há muitos filmes sendo feitos desse jeito, com tantos recursos e talentos. Se podemos fazer isso, então temos de ter um ótimo roteiro e temos de ter algo que faça as pessoas que trabalham no filme ficarem animadas [saiba mais sobre o filme na entrevista que fizemos com o diretor do novo filme, Sam Mendes]. Demora seis meses e meio, sete para rodar um filme como este, e isso exige muito das pessoas. É um grande compromisso que todos assumem, mas acho que as pessoas se inspiraram com o que fizemos.

O que acha que surpreenderá as pessoas nesse filme?
Acho... Espero que se seja sua complexidade. O enredo é bom e denso. É um filme adulto, mas também tem muita diversão. As pessoas podem se surpreender com o fato de haver uma leveza, o que não aconteceu nos últimos dois – neles, contamos uma história diferente. Nos divertimos muito no set, tem muito humor rolando. Não que haja falas engraçadas, mas há um certo humor no roteiro e entramos nessa onda de verdade.

Estou certo em pensar que há um pouco de romance com Judi Dench [no papel da personagem M] ali?
O quê? Comigo? Não, acho que você errou o alvo, de verdade.

Achei que ela teria a oportunidade de fazer uma cena de sexo. Por que só Bond pode?
Nós tivemos, sim, uma cena em Casino Royale em que ela deveria sair da cama. Não me lembro quem fez o papel, mas há um homem na cama com ela. E pensamos: “Bem, de quem será esse papel? Acho até que Brad Pitt estava na cidade, na ocasião. Alguém até brincou com isso: “Ligue para o Brad Pitt”. Tenho certeza de que ele faria, não acha? É de se pensar que sim. Eu pensaria.

Há tantos segredos e protocolos em torno dos filmes do 007. Conte-nos algo que provavelmente não poderia contar.
Não posso. Se eu contar coisas que são segredo, Sam vai cortá-las do filme e eu passaria por idiota. Então, realmente não há nada que eu gostaria de entregar. E, sabe, acho que o mercado de cinema é seu próprio e pior inimigo, porque vende filmes com aquelas gravações do tipo “por trás das câmeras”. Isso é ver como os segredos do filme são feitos, e agora é uma verdadeira luta para tentar manter os roteiros e enredos justamente em segredo. Acho que a imprensa de celebridades obrigou todo mundo a entrar nesse frenesi, ao tentar adivinhar o filme e entregar o enredo. É triste, não acho que as pessoas se importavam com isso no passado. Acho que elas simplesmente ficavam felizes em ir ver um filme e formar sua própria opinião.

Que tipo de ponto de vista você acha que Sam Mendes trouxe a este 007?
Sam tem o trabalho de ator nas mãos. Ele faz isso com total autoconfiança. É brilhante com os atores e trouxe muita paixão [à atuação]. Ele tem uma paixão por Bond, é um fã de Bond. Ele realmente quis criar algo de que possa se orgulhar, obviamente, mas também algo que será lembrado. Quer dizer, nós conversamos que queríamos fazer algo que fosse um clássico e que fosse classicamente Bond. E também [fazer] um bom filme. Com isso, ele me permitiu relaxar no set. Não tenho como agradecê-lo o suficiente por isso.

Como James Bond afeta sua vida quando está longe dele? Isso muda os outros papéis em que você atua?
Não muda, não. Eu não penso sobre isso. Não falo: “Não posso fazer isso, não farei aquilo”. Nunca pensei assim em relação a trabalho. Pego papéis porque eles me inspiram.

Como é sua agenda semanal quando está rodando 007?
É sete dias por semana, durante sete ou seis meses. Filmagens na maior parte do tempo, noites na academia, ensaios. E aos domingos, ou seja lá qual for o dia de folga, geralmente ensaio as sequências acrobáticas. Tento manter, e mantenho, meus dias de folga invioláveis, pois preciso descansar. Mas nem sempre é possível. E aí, sempre há outras coisas para conversar, reuniões de roteiro. É muito, muito intenso durante esse período. Mas o meu tipo de trabalho envolve um prazo. Isso só acontece durante um período de seis meses.

Você parece bem cansado agora. E falo isso com a melhor das intenções.
Estou fodido! Na verdade, estou ótimo. O que acontece é que mantenho a energia no máximo enquanto filmo, e, assim que termina, simplesmente relaxo e fico derrubado. Todos nós. Você verá a maior parte da equipe sentada, olhando para a parede, porque foi demais, o dia inteiro, todos os dias.

Você mora nos EUA agora. Qual é a diferença de como o 007 é visto lá e como ele é visto no Reino Unido?
Não acho que haja muita diferença, as pessoas têm uma visão bastante coletiva de Bond no mundo inteiro. Gritam comigo na rua, às vezes como “James” e, às vezes, como “Daniel”. Mas posso andar [tranquilamente] em Londres ou em Nova York e, a não ser que tenha um paparazzo por perto, as pessoas só acenam e dizem “oi”. Elas têm coisas bem mais importantes com o que se preocupar.

Este será um dos 007 mais londrinos dos últimos tempos. Por quê?
A história tem um elemento que é a volta de Bond a Londres. Sem entregar muito, o MI6 [o serviço secreto de inteligência] é atacado. Às vezes, Londres aparece bastante nos filmes, mas é raro que eles tenham acesso a lugares como o Whitehall [rua onde estão muitos dos ministérios mais importantes do governo britânico] ou o London Underground [o metrô da cidade]. Por sorte, Bond abre portas, então pudemos fazer algumas loucuras. Este filme é, de fato, ligado ao lugar de onde James Bond veio, o que não se vê em um de seus filmes há bastante tempo. É uma parte pequena, mas é muito importante. Conseguimos fechar o Whitehall – e correr pelo Whitehall em carros barulhentos é muito estimulante.

Ter muitas cenas em Londres significa que vocês estão mostrando de onde ele vem?
Eu diria que sim. Se você leu os livros de [Ian] Fleming, em algum momento eles o mostram em um clube ou pegando os ternos feitos em Savile Row. Então, é um pano de fundo importante, ou um bom ponto de partida para ele na narrativa. É a capital, é onde está o poder, é o que ele está protegendo, onde a Rainha fica, tudo isso.

Escrito por Alex Duggins
Compartilhe

video

Comentários dos leitores

blog comments powered by Disqus

Outras notícias recomendadas

Hair & Beauty 2016

Boulevard Olímpico

Baixo Suíça reabre com tecnologia para deficientes