Time Out Rio de Janeiro

Marcelo Jácome

O caçador cariocas de Pipas.

Formado em arquitetura e urbanismo, o artista Marcelo Jácome tem uma relação com o espaço bastante apurada. A partir das relações entre reta e curva, bidimensional e tridimensional, lugar e vazio, dentro e fora, tensão e flexão , dissolução da forma e autonomia da cor, o artista trabalha buscando questionar e dilatara percepção do espaço através de objetos, instalações e colagens.

Marcelo começa sua pesquisa decompondo a paisagem: “Comecei a considerar a cor não como atributo mas como elemento". No início, Marcelo se utilizava da pintura como meio. Sua pesquisa partia da observação da paisagem levando em conta a potência cromática do que considera marcas "urbano-humanas": os cartazes lambe-lambe, o néon, o outdoor, os muros com grafite e pichações.

Foi partindo desse universo, que a produção do artista começa a tomar corpo. Em determinado momento, Jácome começa a lidar com outros tipos de material e suporte, o que lhe possibilita começar a intervir efetivamente no espaço através de suas famosas instalações com pipas - trabalho que passa a ganhar destaque aos olhos do público.

O interessante é que Marcelo se utiliza das pipas, não como elemento poético, mas como solução plástica para o que propõe: levantar questões que têm origem no desejo de apropriar-se do espaço vazio em permanente tensão. Essa série de instalações, intituladas de "planos-pipas", problematizam também a questão do tempo, já que o trabalho vai se transformando com o passar dos dias... sendo assim, quando montadas, as instalações elevam vazios à lugares e através do conceito de work in progress possibilitam que o espectador tenha um contato mais efetivo com a experiência que se apresenta: " nessa obra, acho que o tempo se efetiva em duas instâncias... Primeiro relativo ao tempo de fruição, ou seja, existe um tempo para que a obra seja integralmente percebida, observada e consequentemente aproveitada - o trabalho sugere um percurso a ser seguido. E a outra instância se refere à questão da sua transformação. O papel vai reagindo com a incisão de luz, as cores vão mudando, a estrutura ficando mais aparente. Procuro discutir nesse momento a questão da impermanência."

Em Junho desse ano, após sua individual no Largo das Artes, Marcelo Jácome foi convidado pelo curador António Pinto Ribeiro, a desenvolver o tradicional "passadiço" do programa Próximo Futuro da Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa, e não pára por aí... Durante a Feira de arte contemporânea ArteRio, o artista foi chamado a desenvolver uma parceria junto à galeria Nosco de Londres.


Durante as terças-feiras de novembro, artista participa com um site-specific para o evento Cabaré Reluxx, no Comuna em Botafogo e no dia 24 de novembro integra o quadro de artistas da exposição coletiva TAL 012, que acontece em um estudio de 100m2 na antiga fábrica da Bhering, organizada pelo novo selo multimídia TechArtLab, plataforma que realiza, apóia e divulga exposições, publicações e eventos multimídia no Brasil e exterior.


Além disso, Marcelo faz parte da Associação Criativa Orestes 28, criada pelos artistas e profissionais de criação da antiga fábrica da Bhering, que trabalham hoje para a efetivação de um projeto através do fortalecimento da vocação da economia criativa já existente no prédio visando uma integração efetiva com o entorno.

Escrito por Alice Kuntz Moura
Compartilhe

Marcelo Jácome video

Comentários dos leitores

blog comments powered by Disqus

Outras notícias recomendadas

Dia dos Pais 2017

Dia das Mães 2017

Páscoa 2017 no Rio