Time Out Rio de Janeiro

5 minutos com o carioca Marcelo Ment

Conheça um pouco mais sobre o universo desse artista que tem a cara da cidade 

Carioca de carteirinha, Marcelo Ment é um dos artistas urbanos mais respeitados do Brasil e que vem ganhando cada vez mais reconhecimento no exterior. O melhor lugar para conhecer seu trabalho definitivamente não é numa galeria, mas sim nas ruas, onde suas "telas" ganham vida, dando um extra charme ao Rio de Janeiro e por onde Ment “passa”. Nascido na Vila da Penha, o cara começou a graffitar desde cedo, formando com outros artistas o “Nação”, uma “crew” de graffiti da Zona Norte. A coisa rendeu, os anos passaram e ele já saiu das ruas para as galerias e vice-versa, sem nunca deixar de lado essa paixão visível em sua arte e muito menos o foco: a rua. Assim, seu trabalho ultrapassou fronteiras, literalmente, com participações em exposições em grandes cidades como Amsterdã e Paris.

Mesmo com tanta coisa rolando, o artista apaixonado pelo bairro da Lapa, ainda tem tempo para fazer um trabalho educacional, ensinando a arte do graffiti para novas gerações. Exemplo de humildade e de amor pelo que faz.

Para conhecer mais sobre o seu estilo, é só conferir a mostra MM + MM, “Um encontro ente Marcelo Ment e Mark Miner”, em exibição na Homegrown, ou percorrer as ruas do Rio em busca de seus personagens sempre marcados por uma característica em comum: as famosas letrinhas do Ment.

Confira a entrevista que a Time Out Rio fez com ele! 

Quando e como você começou a grafitar?
Comecei na pixação em 1992, mas sentia uma necessidade de incluir desenhos nas minhas assinaturas, nem sabia o que era graffiti direito, a não ser pelo que tinha visto em clips de rap, vídeos de skate.
Meus irmãos sempre estiveram envolvidos com arte no geral, são músicos e artistas, sempre estive cercado de arte na minha vida, trabalhei com eles em alguns projetos desenhando e pintando. Em 1998 comecei a fazer o graffiti mais clássico, junto com meu parceiro Bragga, ele estudava no colégio que meu irmão trabalha até hoje, em seguida conheci o Chico, Gais, Preas, Airá, Jaymes Rasta, Machintal e formamos o Nação, um dos pioneiros na zona norte do Rio, nessa época ia ao "Zoeira" na Lapa, acho que o maior exemplo de evento que envolvia a cultura hip-hop e reuniu uma galera que está na ativa ainda hoje, o lugar era todo pintado pelo Eco, Ema, Akuma, além do Binho de São Paulo entre outros.

Qual é a sua inspiração?
O dia a dia, minha vida no do Rio de Janeiro cruzando a cidade de ponta a ponta. Inclusive ano passado, fiz minha primeira expo solo no Rio e chamei de "Contrastes", se fosse escolher uma inspiração sem dúvidas seria os contrastes do Rio.

Como é ser graffiteiro na Cidade Maravilhosa?
No momento é estar no céu e no inferno. Uma cidade maravilhosa na essência e ao mesmo tempo tão explorada de forma estúpida pelos governantes, a população de um modo geral abraça a arte de rua, de certa forma comparada a outras grandes cidades no Brasil e exterior, o Rio é o paraíso para um grafiteiro, rsrs.

Você acha que existe algum estilo peculiar de graffite no Rio?
Acho que de certa forma temos uma forte influência do graffiti norte-americano como em todos os lugares, mas pela demora em chegar um número maior de informações e materiais específicos, muito graças a internet, desenvolvemos um estilo diversificado, ricos em cores e detalhes.

Alguma característica que seja marcante nos graffites da cidade?
Acho que os murais coletivos, não são muitos infelizmente, muito por falta de tempo da galera se encontrar, vamos envelhecendo, formando famílias, ficando responsáveis, rsrsrs. Mas essa integração de diferentes artistas/estilos acredito ser uma característica do graffiti no Rio.

Há pouco tempo você esteve graffitando na França. Como o trabalho do Brasil é recebido no exterior?
Já estive 5 vezes na França, sempre através de projetos como convidado, menos ano passado que fui por conta própria, um colecionador francês queria uma tela minha e isso bancou minha viagem, sempre fui muito bem recebido, essa vontade de interagir e não pensar somente em destacar meu trabalho chama muito a atenção deles, as cores também com certeza.

De onde surgiu essa parceria com o Mark Miner?
Por identificação, desde que nos conhecemos cerca de 2 anos atrás trocamos muitas ideias sobre nossas vidas e trabalho. Em dezembro quando ele esteve aqui pela última vez, contei que havia recebido um convite para expor na homegrown em abril, que pensava em fazer uma expo toda em preto e branco, explorando diferentes mídias e suportes, ele me perguntou se não queria convidá-lo para fazermos juntos , falei com o Marco da Homegrown sobre e fechamos.

Tem algum projeto em vista?
Vou pros Estados Unidos pela primeira vez na segunda feira participar de um evento bem legal que reúne grandes nomes e amigos em Los Angeles, em seguida Nova York que sempre sonhei em conhecer, vou visitar alguns amigos, tenho um convite muito legal por lá, mas por enquanto não posso contar, até o fim do ano pretendo colocar algumas ideias em prática, comemorar 15 anos de carreira, continuar pintando nas ruas sempre que puder.

Qual lugar no Rio está no roteiro certo de Marcelo Ment? Onde você indicaria para qualquer pessoa de fora da cidade como imperdível?
Apesar de todos os defeitos, sempre indico a Lapa, acho que o bairro resume a beleza e o caos dessa cidade de forma única, reúne todo tipo de gente e representa a alma do carioca, além disso, é a região que tenho mais pinturas, rsrs.
 

Escrito por Nice Jourdan
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