MUDA coletivo de arte

Intervenções livres, com azulejos coloridos, mudam a cara de muros e paredes sujos e cinzentos da cidade

Se você é ligado em arte, provavelmente já notou os paineis de azulejo pela cidade… Do muro do Jockey ao metrô da Carioca, passando pelo Bairro Peixoto e a ciclovia do Arpex, entre outros…Essencialmente em muros sujos ou paredes de  concreto desprovidas de qualquer charme: é lá que a turma do Muda ataca! Esse coletivo de arte, composto por uma moçada bonita e descolada, anda embelezando cantos cinzas e abandonados da cidade com arte.

Duke Capellão, Rodrigo Kalache e Diego Uribbe são arquitetos. João Tolentino e Bruna Vieira são designers. Quando esses talentos se juntaram no mesmo espaço comercial, no Jardim Botânico, nasceu o Muda, atividade pararela de expressão artística desenvolvida nas horas vagas por estas cabecinhas criativas.

Duke e João já faziam grafite pelas ruas do Rio há muito tempo e o Muda foi, assim, uma consequência natural de levar a arte para as ruas. O Muda significa o embrião, a unidade padrão que, quando multiplicada, torna-se um painel completo. Ao mesmo tempo, esta foi a palavra perfeita para expressar a liberdade artística que eles almejam: “tudo muda o tempo todo, nossa arte é essencialmente itinerante”, conta Rodrigo.

Algumas pessoas fazem referência aos azulejos portugueses, outros pensam que é uma homenagem ao mosaicista Athos Bulcão e aos murais decorativos de Volpi, mas a galera do Muda afirma que os azulejos modernistas da década de 50 são apenas mais uma grande referência, assim como Space Invaders ou Banksy.

Montar os murais nas ruas serve como um grande ambiente para experimentação e “mudanças”, mas também tem gerado outras demandas de trabalhos para essa galera. Tapetes e papéis de parede já foram feitos sob medida para a Casa Cor de Paula Neder e o espaço de Glória Kalil no Fashion Rio. Em breve teremos Muda em bares de Santa Teresa!

Azulejos e ladrilhos hidráulicos à moda Muda também têm sido aplicados na cozinha ou mesmo na parede, decorando casas cariocas glamurosas por aí…As intervenções são espontâneas, livres e não se incomodam com prefeituras e burocracias. O resultado tem sido a aprovação vasta dos apreciadores de arte urbana, igualmente anônimos. “Muitos dos murais aparecem com pedaços faltando e mudas arrancadas…Mas isso é um bom sinal! E também não ligamos muito. A ideia aqui é ser viral mesmo”, explica João.

Assim, recentemente surgiu também o mini Muda. Num esquema meio guerrilha artística, o pessoal do Muda tem fabricado peças únicas e feitas assim “meio na pressa mesmo” para colar pela cidade e onde der na telha. O movimento mini muda viaja na mala dos integrantes e já chegou nos muros de São Paulo, Minas Gerais e até Nova York, oh yes!


Escrito por Alice Moura
 

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