Time Out Rio de Janeiro

Street Art

Artista conta um pouco sobre suas intervenções urbanas cheias de cores e formas 

André Brandão rasgou a gravata de advogado e trocou por um pincel. Mineiro, ele estudou com artistas consagrados, como Frederico Bracher Jr., e pintou por muitos anos, até ser descoberto por um merchant italiano, para quem vendeu, de uma só vez, todos os seus quadros pintados ao longo de 20 anos. Na onda da boa sorte, ele mudou para o Rio nos anos 80, quando começou a experimentar novas formas de arte: a Street Art na forma de escultura e grafite.

As ruas e tudo que existe nelas torna-se um cenário vivo perfeito para o artista explorar, além de se tornar uma vitrine para seu trabalho. “As galerias costumam ser muito panelinha fechada. Não há muito espaço para artistas novos, por isso a opção de expor a arte no espaço público”, expicou André, defendendo a classe. “O cantor tem que ser ouvido, e o artista tem que ser visto”.

A primeira “intervenção urbana” aconteceu quando um amigo chamou para pintar sua banca de jornal, em frente ao ateliê, na Vinícius de Moraes. A inspiração para o trabalho veio de uma história louca que ouviu de seu irmão, que conviveu com muitos outros artistas e socialites nos anos 50.

A melhor história foi a de um elefante roubado do circo. Jorjinho Guinlge, playboy inveterado da época, e mais alguns amigos festeiros, como Mariozinho de Oliveira, passearam com o elefante por Ipanema “para tirar onda” com as pessoas na rua.
“Aquilo ficou marcado na minha cabeça! Achei tão engraçado”, conta André.

E foi ali, olhando para aquela banca cinza, que nosso street artist resolveu pintar um elefante. Tudo em homenagem àquele incrível conto e ao amigo pintor Albery, com quem teve seu último encontro justamente em frente à mesma banca de jornal.

Naquela mesma semana, uma colunista do jornal o Globo, Cora Rónai, também moradora de Ipanema, viu o grafite e publicou imediatamente na mídia online da cidade. Com a repercussão, várias pessoas quiseram também o elefante grafitado nos seus muros.

“Todas as obras são autorizadas, mas nem todas são encomendadas”, explica André. A street art, por essência, é bancada pelo próprio artista, que tem como retorno uma visibilidade instantânea e de graça.

Para além dos elefantes, que hoje podem ser reconhecidos em vários pontos da cidade, o pintor ataca também de escultor - e as "vítimas" são as árvores mortas nas ruas. 

"Minha fonte de inspiração foi a obra do artista plático Otávio Avancini, que esculpiu num tronco de árvore caído duas pernas de mulher com salto alto, saindo do chão, em frente à Central do Brasil".

Os troncos são esculpidos em forma de Moai (aquelas esculturas famosas da Ilha de Páscoa) e, do bloco, podem surgir rostos, formas e até bichos! “O que quer que dê na cabeça”, diz André.

A street art mais recente foi um tronco na rua Nascimento Silva que virou uma orgia entre um hipopótamo, uma girafa e um sapo, em homenagem ao carnaval. O mais legal é que até a Comlurb gosta e respeita as obras!

“Eles sempre me ligam antes quando vão retirar os troncos mortos, que afinal alguma hora precisam ser removidos para plantarem árvores novas”, conta André, com grande consentimento.

A próxima peripécia do artista será sua exposição chamada Safari Urbano, onde os animais esculpidos nos troncos mortos serão expostos como cabeças empalhadas por “caçados”, personagens de grafite.

Enquanto isso, na rua Barão da Torre, o Jesus Cristo crucificado já tem até procissão na frente! Fique atento também aos bichos! Pois qualquer dia desses, a árvore morta em frente a sua casa pode virar arte nas mãos desse artista.

Escrito por Alice Moura
Compartilhe

Comentários dos leitores

blog comments powered by Disqus

Outras notícias recomendadas

Hair & Beauty 2016

Boulevard Olímpico

Baixo Suíça reabre com tecnologia para deficientes