Maria Lynch

Traduz a vibração do Rio em esculturas inspiradas no carnaval

São poucos os artistas que realmente respiram arte. Maria Lynch é assim. Estudou fotografia, escultura e pintura no Parque Lage, onde criou um jeito próprio de construir seus “seres amorfos feitos de cor”.

Durante esse período, se apaixonou especificamente pelas formas orgânicas da natureza, como a textura de uma folha ou o casco de um inseto. Procurava sempre por elementos que não fizessem tanto sentindo no mundo e que se abstraissem da realidade. Assim começou a constituir seu repertório nos primeiros passos de suas pinturas.

A partir daí, a pintura foi se tornando mais e mais um instrumento para representar e construir essas formas estranhas. “O volume da carne” é como são conhecidas suas telas de cores oscilantes e desses elementos que estão entre o figurativo e o abstrato, e que reportam o devir quando figuras femininas surgem sem identidade, se amalgamando
com o que há de abstrato, nas formas sem sentido.

Maria acredita que a obra dos artistas sofre influência direta do meio. E vivendo numa cidade tropical, as cores, luzes e formas da natureza serão sempre referências para ela. Não é à toa que  a associação das esculturas com o carnaval é presente pois há uma alusão à alegoria.

Em busca de novas experiências e referências, foi para Londres, em 2006, fazer pós-graduação e mestrado em Artes, no Chelsea College of Art and Design. Depois de três anos intensos de contato com artistas do mundo todo, ganhou seu próprio espaço e entendeu que o que fazia sentido para ela era estar no Rio, representando daqui a expressão artística brasileira para o mundo das artes. “Hoje, com a globalização, também é possível, nas artes, participar do cenário internacional e conseguir expor seu trabalho internacionalmente, estando no seu próprio país e representando-o na forma da sua arte."

De volta ao Rio, seu trabalho se desdobrou em outras mídias, primeiro vieram as esculturas feitas de tecidos coloridos e estampas de cores vibrantes. Com intenção de expandir a pintura para o espaço tridimensional, esses trabalhos compõem um novo espaço interativo, sensorial e pictórico, que novamente desconstróem o espaço com que estamos acostumados. Depois, seguiu para a performance, onde essas formas ocupavam o corpo que era negado por contradição e seguiam uma coreografia estranhamente humana.

Maria foi selecionada, em 2009, pelo prestigiado Jerwood Drawing Prize, com exibição em Londres. No mesmo ano, participou da coletiva Nova Arte Nova no CCBB do Rio e recebeu o prêmio Funarte de Artes Plásticas Marcantônio Vilaça. Alguns artistas que inspiraram sua arte: Terry Winters e Jenne Saville e os escultores Mike Kelley e Isa Genzken.

Seus quadros estão expostos na descolada galleria HAP, no Jardim Botânico. Sua próxima mostra será no Paço Imperial do dia 22 de março a 13 de maio.Confira!

Escrito por Alice Moura
 

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