Time Out Rio de Janeiro

Bhering

O hub cultural carioca

Com uma área de 20 mil metros quadrados, aqui funcionava a antiga fábrica de chocolates Bhering (das saudosas balas boneco), construída em 1934, com mais de mil operários trabalhando nos seis largos andares. O bairro de Santo Cristo, com suas ruas apertadinhas, logo mostrou-se incapaz de dar vazão à enorme logística da fábrica, que se mudou para Minas Gerais, onde só produz o café Globo e o chocolate em pó.

As ferragens para a construção da fábrica vieram de navio da Alemanha para o edifício de quatro pavimentos e um térreo, com mais de 15 mil metros quadrados em estrutura metálica altamente reforçada para suportar as pesadíssimas máquinas da antiga indústria. O relógio antigo, no topo do telhado, é original do início do século 20, os elevadores têm portas pantográficas e todo o ambiente dramático de uma fábrica ora poderosa, agora ruínas, atraiu os artistas.

“O que atrai o artista é o abandono, a história. O artista gosta de humanizar o esquecimento porque é um contador de histórias e está na contracorrente das questões”, explica Alexandre Rangell, que tem seu ateliê de arte aqui há 2 anos.

Além da questão histórica dos artistas procurarem espaços mais underground e menos valorizados para desenvolverem seu trabalho, a reocupação da fábrica também foi impulsionada pelo desenvolvimento do Porto Maravilha, na zona portuária da cidade, e pelas UPPs dos morros da Providência e do Pinto.

Do último andar da fábrica, a vista para o porto é deslumbrante e de dentro se escuta o apito dos navios. Espaços largos também são sinônimo de grandes festas, e a mais “hype” delas este ano foi durante a Rio Art, evento que teve sua primeira edição de sucesso na cidade.

Depois de 10 anos fechado, o espaço hoje abriga mais de 37 artistas das mais variadas expressões: escultura, pintura, instalação, videoinstalação, estúdio de fotografia, marcenaria e até performances ao vivo, além de uma galeria, uma editora e um sebo de livros. Aqruitetos e designers também pegaram carona por aqui. A divisão foi feita entre espaços de 10, 15, 18 e até 20 metros quadrados. 

Seus amplos espaços, também, são alugados para filmagens de longa metragens (o filme Hulk foi feito aqui), novelas, propagandas publicitárias e fotografias de moda. Intercâmbios com artistas de fora e ocupações itinerantes também são bem-vindos.

E está sendo construído um restaurante no local para atender a demanda da fábrica e das visitas constantes de jornalistas, amigos, curiosos e entusiastas. 

Hoje a Bhering é ocupada por 31 artistas fixos, fora os flutuantes e os que não param de chegar.
Alexandre Rangel, Abel Duarte, Alessandra Bergamaschi, Alessandro Sartore,
Ana Ouro Preto, Barrão, Beatriz Carneiro, Brígida Murtas, Cadu, Carina Bokel, Carolina Martinez, Chiara Banfi, Daniela Dacorso, Denise Terra, Dudu Garcia, Elisa Pessoa, Fábia Schnoor, Felipe Messina, Gabriel Jauregui, Gabriela Bonomono, Gabriela Maciel, João Magalhães, Jorge Luiz Fonseca, Jorge Vasconcellos, Jozias Benedicto, Luciana Palhares, Maíra das Neves, Marcelo Jácome, Rodrigo Miravalles, Veridiana Leite, Vivian Caccuri, Diviina Huguet, Maria Eugenia Lima Baptista, Rodrigo Villas e Sandra Macedo.

Com vários nomes renomados presentes e a crescente valorização da região, a promessa é de que esse hub secreto das artes se abra cada vez mais para a integração com o público que, apesar das portas fechadas, já faz quesão de participar desse ambiente único.

Apesar de alguma instabilidade legal atual, os artistas estão cada vez mais unidos em volta do coletivo formado e prometem tornar a fábrica seu endereço permanente.

Recomenda-se marcar hora ou contactar um dos seus artistas preferidos para visitar essa pérola.

Serviço:
Rua Orestes 28, Santo Cristo
http://www.fabricabhering.com
 

Escrito por Time Out Rio de Janeiro editors
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