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James Bond-Skyfall

James Bond-Skyfall

Diretor Sam Mendes

Elenco Daniel Craig, Judi Dench, Naomie Harris, Albert Finney, Ralph Fiennes, Javier Bardem

“Você estava esperando uma caneta que explode? A gente não trabalha mais com isso.” Essa é uma fala de Q, personagem de Ben Whishaw para o James Bond de Daniel Craig em Operação Skyfall – um filme de Bond que de forma corajosa dá um passo para o futuro, sem deixar de olhar para o passado. Os filmes 007 são exatamente isso, uma envolvente mistura de tradição e progresso, e aqui temos o diretor Sam Mendes, de Beleza Americana e de Foi apenas um sonho, trazendo para a franquia um visual imponente, um humor sombrio e um ambiente espaçoso. O 50º aniversário do projeto de filmes 007 faz boas referências ao clássico Aston Martin DB5 de 007 contra Goldfinger e aos crocodilos sobre os quais Roger Moore salta em Viva e deixe morrer.

A história começa com Bond em uma crise emocional depois que uma missão fracassada em Istanbul deixa os nomes dos agentes secretos nas mãos de um vilão desconhecido. Viagens a Shanghai e Macau acontecem enquanto 007 se recupera e tenta encontrar o culpado para M, a atriz Judi Dench e sua chefe na Whitehall, e para Mallory, vivido pelo ator Ralph Fiennes. Há problemas em casa também, com uma bomba que explode no prédio do MI6 em Londres, deixando claro que M está em perigo.

Skyfall é um filme de Bond bem diferente. Tem algumas sacadas visuais impressionantes: motos correndo pelo teto do Grand Bazaar em Instambul, o néon refletindo nas altas janelas de um arranha-céu em Shanghai, as paisagens escocesas que se equiparam à desesperança presente no final. O filme ainda nos convence que há algo em jogo ao apontar o relacionamento (ou a falta dele) de Bond com os seus pais como a raiz de sua crise, dando uma noção de sua vida emocional, sem se tornar pesado demais e sem mexer muito com o psicológico dos espectadores.

Mendes sabe que há o risco de se tornar muito sério ao omitir os prazeres tradicionais dos filmes de Bond, e sua abordagem parece ter sido calculada para se manter à formula enquanto evolui. Mesmo assim, os papéis das Bond Girls, com Naomie Harris como uma colega do MI6, e a francesa Bérénice Marlohe, como uma femme fatale, parecem simbólicos e desinteressantes. Os trechos que servem de divulgação turística em Operação Skyfall – especialmente a parte de Macau – é também embaraçosa.

É apenas na segunda metade do filme, que acontece inteiramente no Reino Unido, que você sente que Mendes usou todos os elementos do 007 que qualquer diretor de filmes do Bond é obrigado a usar.

Leia mais na nossa entrevista com Daniel Craig

Escrito por Dave Calhoun
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