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Frances Ha: uma fábula contemporânea

Estrelado por Greta Gerwig, a comédia dramática chega ao Rio depois de ser aplaudido em festivais em Toronto, Nova York e Edimburgo 

Frances Ha poderia ser a história de uma amiga sua. Ou até a sua própria, se você beira os quase trinta e vive equlibrando pratinhos para dar conta de tudo. O que faz muita gente se identificar com esse gostoso filme dirigido por Noah Baumbach é sem dúvida, a atuação de Greta Gerwig que dá vida à personagem título. Isso somado ao roteiro de diálogos rápidos, com papos de liquidificador. Greta também co-assina o roteiro sensível às mazelas da vida comum e tem tudo para virar – se já não virou -  queridinha da galera indie.

O enredo se desenrola mostrando a nada-mole-vida da bailarina desengonçada de 26 anos, de um jeito dinâmico e hilariante, que a faz ganhar rapidamente a simpatia de quem assiste. A personagem título rala para dar conta da vida, entre as aulas de balé para crianças, os ensaios para a companhia de dança na qual reza para ser finalmente admitida, uma festinha animada e outra e mais amigos, um namorado meia-boca e as contas no fim do mês. Alguém aí já viu esse filme na vida real?
É essa vida real, de pessoas reais, das inseguranças, dos desejos e desafios da vida comum que é retratada no divertido longa preto e branco e finamente musicado com uma trilha alto nível. Embora possa parecer batida, a história prova que pode existir muita poesia por trás do cotidiano comum de uma jovem coo muitas que pegam o metrô junto com você na hora do rush, mas no fundo nada convencional.
Frances é o anti-herói em tempos em que os padrões de beleza, relacionamentos, carreira profissional e outras regras do status quo são levadas tão a sério. Descabelada, sempre meio mal ajambrada, sonhadora, de uma sinceridade hilária, a saltitante Frances é a vingança da doçura no meio da selva. A selva no caso é Nova York, mas poderia ser qualquer outra grande cidade. Podia ser o nosso Rio de Janeiro, sem sombra de dúvidas.
O equilíbrio – ou a falta dele - entre as inseguranças, o desejo de ser amada e a missão de se bancar com grana curta vem em forma de pirueta, de dancinhas desajeitadas no meio da rua, de um uma ressaca. A moça e seu universo ganham a simpatia do espectador logo de cara, com seu jeito quase non sense e cativante. Ponto para um bom filme, despretensioso, lúdico e inteligente. Uma história bem humorada, com uma ótima trilha sonora de fazer a gente querer reunir os amigos na sala de casa para um dance. Está sem onda? Vá ver Frances Há e delicie-se com um filme que vê no simples da vida o charme dela mesma. É tiro certeiro no mau humor, na melancolia e no baixo astral.

Escrito por Amanda Scarparo
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