Time Out Rio de Janeiro

A nova bossa do Jazz

Ritmo nunca esteve tão em alta na trilha sonora carioca 

O Rio tem um novo flerte musical. Seja em casas de shows, no morro ou no meio da rua, o jazz, definitivamente, está na moda. A consolidação de grupos locais e a constante vinda de artistas internacionais para a cidade, está provocando mais uma miscigenação entre o jazz e a MPB, que na década de 60 culminou com a criação da bossa-nova. Só que, agora, “O Tio Sam está querendo conhecer a nossa batucada”, como disseram os Novos Baianos. O gênero musical está ganhando sotaque carioca.

“Acredito que a causa desse boom do jazz no Rio seja o elevado nível dos músicos locais, que estão cada vez melhores. Sem contar que temos muitos gringos que moram aqui, como Cliff Korman, Jeff Gardner, Mark Lambert, Idris Boudrioua, Daniel Santos, Jimmy Duchowny e Paul Campbell, que procuram contato com o tão valorizado Brazilian Jazz, que o carioca está redescobrindo”, explica Thiago Espósito, produtor musical do Santo Scenarium, que desde sua abertura em 2007 dedica suas noites ao gênero.

Em 2011, foram 31 shows com estrangeiros na casa, quase sempre com lotação máxima. Segundo Thiago, a faixa etária do público varia entre 25 e 35 anos e a presença feminina está se tornando cada vez mais constante.

O charmoso e envolvente ritmo está encantando um público diversificado e cada vez mais jovem. Prova disso é o show gratuito promovido pelo grupo Nova Lapa Jazz. Eles começaram tocando num boteco pé-sujo numa esquina da Lapa, mas o sucesso foi tanto, que eles tiverem que procurar um novo local. Atualmente, toda quarta-feira, o grupo promove uma “roda de jazz” gratuita, na Praça Tiradentes, no Centro, à partir das 20h. Sempre lotado, além de incetivar a cena musical, o evento está tendo um papel importante da revitalização cultural da primeira praça do Rio, fundada nos tempos do Brasil Império.

"Nosso objetivo é democratizar o jazz, disseminar a cultura ocupando espaços públicos com um estilo musical que normalmente só se escuta em locais fechados e, muitas vezes, caros. O centro da cidade é lindo e será cada vez mais frequentado por moradores e turistas no Rio de Janeiro. É preciso buscar uma evolução da cena cultural que acompanhe a evolução do Rio como um todo”, revela Iuri Nicoslky, saxofonista do grupo.

Na Zona Sul, também há ótimas opções semanais. Na subida da comunidade do Pavão-Pavãozinho, em Copa, o Jazz na Taverna lota o bar do albergue Pura Vida. Quinta-feira sim, quinta-feira não, muita gente bonita marca presença na jam session, sempre com ótimas atrações. Récem-chegado à cidade - e já badalado-, o Studio RJ dedica suas terças-feiras ao Jazzmania, noite que conta com atrações nacionais e internacionais.

No morro, o jazz também tem vez. A pousada The Maze, no alto da favela Tavares Bastos, no Catete, oferece mensalmente noite de jazz com vista estonteante para o Pão de Açúcar. Bob Nadkarni, ex-jornalista da BBC, radicado ha mais de 20 anos no Rio, desde 2005 recebe mais gringos do que brasileiros todas as primeiras e as terceiras sextas-feiras de cada mês.

 
“Temos uma banda própria. Frequentemente, chegam outros músicos para "dar uma canja" na jam session. Começamos há cinco anos com um público de 12 pessoas. Mas nos últimos meses recebemos mais de 500 pessoas por noite.”, orgulha-se Mr. Nadkarni.

E por que o Rio combina com jazz?

“Porque é universal, assim como a bossa nova, prima do jazz. São gêneros que já tem seu lugar no repertório internacional. O jazz sobrevive porque a improvisação é infinita, a inspiração nasce de tudo”, revela.
 

Escrito por Bruna Velon
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