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Orquestra Voadora

 Originais de Santa Teresa, big band conquistou o Rio com sua antropofagia musical

O ano era 2008. Foi quando os frequentadores de festas que pipocavam por todos os cantos de Santa Teresa conheceram uma orquestra de fanfarra, com instrumentos de sopro e muito suingue. Sucessos de Michael Jackson, Fella Kuti, Stevie Wonder, Tom Jobim e do movimento Tropicalista ganharam versões inusitadas e pra lá de dançantes, o que eles chamam de antropofagia musical. Surgia ali um fenômeno da música porpular carioca. A prova disso é que quando a Orquestra Voadora colocou seu bloco na rua pela primeira vez, o público chegou a 3 mil pessoas. E no carnaval seguinte, a 15 mil, e depois a 25 mil foliões, que fizeram a passarela do Aterro do Flamengo tremer, literalmente.

A história da big band vem de outros carnavais. A Orquestra Voadora surgiu a partiu da união de músicos que tocavam em diversos blocos. Por isso, o habitat natural dos quinze músicos que compõe a banda (no carnaval são mais de 60 ritmistas) é a rua.

“É um espaço democrático, um lugar plural onde se constroi a cultura. Nos shows nós sempre descemos do palco porque gostamos de estar perto do público. Brincar com os elementos da rua, com os personagens, a interação, é isso que dá a direção da nossa apresentação. Já tocamos até para um mendigo que estava fazendo almoço numa fogueira. Ele gostou tanto que até ofereceu o rango pra gente”, relembra Juliano Pires, um dos trambonistas do grupo.

Prova disso é que até os ensaios do grupo são ao ar livre. Aos domingos, lá pelas 17h, eles ensaiam no agradável jardim do MAM, que costuma lotar, principalmente, no período do carnaval. Mas não é só de folia que vive a Orquestra – agenda é cheia o ano inteiro, inclusive, em outras cidade do Brasil.

“Em 2012, vamos fazer nossa primeira turnê internacional na Europa, em março e abril. Também vamos incluir nas apresentações nossas músicas próprias, como Ferro Velho, Pra Viagem e Tá na Hora“, revela Juliano.

Entre os hits dos shows, estão legitimos representantes da cultura brasileira – como Tom Jobim, Os Mutantes e Raul Seixas -, além de africana, romena, polonesa, francesa e norte-americana - até Jimi Hendrix já ganhou sotaque brasileiro. O repertório variado é escolhido democraticamente.

“Conviver numa orquestra é uma loucura! Somos 15, cada um pensa uma coisa, mas é divertido. Todo mundo dá pitaco, a direção artística é coletiva. Tem votação pra tudo, sempre precisamos chegar a um concenso“, finaliza Juliano.

A Orquestra Voadora desfila toda terça-feira de carnaval, a partir das 14h, no Aterro do Flamengo, no MAM. Imperdível!

Escrito por Bruna Velon
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