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Letuce

Afinados no amor e na música, o casal Letícia Novaes e Lucas Vasconcellos é pura sintonia na carreira. Dupla acaba de lançar seu segundo CD, o Manja Perene

Onde se ganha o pão, não se come a carne. O clichê já virou démodé e o casal Letícia Novaes e Lucas Vasconcelos, sob a alcunha de Letuce, está nos palcos para comprovar isso. Enamorados há 5 anos, e há 6 meses dividindo a escova de dente na nova casa no Rio Comprido, o show do duo é daqueles que fazem creditar que o amor é totalmente possível e romântico. As canções, em sua maioria, escritas por eles próprios, inevitavelmente, falam sobre coisas do coração. Manja Perene, novo álbum da banda – com Leticia na voz, Lucas no teclado e guitarra, Thomas Harres na bateria e Fabio Lima no baixo - faz um percurso suave pelas partes do corpo, revelando uma intimidade que vai muito além das quatro paredes. No palco, a sintonia também é fina.

Antes de se conhecerem, ambos já seguiam pelos caminhos das artes. Ele, multinstrumentista, já tocavam nos shows bacaninhas da cidade com a banda Binário. Ela, multiartista, fazia teatro, cantava e mantinha um fotolog super acessado. A união resultou em uma das ótimas revelações da nova safra de músicos cariocas, que marcam uma vocação ao experimental. No palco, eles também seguem essa tendência, sempre com apresentações performáticas e envolventes – com muito brilho, cores e texturas – além de irreverentes declarações da vocalista, cheias de pitadinhas de amor e sarcasmo. O público se delicia como um voyeur. Para mergulhar neste mundo, conversamos com Letícia para desvendar o universo particular do duo.

Como vocês definem o som do Letuce?
Passeamos por muitos estilos e flertamos com o rock, bolero, bossa nova, música eletrônica, enfim, passeamos bem. A nossa busca por uma sonoridade original, nos impede de conseguir definir nosso tipo de som. 

O que mudou do primeiro para o segundo CD?
Nossa maturidade no palco. Fizemos muitos shows e isso influenciou na nossa gravação, estávamos mais entrosados enquanto amigos e músicos.

As músicas brincam muito com timbres de voz, com palavras com sonoridades engraçadas, onomatopeias.... há muita irreverência.
Somos assim na vida e o trabalho é apenas uma extensão das nossas emoções. Pra viver nesse planeta só tendo muito bom-humor e irreverência. Não temos a capacidade e nenhum interesse em forjar sentimentos apenas para produzir uma música.

Aliás, o próprio nome do novo álbum Manja Perene, o que significa?
Nasceu de uma poesia que eu fiz para o Lucas. Onde eu dizia que queria eternizá-lo. E eu terminava dizendo: "Sabe pra sempre, manja perene?" Manja é uma palavra muito usada há uns 20, 30 anos aqui no Rio, eu gosto, acho sonoro. E perene é sinônimo de pra sempre, gosto muito das palavras menos óbvias.

O segundo álbum explora muito as partes do corpo. Ossos, carne, “bacurinha”, coração, perna...
É um disco carnal, envolto em emoções táteis, o corpo é o melhor parque de diversões.

As canções parecem muito autorais. São escritas só por vcs? Quem assume mais o lado compositor, Lucas ou Leticia?
As músicas são todas nossas, menos a última que é do André Dahmer, e "Anatomia sexual", cuja letra é do nosso baixista, Fabio Lima, e nosso baterista também colaborou em "Fio solto" e "Insoniazinha". O resto é tudo nosso, geralmente as ideias iniciais partem de mim, eu tenho diário, anoto muito tudo, minha vida, observações. Chego no Lucas já com uma melodia e a frase, e ele sempre lapida, melodia e letra. Mas há uma música que é so dele nesse disco, lindíssima: "Areia fina"

Nos shows há muita interação com o público. Por que vcs apostam nesse contato mais aproximado?
No fundo, no fundo, eu sou tímida. Mas eu domo tudo isso não sendo. Eu tenho tanto medo do palco, que eu subo nele, eu fico tão intimidada pelas pessoas que eu prefiro trazê-las pra perto.

Quais são as suas influências musicais?
Tudo que você possa imaginar, desde Roberto Carlos, até Raça Negra, Led Zeppelin, Maria Bethânia, PJ Harvey, Janis Joplin, Tom Jobim, The Smiths, Legião Urbana, Só pra contrariar, axé dos anos 90, Caetano, Coco Rosie, Juana Molina, Lhasa de Sela, Air

Vocês percebem uma tendência experimental nas novas bandas que estão surgindo?
Sim, alguns projetos apontam para uma criatividade focada no experimentalismo, não que o formato canção tenha caído em desuso, mas percebemos que o mercado aos poucos, vai se abrindo para segmentos mais autorais e diferentes dos padrões.

Quais o principais nomes da musica carioca hoje em dia?
Negro Leo, Ava Rocha, Do Amor, Nina Becker, Qinho, Botika, Alice Caymmi, Medulla, Dorgas...

Se fosse para escolher uma musica que marcou o romance de vcs, qual seria?
Impossível escolher uma, mas alguma da Sade e do Roberto Carlos...

No dia 13 de março, será o show de lançamento do CD Manja Perene, no Oi Futuro Ipanema. Em 2012, a dupla vai percorer diversas cidades do país divulgando o novo trabalho. Para ouvir o álbum e checar a agenda, é só acessar o site Letuce.
 

Escrito por Bruna Velon
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