Time Out Rio de Janeiro

Emicida

Com rimas imbatíveis e muito suíngue, o “matador de MCs“ chegou metendo o pé na porta do mercado musical e desenha uma nova cena no rap brasileiro

“A rua é nóiz“. Este é o grito de guerra do Emicida, rapper criado na Zona Norte de São Paulo. Foi lá, nos bailes e “quebradas“, que desenvolveu seu talento para ser um cronista musical, cantando sua realidade, seu cotidiano às margens da sociedade. Sua trajetória começou a ser traçada quando participava das batalhas de MCs, um duelo onde quem rima melhor, leva. E assim, Leandro Roque de Oliveira ganhou sua alcunha: o homicida de MCs, conhecido como Emicida entre “os manos“, sambistas, roqueiros, playboys, patricinhas e até na MTV e nos Estados Unidos. Ele é “tudo aquilo que pensaram que ninguém seria“, como diz no single Triunfo.

Emicida é um dos embaixadores da nova fase do rap nacional, que não fala apenas de pobreza e desigualdade social com as batidas pesadas do underground. Ele versa com várias vertentes musicais e mandou suas rimas com a galera do funk, do samba e do rock. E foi assim que abriu portas para uma nova cena e trouxe o rap nacional para os holofotes. 

Confira a entrevista com Emicida, que toca dia 14 na festa Xarpi, no Circo Voador.

Os grandes nomes do hip hop em destaque na cena musical brasileira, como você e o Criolo, estão buscando mais parcerias com o samba, MPB, rock, ritmos africanos... Por que essa tendência?
Creio que agora temos mais condições de mesclar ao rap elementos que antes apenas ouvíamos e não conseguíamos fazer soar com harmonia. Isso não é uma tendência, é a raíz, o rap nasceu de loops de funk, James Brown, sampler é isso. A música nasce de outra música, então sempre bebemos de outras fontes. O que houve é que no meio do caminho criou-se uma idéia errada de que o rap era alheio ao resto do universo musical, mas sempre passeamos por todos os gêneros. Eu, inclusive, acho que busco isso muito mais na poesia do que na musicalidade, estou estudando para poder fazer esta mescla de uma forma que eu acredite ser correta para minhas canções.

Como você analisa a cena do rap nacional atualmente?
Interessante, novas idéias surgindo, novos artistas de norte a sul. A coisa tem se diversificado e funcionado fora do eixo Rio-São Paulo também, isso é muito bom pro hip hop. É um momento delicado, por outro lado, pois é quando aparecem propostas e interesses alheios à raíz do movimento. Creio que é importante que os artistas gerenciem mais as coisas e ditem pra onde a cultura deve caminhar. Progredimos bastante nos últimos anos, as mix tapes tem corrido bem pelas ruas e a mídia está nos olhado com mais respeito.

Com quais artistas brasileiros você já fez parcerias? Alguma foi mais especial, teve uma história que te envolveu mais?
Cantei com muita gente já, de Arrigo Barnabé a NxZero. Gosto de todos, são meus amigos e todos tem histórias especiais. Uma que me emocionou muito foi gravar com a Elza Soares (veja aqui), que estava recém saída de uma cirurgia na coluna e nos deu uma aula de amor à música e determinação ao colocar toda a sua força e energia maravilhosa ao espetáculo. Todos no set de gravação saíram com os olhos lacrimejando e arrepiados. Até agora só de lembra, me arrepio.

Quais seus planos para 2012?
Fazer um disco oficial, meu primeiro álbum. Estou arrumando a casa para isso. Quero lançar alguns vídeos novos e diversificar as coisas na minha empresa, a Laboratório Fantasma. Este ano lançaremos novos artistas e novos projetos também!

Quais novidades você vai levar para o palco do Circo Voador, no dia 14, para a festa Xarpi? Participações especiais, novidades?

Tudo novo, inclusive o repertório, mesclado com tudo o que já fizemos e, possivelmente, músicas novas. Estou bem ansioso para este show. Pela primeira vez viajamos com a estrutura completa. O Rio proporciona isso pois oferece uma gama de possibilidades bem parecida com a de São Paulo, que algumas cidades não tem e isso encarece as coisas. Vamos viajar com cenário e ainda teremos o Rael da Rima no palco.

*Clique aqui e veja a matéria sobre a festa Xarpi no site da Time Out Rio.
 

Escrito por Bruna Velon
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