Time Out Rio de Janeiro

7 minutos com MarthaV

Musa underground volta a atacar com sua voz levemente louca e rouca, fazendo experimentos sonoros digitais num show intimista no Solar de Botafogo

 A primeira impressão que se tem ao ouvir a voz de MarthaV mesclada aos sons de guitarra elétrica é de que suavemente o antigo foi cedendo lugar para a novidade. E é como se as peças deste recado se encaixassem umas nas outras durante o balé das letras existenciais nas melodias indies. O trabalho da artista, todo recheado de inventividade, é por ela mesma definido como underground. A bela veterana está na estrada há 13 anos, e desde então, busca beber nas novas tecnologias e achar autonomia para fazer seu som atingir o maior número de internautas possível. Martha é adepta da ideia de manter o trabalho free na internet e seu novo disco, que está prontinho para sair do HD, será celebrado num show no dia 9 de maio, no Solar de Botafogo, e o álbum neste mesmo dia vai cair na internet para quem quiser fazer download. 

1. Martha, quando você descobriu esse barato de Rock and Roll?
Quando conheci Jimi Hendrix, The Who, Led Zeppelin, Eric Clapton, etc. Artistas sem rótulos. Mas nunca gostei de muita barulheira, pelo menos não o tempo todo. Valorizo a dinâmica nos arranjos e acabei curtindo Iron Maiden que, além de melódico, gostei por osmose, pois meu irmão mais velho ouvia todo santo dia.

2. Quais foram suas influências no início?
The Beatles, com toda certeza. Meu pai e meu irmão mais velho sempre ouviam. Elis Regina, que minha mãe adorava. Depois o rádio, Madonna, Duran Duran, The Cure, A-HA, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Kid Abelha, Barão Vermelho, Ira! Um monte de coisas que tocavam nas rádios naquela época.

3. Você é de uma geração de músicos que fez parte da transição do K7 para as novas plataformas digitais. O que mudou para você? Como tem andando o processo de experimentação em sua música?
ADORO! Sou fanática por tecnologia e adoro aprender coisas novas, principalmente se facilitam minha vida. Não acho que prejudica a criação, só me deixa mais solta pra inventar e ver mais rápido o resultado final.

4. Era mais fácil fazer música naquela época?
Se você diz anos 80, sim era mais acessível, mas para quem já tocava. Nesta época eu estava praticando violão. Mas sou de uma geração que se tornou profissional no ato da transição da indústria fonográfica, anos 90. Aí a internet veio e mudou tudo. No início tememos, pois a indústria fonográfica foi obrigada a se readaptar e mudanças assustam. Mas, é fato que ela foi a melhor revolução, possibilitando democracia e materiais autênticos.

5. O que tem aprontado por aí? Como tem sido sua rotina de ser humano mortal?
Nossa que pergunta profunda (risos). Bom, tenho me descoberto cada vez mais, adoro essa coisa de autoconhecimento. Dei uma renascida de 2011 pra 2012. Antes disso, produzi muito, senti mais segurança em fazer produções musicais, descobri gosto nisso, além de fazer meu trabalho autoral artístico. É isso, me sinto mais madura, mas ainda com gás de fazer shows por aí, sem grandes expectativas; só aproveitando o momento, as coisas simples e complicadas da vida.

6. Fale um pouco do próximo show no Solar de Botafogo, o que você está preparando para os fãs?
Esse show será de lançamento do meu EP virtual chamado VÉRTICE, disponível para baixar grátis, a partir do dia 9 de maio pelo site MarthaV.
O formato será bem diferente do anterior. Vai ter guitarra (Rodrigo Nogueira), teclado (Fabra) disparando as programações e eu cantando e tocando algumas coisas que ainda nem sei o que são (risos). Brincaremos muito com efeitos de voz, estou mais cantora do que nunca. Haverá também participação especial de Daniel Martins no baixo, na nossa música "Minto, Logo Existo". Além disso, tem Érika Nande, baixista fera e produtora musical fez a bateria de "Mesmo Sem Querer", uma das faixas deste EP virtual.

7. Dê um recado para os leitores da TimeOut que ainda não te conhecem.
Conheçam meu trabalho de mente aberta, esperando ouvir canções, apesar de sonoridades eletrônicas e experimentais. Saibam também que foi feito com muita verdade, muito amor, como motivo para estar viva.

Escrito por Érica Magni
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