Time Out Rio de Janeiro

10 minutos com Nuria Mallena

Depois de viver uma lúdica e feliz infância no Sertão de Pernambuco, a bela morena rumou para Recife e foi tentar cantar na capital. Anos depois, o Rio de Janeiro tem o prazer de conhecer a força de sua música numa temporada de shows no Teatro Solar de Botafogo. 

A linda pernambucana já chegou ao Rio acontecendo, Nuria Mallena, que está com seu primeiro cd saindo do forno, tem soltado a graça e a voz numa temporada de shows com repertório do álbum "Nu". Curioso também é que a moça já teve até música na trilha da novela global "Cordel Encantado", praticamente um hit,  "Quando Assim" foi tema romântico das cenas de beijo dos protagonistas da trama. Hoje, aos 30 anos, ela está radiante com o resultado das sementes que plantou ainda na terra seca da sua cidade natal, Ouricuri. A TimeOut conversou com a nova voz da MPB, e descobriu novidades que são a cara do Brasil, confira.

Nuria, quanto tempo está na música, e como você classifica seu trabalho?
Eu comecei a tocar violão aos 10 anos e quase imediatamente comecei a compor. A música sempre foi muito forte em minha vida. O meu trabalho é meio sem rótulo mesmo, eu misturo as minhas influências, acho que quem ouve o disco sente o ar do sertão, mas com uma pegada pop, uma pitada de maracatu e um arranjo do Verocai, uma levada meio de rock e uma leveza romântica. Música Brasileira.

Que tipos de programas gosta de fazer aqui no Rio? Dê dicas de três lugares bacanas. 
Adoro fazer saraus com os amigos e amo sair pra comer! Azumi, em Copa, Nam Thai, no Leblon e o Vice-Rey, do ladinho aqui de casa, são deliciosos!

Como era sua infância no sertão de Pernambuco? 
Era uma infância muito livre, morávamos numa cidade pequena, as crianças brincavam nas Ruas e todos se conheciam, era tudo muito lúdico e lindo, trago amigos comigo até hoje. Mas eu lia muito também, a minha mãe sempre nos presenteava com livros e as histórias se misturam na minha cabeça com as brincadeiras. Tempo maravilhoso.

Como é estar longe da família?
Esse é o maior preço que pago. É muito complicado viver de saudade, eles estão sempre presentes em tudo o que faço e sou, mas é doído viver longe deles.

Quais eram suas referências musicais nesta época? 
Eu ouvia de tudo, a minha Mãe gostava de Roberto Carlos, Elis, Chico, Gil, Nubia Lafaiete, o meu Pai ouvia Luiz Gonzaga, The Fevers, Waldick Soriano, e a minha Babá ouvia tudo que estava na rádio e no Chacrinha! Eu ouvia de tudo e amava os arranjos, ficava com o ouvido grudado na caixa de som pra ouvir melhor os instrumentos, era como se fosse uma receita de bolo, eu ficava pensando que ingredientes eram nescessários pra música ficar linda.

Qual a maior dificuldade que você encontrou na transição de Recife para o Sudeste?
Eu acho que a dificuldade foi quando saí de Ouricuri pra Recife, com 15 anos. Recife parecia ser um país, quando vim pro Rio já estava com 26 e totalmente acostumada com a "cidade grande". A dificuldade foi viver de música. Trabalhava durante o dia pra conseguir tocar à noite, isso foi difícil.

Em que portas você bateu incialmente para descolar visibilidade? 
No início eu alugava algumas casas pra tocar, Far Up, Madame Vidal, etc. Mas logo o dinheiro acabou e eu fui tentando tudo, até quiosque na Lagoa Rodrigo de Freitas (e olha que é difícil, viu?), fiquei uns dois meses tocando na Lagoa, outros dois tocando no Espírito das Artes na Cobal do Humaitá, tudo que eu ganhava eu reinvestia, era o meu trabalho e meu prazer.

Como é ter uma música sua numa novela da Globo? Sonho de muitos compositores e cantores.  
É maravilhoso. Foi uma grande emoção estar em casa, assistindo a novela, e ouvir a minha música numa cena de amor, é como se a música ganhasse vida. É emocionante. E é, sem dúvida, uma chave que abre portas para o trabalho, é muito bom tocar num show onde as pessoas cantam a música com você.

Que tipo de leitura você consome? 
Literatura mesmo, sempre li romances, José de Alencar, Machado de Assis, Gabriel Garcia Marques, Isabel Allende e o meu amado Guimarães Rosa.

Fale um pouco sobre a temporada de shows no Teatro Solar de Botafogo? 
Na primeira vez em que fui ao Solar me apaixonei pelo lugar, tem uma acústica maravilhosa, o teatro é acolhedor, charmoso. E pensei em começarmos os shows num lugar que trouxesse esse clima de conforto e beleza, onde eu pudesse receber os meus amigos e os curiosos com o mesmo carinho, falando com todos depois dos shows.

Como aconteceu esse projeto? Por que escolheu a zona sul para estrear a turnê, e por que todos os show serão lá? 
Nós já estávamos com o disco pronto e preparando o show quando decidimos fazer essa temporada no Solar, eu sempre morei na Zona Sul, mudei a pouco tempo pra Barra, tenho muitos amigos lá e o lugar é muito acessível. Priorizamos mesmo a estrutura e o tipo de show que queríamos fazer. É quase um show intimista, não fossem as batidas mais fortes de algumas músicas. Queríamos poder experimentar as nossas levadas, aos poucos o show vai ficando mais enxuto.

O que pretende com o CD "Nu"? Por que esse nome? 
Esse é o meu primeiro cd, totalmente autoral, o que espero dele é o que já estou fazendo, tocar, levar o meu som pras pessoas, trabalhar, amadurecer, continuar.  O nome foi uma loucura, porque nós não conseguíamos nomear o disco, ficamos um ano trabalhando na produção e experimentando instrumentos e sons. Tinham guitarras, teclados, várias coisas que decidimos tirar depois, deixamos o disco nu e voltamos ao início, o disco é todo feito de violões e acordeom, agora tem "silêncios", gravamos tudo "ao vivo", sem clique, no feeling. Eu estava conversando com uma amiga minha, Renata, sobre o nome do disco e ela disse: "Nu, por que vc não bota "nu"? E começamos a rir. Dei a idéia pra Malagueta e eles amaram. Apesar de ser meu apelido (no Rio), o nome do disco não é só uma alusão ao meu nome e sim ao conceito do disco, ao som, a despretensão musical. Não queríamos fazer as músicas entrarem dentro de uma forma, queríamos que elas fossem as protagonistas e nos rendemos a elas.

Como trabalha sua imagem na internet? Tem alguem para fazer isso ou vc mesma fala com os fãs? 
Tenho minha assessoria de imprensa, mas sou eu quem fala com os fãs na internet, separo algumas horas do meu dia pra responder e ouvir todos, retribuir esse carinho é uma das melhores partes da jornada.

Qual a sua maior realizaçao como artista até hoje? Intimamente falando. 
É subir no palco com a missão de conquistar as pessoas e sair dele ouvindo-as cantar a minha música. Eu sempre chamo um "coro" antes de me despedir e volto pro camarim ainda com o som das vozes, é emocionante.  O que me realiza é o hoje, os desafios que são superados a cada show, é a emoção que sobra da platéia.

Depois do Solar, já tem projeto marcado? Como está a agenda? 
Sim, sim, sim, nós estamos assinando com uma gravadora esta semana (assim que eu puder eu passo o nome da gravadora), vamos lançar o disco oficialmente em junho e estamos marcando os próximos shows. Assim que liberarem a agenda eu passo pra vocês.

Fale sobre a banda que te acompanha.
A minha banda é o meu grande trunfo musical, sou fã de todos que tocam comigo, divido o palco com as pessoas mais talentosas que conheço, tive muita sorte de conseguir conquistá-los e trazê-los pra perto de mim. Tenho o Chico Chagas no acordeon, Cássio Cunha na bateria e percussão, Christiaan Oyens tocando violão e lapstil e Alex Rocha no Baixo Acústico.

Deixe um recado para os leitores da TimeOut que ainda não conhecem seu trabalho. 
Eu convido a todos para assistirem ao meu show no Solar de Botafogo, todas às quintas de maio, espero que possam conhecer o meu trabalho. Estamos fazendo tudo com muito amor. É um prazer falar com vocês da TimeOut, obrigada pelo carinho e pela força!

Escrito por Érica Magni
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