Time Out Rio de Janeiro

Bolacha Discos

Saiba mais sobre os bolacheiros que estão agitando a cena musical carioca

Pense em caras bacanas, todos na casa dos 30, cariocas típicos, daqueles que conhecem sempre muita gente por onde andam, discutindo música, direitos autorais, projetos e estratégias criativas. Na história pessoal de cada um, diversas facetas: músico, produtor, empresário, coordenador de marketing internacional e até um geógrafo e professor há entre eles. Primeiro formada pela dupla Bernardo Palmeira e Paulo Monte, a Bolacha completou o atual trio ternura há dois anos com Thiago Vedova. Um misto quentíssimo de selo, produtora, agência e uma plataforma de crowdfunding. No casting, artistas como Qinho, Bondesom, Letuce, Os Outros, Songoro Cosongo, Elisa Addor, Baia e Rogê. Ainda assinando curadorias musicais em espaços como Reserva+ e o Teatro Maria Clara Machado com as Quintas da Bolacha, os bolacheiros bateram um papo com a Time Out Rio regado a muita música. Confira!

Vocês vêm na contramão das grandes gravadoras e poderosos empresários do mundo musical. Tem espaço para todo mundo?

A Bolacha nasceu da necessidade de pensar novos caminhos para a música e o nosso objetivo é evoluir na produção artística e potencializar a distribuição desse conteúdo, pensando em um mercado em transformação. A nova cena musical precisa de artistas ativos e criativos, que saibam movimentar suas redes sociais a pensar no seu trabalho. A gente acredita em um mercado mais horizontalizado e serve como uma aceleradora destes trabalhos. Mas com certeza tem espaço para todo mundo! Muitos artistas atingem um grau de reconhecimento grande, às vezes trabalhando de forma independente, outros viram febre e fecham contratos milionários...

Qual é o veneno anti-monotonia que move os projetos da Bolacha?

Todo mundo aqui na Bolacha é antes de qualquer coisa consumidor e incentivador da música e por isso os projetos são trabalhados com tanto entusiasmo! Claro que queremos ver estes projetos chegando a cada vez mais gente, de forma que a produtora cresça de forma saudável, mas sem perder a essência. Agora por exemplo, vamos ter um espaço na Mostra PUC-Rio, e vai ser incrível poder dialogar com este público! Teremos um stand vendendo discos, falando sobre música e trazendo gente nova para perto...Pensar sempre novos caminhos e formatos, não se acomodar, este é o barato.


O que é o Embolacha? Quantos projetos já foram embolachados?

A Embolacha é uma plataforma de financiamento colaborativo (Crowdfunding) para projetos de musica. O sistema funciona como uma vaquinha coletiva, onde os artistas propõem seus projetos e o publico recebe recompensas em troca do apoio financeiro. Mais do que uma ferramenta para captação de recursos, a Embolacha é um espaço para a experimentação e expansão dos limites artísticos onde artistas e público se unem para compartilhar novas experiências e reinventar suas relações. Desde o lançamento da plataforma em Maio de 2012, mais de 1700 pessoas ja participaram de 20 projetos, dos quais, 14 bem sucedidos, totalizando mais de R$ 220.000,00, em recursos.


O Rio tá na moda, mas apesar disso, faltam espaços bacanas para shows. Vocês acreditam em uma mudança nesse cenário, com investimentos em novas casas?

O Rio de Janeiro vive um momento econômico favorável, com mais investimento e a economia criativa também se beneficia. As grandes casas continuam surgindo, como o Studio RJ, Miranda... o problema normalmente é se manter. Acho que o Rio é carente de casas de show de pequeno e médio parte, com mais qualidade de infra-estrutura e preços mais acessíveis. Até porque as boas – e poucas - casas que existem apostam cada vez mais nas festas, deixando os shows um pouco de lado.

A sede da Bolacha está de mudança para um novo espaço, o Rio Criativo. O que é esta incubadora cultural?

É um projeto do Estado do Rio que estimula iniciativas culturais que projetem a chamada economia criativa, num modelo de incubadora, em um espaço que reúne empresas de várias áreas culturais, sempre com este compromisso de fazer diferente e apontar novos caminhos. Para a Bolacha vai ser uma ótima oportunidade de crescimento e aprendizado e acho que fomos selecionados justamente porque temos esta meta de novas alternativas na cena musical. As reuniões que eram na casa do Bernardo, passam agora a ter este novo endereço no Centro do Rio e o Bernardo passa a ter a casa de volta.

Como vocês classificariam o público carioca na recepção de novos artistas?

O público carioca é um dos mais preguiçosos, infelizmente os artistas novos dificilmente contam com um público curioso. A galera é capaz de lotar festas que aos poucos vão se multiplicando e se tornando mais e mais caras. O curioso é que este mesmo público chia muito dos preços de show, sempre querendo ser VIP ou estar presente em uma "lista de melhores amigos", porque mesmo a "lista amiga" já virou lugar-comum.
Ao mesmo tempo em que aqui no Rio o artista tem que suar muito para conseguir fidelizar um público, difícil alguém “estourar” nacionalmente sem que o carioca tenha assinado embaixo.


Vocês criaram um bloco de Carnaval que trouxe convidados inusitados como Kelly Key, Léo Jaime e Otto. De onde surgiu essa ideia? Vão repetir a empreitada para o próximo ano?

A Bolacha ajudou a criar o bloco junto com outros parceiros, como a Aventura e Rede Rio de Negócios. Na verdade, eles procuraram o Qinho e a Letuce e todo mundo pensou junto em como ter um repertório bacana, convidando gente de diversos estilos para cantar junto musicas como o tema de Grease em ritmo de marchinha. Foi um sucesso, os ensaios sempre cheios e todo mundo se divertindo muito! Não tem como tirar o Clementianos do calendário de 2013....

Que dicas vocês dariam para quem está começando agora na cena musical?

É fundamental que atuem ativamente nas redes sociais, conversando diretamente com o público, produzindo muito conteúdo, aproveitando principalmente os audiovisuais, que viraram verdadeiras febres! Nada de videoclipes, que nos anos 90 não custavam menos de 20 mil reais, chegando a orçamentos estratosféricos. Me refiro a videos caseiros criativos e ideias interessantes.

Façam suas apostas para uma iniciativa musical que ainda vai dar o que falar.

Pensando em artistas que já comemoram alguns bons louros mas que ainda têm uma grande estrada pela frente, como o Qinho e o Letuce apostaríamos neles. Agora, trabalhos mais frescos como o projeto solo do Botika e o cantor e compositor Cícero merecem atenção. Coisa boa vêm por aí!

Escrito por Amanda Scarparo
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