Time Out Rio de Janeiro

As rodas de samba badaladas

Os melhores encontros do samba-raíz no Rio 

Faz parte da cultura do carioca tanto quanto o futebol: o samba prova que está mais vivo do que nunca e, como diria o compositor mangueirense Nelson Cavaquinho, "agoniza, mas não morre". As rodas de samba se espalharam pela cidade e ganharam adeptos que, há até pouco tempo, não eram muito familiarizados com o gênero musical que consagrou Noel Rosa e Cartola. A Time Out Rio visitou três rodas de samba das mais queridinhas do público: os sambas Luzia, do Ouvidor e do Trabalhador.

Samba Luzia

O Samba Luzia tem todo o charme de uma típica roda de samba carioca. Organizado no terraço do Clube Santa Luzia, vizinho do MAM e do aeroporto Santos Dumont, a animação fica por conta dos sambas clássicos que todos conhecemos. Chegando lá, é sempre o mesmo ritual, que sugerimos ser seguido pelos marinheiros de primeira viagem: compre logo seu balde de cerveja para não precisar encarar a fila do caixa toda vez que a garganta secar.

O samba começa a esquentar mesmo depois das 22h e, se você chegar nesse horário, significa que vai acompanhar a festa em pé mesmo. Não é fácil encontrar um lugar para sentar. Mesa é para os mais animados que estão lá desde a happy hour. Já a frequência é uma verdadeira Torre de Babel carioca: tem gente de todas as tribos. Todo mundo sambando sob o olhar da lua em dias de céu claro e na companhia do Pão de Açúcar ao fundo.

Serviço:
Clube Santa Luzia - Avenida Almirante Silvio de Noronha, 300
Sex., abertura da casa às 20h - início do samba às 22h
Preço: R$25
Tel: (21) 2508 5600

Samba da Ouvidor

No início do século 20, esta era a rua mais francesa dos trópicos. Com seus cafés e sua  moda, a rua do Ouvidor, no Centro do Rio, foi perdendo o charme e status com o tempo. Mas em alguns sábados, a magia está de volta em forma de música. O samba da Ouvidor começou em frente à livraria Folha Seca,  mas o espaço acabou ficando pequeno. Agora, a roda está na esquina da Ouvidor com a rua do Mercado. "Nossa pretensão é cantar os sambas menos conhecidos e que não têm espaço nas principais casas de show. O objetivo é que o público aprenda novas músicas", conta um dos organizadores da roda de samba, o músico Gabriel Cavalcante. 

O samba do Ouvidor acontece em alguns sábados sempre depois das 15h. A programação dos dias da roda, você pode conferir no blog http://www.sambadaouvidor.blogspot.com. O ambiente é familiar, mas não menos animado. O único problema vem do céu. Se chover, não tem samba.

Serviço:
Determinados Sábados, a partir das 15h - entrada grátis - Rua do Ouvidor
Confira a programação em http://www.sambadaouvidor.blogspot.com

Samba do Trabalhador

Dizem que segunda-feira é o pior dia da semana. Voltar ao trabalho, ficar preso no engarrafamento e aguardar uma semana inteira para o próximo fim de semana. Mas para uma galera do Andaraí, na Zona Norte do Rio, a segunda-feira é mais um dia de festa. Com o tempo, o samba do Trabalhador se transformou em uma das melhores rodas de samba da cidade. O evento acontece religiosamente toda segunda-feira, no Clube Renascença, e é comandado pelo sambista Moacyr Luz. O grande barato é o clima de happy hour que toma conta do lugar, observando o pessoal chegar animado depois de um dia de trabalho. A dica é chegar por volta das 16h30, quando começa o batuque.

Serviço:
Clube Renascença - Rua Barão de São Francisco, 54 - Andaraí
Seg., 16h30-21h
Preço: R$10 homens; R$7 mulheres
Tel: (21) 3253 2322

Pedra do Sal

Segunda, quarta e sexta-feira sempre tem samba na Pedra do Sal. É um canto da rua, ao lado de uma grande pedra, que vira uma espécie de arquibancada nas noites de samba. Ao ar livre, recebe rodas de novos compositores e também entoa sambas clássicos. Os dias mais populares são segunda e sexta, quando muitas pessoas que trabalham no Centro vão para lá depois do batente. A música começa cedo, por volta de 19h30 e a hora de terminar varia, podendo ser entre 23h30 e 1h, dependendo da época do ano e da disposição dos músicos. O lugar é histórico e é onde havia o comércio de escravos que chegavam à cidade através do porto. Definitivamente, um lugar que merece ser visitado nas noites de samba. 

Serviço:
Pedra do Sal, perto do Largo da Prainha e da Praça Mauá
Seg, Qua e Sex., a partir de 19h30
Preço: grátis

Escrito por Ramiro Costa
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