Time Out Rio de Janeiro

Dia da Rua 2013

Novos artistas, sonoridades e estilos, com dez shows na orla e de graça: este é o espírito do Dia da Rua, que chega à sua quarta edição. A Time Out Rio foi bater um papo com o pessoal do festival, veja como foi!

A ideia do Dia da Rua era ocupar a rua, numa parada musical. Trazer artistas novos, propor uma interação direta com o público. E propor também encontros, reflexões, diversão e música, muita música. Reunindo diferentes vertentes da cena musical carioca, o festival apresenta a nova safra da música independente usando o cenário mais carioca e democrático que há, a orla.


Nas primeiras edições, a produção era feita pelos próprios artistas e as bandas tocavam simultaneamente nas esquinas das avenidas Ataulfo de Paiva, no Leblon e Visconde de Pirajá, em Ipanema. A última edição do festival, em 2011, trouxe para a praia num domingão de sol milhares de pessoas ao som de bandas como Letuce, Tono, Bondesom, Os Outros, Mohandas, Do Amor, Matheus Von Kruger, Chicas, Fino Coletivo e Qinho. Para esta edição de 2013, o Dia da Rua reuniu um time de sonoridades bem diferentes entre si trazendo de canções suaves de André Carvalho, Momo, Alice Caymmi e Rodrigo Cascardo passando pelo experimental de Mahmundi e Wladimir Gásper, as invencionices de Botika, a festa de Davi Moraes, o batidão eletrônico de João Brasil até o afrobeat do Abayomy. Para saber os horários dos shows e quem canta aonde, dá uma olhada aqui.


Para saber mais sobre o festival e a nova cena da música carioca, a Time Out Rio foi bater um papo com o cantor e idealizador do projeto Qinho e Thiago Vedova, com quem divide a produção do Dia da Rua. Dá uma conferida no que rolou! 

Ocupar a rua é muito comum em outras partes do mundo, com músicos fazendo pequenos shows em espaços públicos mas por aqui não temos o mesmo hábito. Como nasceu a ideia de promover isso, lá em 2008?

Qinho - Nasceu de um espírito de guerrilha e ao mesmo tempo, romântico. A gente queria ter a certeza de que a Rua devia ser ocupada por atividades artísticas e resolvemos testar. É espaço público, o maior deles. As primeiras edições trouxeram esta certeza, de que era preciso realizar eventos pés no chão, colocar os artistas no mesmo nível seu público, sem um grande palco.

Depois da primeira edição, o que ficou de saldo? Qual foi a maior motivação em dar continuidade ao projeto?
Vedova - Vimos que nada melhor que a música para encurtar a distância entre artista e público. É ali que acontecem os encontros. Também ficou claro que a nova cena da cidade é muito carente de visibilidade e de oportunidade, e este é um papel que o Dia da Rua quer ajudar a cumprir. Excelentes artistas que já tocaram ou tocarão no festival, que possuem o seu público, a sua rede, mas que são pouco conhecidos da grande massa de pessoas que frequenta a praia e o calçadão em um domingo, por exemplo. Entender que o Dia da Rua é um projeto único e não mais um festival de música, que ele tem uma energia e uma identidade própria, só aí já tem motivação de sobra...!

São 10 bandas tocando quase simultaneamente, cada uma com suas equipes e equipamentos. No final dá sempre tudo certo, logisticamente falando?
Vedova - O Dia da Rua é uma parada musical, um verdadeiro flash mob! Pequenos imprevistos fazem parte, impossível seguir exatamente o script, mas sempre com final feliz.

Será que a vibe mais 'solta' do próprio festival e do público interferem positivamente nisso tudo? 
Qinho - Com certeza tem a ver. Para começar o evento é de graça, isso já muda a relação com o público, especialmente do Rio, que não é tão generoso assim com os novos artistas.
E esta quase simultaneidade das atrações dá uma sensação de invasão musical que é sempre muito bem recebida. A rua é de todo mundo e tem música para todos os gostos. O Dia da Rua é um ótimo lugar para fazer descobertas! A onda é encontrar o seu "palco" e seus artistas preferidos.

Como é feita a curadoria para o festival? Qual o critério para a seleção dos artistas?
Vedova - O festival é um retrato da nova cena, ainda que tenha em suas edições artistas com níveis de experiências diferentes. Uns mais frescos e outros mais antigos. A principal ideia é mostrar novidade e artistas mais independentes, ainda não bombados, pelo menos em seus trabalhos autorais.

E o que motiva o artista a participar do Dia da Rua?
Tocar para pessoas que não conhecem o seu trabalho. Sem a preocupação com bilheteria, lista amiga, custos… Na rua todo mundo está na lista amiga e não paga nada para entrar.

Qual o impacto do fechamento/interdição de casas de shows e teatros no panorama da cena musical carioca?
Vedova - Foi terrível. As principais casas e teatro que foram fechados são os poucos e em alguns casos, os únicos espaços da cidade para artistas deste tamanho. Atualmente está muito difícil arrumar um lugar para tocar. Sou curador de alguns teatros do Rio e conheço o desespero dos artistas para encontrar espaços para fazer shows.


Ocupar o espaço público com iniciativas gratuitas é resolver uma parte da questão?
Sim, mas isto tem que ser uma política pública e não uma medida paliativa. A Rua tem que ser ocupada constantemente.

Teve gente achando que veria bandas que tocaram na última edição, como Letuce e Tono, por exemplo. Nesta edição, atrações como João Brasil e Wladimir Gasper vêm com uma pegada mais eletrônica, por exemplo. Falem um pouco sobre o line-up desta edição.
Vedova - Grande parte das bandas da primeira edição tocaram na segunda, alguns seguiram para terceira, que foi quando a gente conseguiu alguma estrutura. O Tono e o Letuce, por acaso não, mas são junto com o Rabotnik, crias do Binário que estiveram na primeira edição do Dia da Rua. A gente entende que se algumas pessoas sentem falta de alguns artistas é porque continuam fazendo – e bem - o seu trabalho, o que é uma alegria. Mas não queremos repetir o line up. A ideia do line up deste ano era trazer esta mescla de estilos e sonoridades. Temos artistas muito novos como o Rodrigo Cascardo, temos uma grande orquestra que é o Abayomy e seu afrobeat, sons mais eletrônicos como a Mahmundi e o Wladimir Gasper, a mistura e o mash up únicos do João Brasil, o suingue do Davi Moraes, o vôo solo do Botika, os cancioneiros Alice Caymmi, André Carvalho e Momo, que possuem sons completamente diferentes entre si… tem para todos os gostos.

Vida de artista não é fácil. Como esta nova safra de bandas e artistas conseguem um espacinho neste meio musical tão disputado?

Vedova - É o conceito "Faça você mesmo". Não adianta ficar esperando o anjo da guarda chegar. O artista tem que ser a sua agência de conteúdo, a sua gravadora e ter um grande trabalho online. Ter uma rede social (ou algumas) bem usada é meio caminho andado. Mas não é fácil e não é todo mundo que tem talento e saco para ficar nos facebooks da vida...

O que a galera pode esperar da edição deste ano do Dia da Rua?
Novidade e diversidade musical. Esta edição foi uma luta, a gente suou a camisa para que o Dia da Rua não perdesse a sua cara. E isto a gente conseguiu, ele segue daquele mesmo jeitinho: livre, aberto e cheio de energia boa! É só chegar!

Escrito por Amanda Scarparo
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