Time Out Rio de Janeiro

Afrobeat Abayomy Orquestra

Nascida para a comemoração do “Fela Day”, a primeira orquestra de afrobeat do Brasil cresceu e apareceu. Por isso, a Time Out Rio conversou com o guitarrista Gustavo Benjão, para conhecer um pouco mais sobre este som que vem dando o que falar.

Ô abre alas porque o Afrobeat Abayomy Orquestra pede passagem para abrir os caminhos. É que a primeira orquestra de afrobeat brasileira recém lançou seu disco (com o mesmo nome da banda) e seu primeiríssimo vídeo clipe também acabou de sair do forno. O grupo apresenta em seus shows uma mistura harmônica de jazz, funk, a tradição iorubá e, é claro, o groove do afrobeat. Uma mescla que deu tão certo que está ganhando palcos pelo Brasil. O que é compreensível, principalmente quando a maior inspiração da orquestra se trata do mestre nigeriano Fela Kuti. Daí, o resultado não podia ser diferente: Um som classe alta.

Abayomy significa em Iorubá “encontro feliz”, nome perfeito para esta orquestra formada por 13 talentosos músicos. Estes são: Monica Avila (Sax Alto), Fábio Lima (Sax Tenor), Thiago Queiroz (Sax Barítono), Leandro Joaquim (Trompete), Marco Serragrande (Trombone), Donatinho (Teclados),Gustavo Benjão (Guitarra), Victor Gottardi (Guitarra), Pedro Dantas (Baixo), Alexandre Garnizé(Percussão), Cláudio Fantinato (Percussão), Rodrigo La Rosa (Percussão), Thomas Harres (Bateria).

Superstição ou não, o grupo usa e abusa do misticismo do “candomblé”. Alguns destaques são as músicas “Eru” e “Abatala”, que possuem um som bem regional, onde o grupo foi buscar inspiração numa conexão direta Brasil-África, viva nos “terreiros de macumba”. O resultado? Dificilmente seus ouvintes conseguem ficar parados. Os corpos ganham vida própria respondendo aos estímulos musicais destes ritmos marcantes, lotando lugares como Teatro Rival e Circo voador.  Os próximos shows na cidade acontecem na festa THE Groov e no Dia da Rua, ainda sem data. 

A Time Out conversou com o Gustavo Benjão para conhecer um pouco mais sobre a banda. Check it out!

Como surgiu a banda e como é ser a primeira Orquestra de Afrobeat brasileira?
A banda surgiu pra tocarmos exclusivamente músicas do Fela Kuti no fela Day de 2009. A partir desse encontro, que foi sensacional, decidimos levar a banda pra frente e começamos então a criar repertório próprio. O fato de ser o primeiro não é vaidade alguma, não damos tanta bola pra isso... Mas achamos que de alguma forma ajudamos a fomentar a cena de afrobeat do Brasil, que só faz crescer.

Vocês em algum momento sentiram falta de uma banda de afrobeat no Brasil?
Não. Fazemos o que fazemos, pois curtimos... Não sentíamos a necessidade de fazer parte de uma cena ou se encaixar num determinado nicho. Mas o fato é que algum tempo depois surgiu o Bixiga 70, que mesmo não sendo afrobeat apenas, chegou levantando a mesma bandeira que a gente... Então os momentos de solidão foram poucos... Hehehehe

O Abayomy tem uma ligação direta com o Fela Kuti. Como foi tocar com o guitarrista que o acompanhava, Oghene Kologboele?
Kologbo é um gênio e um dos pilares fundamentais do salto conceitual que foi o trabalho do Fela Kuti. Junto com Tony Allen, ele foi um dos responsáveis pela criação do que chamamos de Afrobeat hoje em dia. Ele tem uma musicalidade incrível e é extremamente generoso no processo criativo... Fizemos algumas músicas com ele e foi um aprendizado pra todos.

Como surgiu o contato com o Lemi Ghariokw, o cara que fez as artes dos discos do Fela e que agora também fez a do Abayomy?
Entramos em contato com o Lemi pelo Facebook. O Thiago Queiroz, sax barítono da banda, que fez o contato e o cara foi super receptivo. Na verdade, a capa é do Larry Isimah, um discípulo do Lemi. O Lemi nos apresentou o trabalho do Larry e nós achamos bacana ter um cara novo na parada. O Lemi acabou fazendo o poster, que vem dentro do encarte.

O afrobeat tem inspiração nos ritmos nagô. No entanto, o som do Abayomy têm uma ligação direta com os batuques e músicas de terreiros de candomblé. De onde vem e como é isso?
Ué... Vem daqui mesmo, da nossa riqueza cultural, da mistura de ritmos, do sincretismo religioso. A música que fazemos tem como raiz o afrobeat, com algumas características primordiais de instrumentação e arranjo, mas somos nascidos aqui no Brasil e a carga musical que carregamos é completamente diferente de qualquer outro lugar, então usar e se apropriar de elementos, tanto da música quanto da religião, no caso o Candomblé é a nossa realidade e o que podemos fazer de forma natural e orgânica.

Quais são as "outras" inspirações da banda?
Tudo pode ser processado e recriado na música. Nós tentamos cada vez mais enriquecer e processar as nossas influências e a partir disso criar um Afrobeat tipicamente Brasileiro. Tudo cabe nessa mistura e é justamente isso que é o "pulo do gato" que queremos sempre dar.

Vocês consideram o Abayomy uma banda conscientizada culturalmente e sonoramente?
Acho que sim... Procuramos abordar sempre temas de maneira crítica e ter um discurso alinhado com que consideramos coerente com a música que fazemos, mas somos uma banda de 13 pessoas distintas, cada um com suas opiniões e particularidades... Então se um trabalho árduo achar um senso comum e a partir disso organizar ações e projetos que tenham de fato alguma relevância pra social e culturalmente.

Os shows estão cada vez mais cheios. Vocês imaginam o porque este crescente público está cada vez mais diversificado?
Em parte acho que isso se deve a uma atenção cada vez maior que as pessoas, principalmente os jovens , estão tendo com ritmos africanos em geral, que são a raiz de boa parte da música brasileira, assim como há um interesse em trabalhos que de alguma forma saiam do lugar comum. Acho que existe uma necessidade geral de aproximação de trabalhos que tenham algum significado mais profundo e real, pois o jovem, principalmente no Rio, se cansou um pouco de esperar que as coisas cheguem a eles e no fim das contas receber um monte de lixo imposto pela indústria do entretenimento... O interesse e o acesso às novidades melhoraram e com isso a comunicação também. Outro fato é que o nosso show é extremamente dançante e animado, e esse mesmo jovem quer diversão também né... enfim...algumas coisas estão conspirando a nosso favor e isso é ótimo. Pois o que mais queremos é divertir e passar uma mensagem bacana pra essas pessoas, não necessariamente nessa ordem.

Quem vocês gostariam de convidar pra tocar com vocês?
Um nome que sempre falamos que seria maravilhoso é o Gilberto Gil!

O primeiro disco foi gravado ao vivo em 4 noites. Como foi a produção do disco?
Já tínhamos feitos uma bateria de ensaios e tocávamos essas músicas há algum tempo. Isso facilitou o trabalho em muito. Abujamra chegou dando aquela polida com um olhar clínico especial e foi fundamental pro processo também. Foram 4 dias de muito trabalho e muita diversão tb. Gravamos ao vivo e apenas alguns solos e as vozes foram feitas depois.

Existe algum lugar que vocês “sonham” em fazer um show?
No The Shrine, casa de shows do Fela.
 

Escrito por Nice Jourdan
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