Time Out Rio de Janeiro

Simplesmente Mallu

Conheça um pouco mais sobre esta cantora que volta aos palcos do Circo Voador depois do sucesso de sua apresentação no MoLA. Confira a entrevista que ela deu para a Time Out! 

Mallu é uma menina mulher que cresceu e apareceu. Agora mais ainda por assim dizer, já que desde que começou sua carreira, com apenas 16 anos de idade, conquistou a todos com seu jeito tímido e desengonçado, enquanto ainda cantava canções como "Tchubaruba" e “Get to denmark”. Três álbuns depois, a moça sem perder a sua essência amadureceu o estilo. Suas canções antes inspiradas em ídolos da música folk, como Bob Dylan, ganharam um tom mais abrasileirado, com direito até a “Sambinha Bom”. Assim, o álbum “Pitanga” surpreendeu a todos mostrando não mais uma menina, e sim uma mulher, madura, decidida, encontrada em sua música e ainda por cima esbanjando uma voz doce e sensual.

Produzido por ninguém menos que o nova-iorquino Victor Rice, um produtor musical com bandas como The Slackers, Easy Star All Stars e NewYork Ska Jazz Ensemble no currículo, e o marido, o ex-integrante do Los Hermanos, Marcelo Camelo, o disco arrancou aplausos e criticas positivas por todo o país.

A cantora volta aos palcos da lona voadora no dia 24 de maio, para uma apresentação única com a abertura mais que especial da banda Acabou La Tequila, sucesso nos anos 90. Confira a entrevista que ela deu para a Time Out! 

 

Mallu, logo cedo você produziu quatro músicas e jogou na rede (MySpace). Você tinha noção do que estava fazendo?
Não… Nunca tive intenção ou sonho de ser cantora ou famosa. Até hoje costumo agir natural e instintivamente. Aos 15 anos, juntei um desejo de gravar (por um puro prazer) com o incentivo de um grande amigo meu.

Quando descobriu que queria cantar?
Recentemente, quando percebi que preciso de uma missão, uma coisa na qual me agarrar e dedicar minha vida…

No começo da sua carreira você cantava mais em inglês e isso foi diminuindo ao longo do lançamento dos seus três discos. Essa mudança tem haver com a maturidade? Seja de gostos, influências ou experiências?
Penso que minhas influências e temas conheceram novas possibilidades, talvez impulsionadas pelas minhas experiências, pelo tempo, pelas coisas que foram acontecendo… Além disso, minha própria técnica e prática com a música como linguagem e suas ferramentas tem se desenvolvido, me deixando forte e a vontade para produzir música no idioma que vier à cabeça.

Quem produziu o disco “Pitanga” foi Marcelo Camelo e o Victor Rice. Como foi trabalhar com o Victor?
Sempre estranho a reação dos outros. Dessa vez não foi diferente. Para não correr o risco de me decepcionar ou assustar, procuro estabelecer meus próprios sucessos. Um deles foi trabalhar com pessoas tão queridas, dispostas, profissionais e eficientes. Sou fã do Victor Rice e foi um privilégio contar com sua sonoridade nesse meu projeto.

Li numa entrevista que você disse “Dá vontade de colocar nos créditos: ‘Marcelo e Malu: Não se sabe o quê’. Porque é difícil distinguir o que cada um fez”. Como é trabalhar com o seu marido?
Parece que quando juntos somos um ser em equilíbrio a pulsar e trabalhar, ao contrário de sozinhos. Posso contar com tantas forças a meu favor numa só figura. Tenho o apoio pessoal, emotivo, profissional, prático...

Você tinha 47 músicas prontas para o Pitanga. Dê onde saiu tanta criatividade e como conseguiu “escolher” apenas doze faixas desse número?
Muitas dessas eram "rabichos", rascunhos, ou mesmo músicas sem cara de "canção", sem tanta força ainda. Há composições que ficam alí, esperando que eu visite novamente aquele sentimento para trazer mais elementos e finalizá-la, as vezes aos poucos, as vezes de uma só vez. Essas encontros com estados de espírito são experimentados naturalmente, no dia a dia, desde movimentos prazerosos como cozinhar e comer, andar de bicicleta, namorar, até traumas e frustrações.

Como o “acaso” interfere na sua música?
Estou aberta e atenta aos movimentos ao meu redor, o acaso é meu amigo. Eu sorrio pra ele e sinto-me sortuda quando descubro algum lindo acaso escondido nas tarefas e tempo. Sentir um prazer, deslumbrar-se com uma revoada ou com alguma figura estranha na rua causa reações em mim e sinto vontade de fazer música.

No começo da sua carreira era visível a influência de Bob Dylan. E agora, o que mais te influência?
Acho que o jazz americano antigo, a música clássica e a música popular brasileira. Além disso, acho que minha paixão por reggae , dub e rock acabam trazendo a marginalidade para a mistura de referências.

Você ficou amiga de Tom Zé e participou do último trabalho “Tropicália Lixo Lógico”. Como começou essa relação e como é trabalhar com um dos grandes gênios da música brasileira?
Foi através do meu amigo Marcus Preto que cheguei ao Tom Zé. Eles estavam próximos e o Marcus falou de mim. Soube que ele reagiu com vibração e interesse ao meu nome e me chamou para cantar com ele, com o disco ainda em fase de pré-produção e finalização das composições. Começamos então a dividir ideias, músicas e bons momentos.

Acabou La Tequila é uma banda que já tem estrada desde muito antes de você pensar em começar na música. Como conheceu e porque é uma das bandas que você tem como “ídolo”?
Foi o Marcelo que me mostrou o Acabou La Tequila. Fiquei chocada e fui procurando mais a respeito. Gosto dessa tão genuína união do rock com as melodias de caminhos docemente tristes, e também dos timbres, do cheiro de praia, das cores e do vigor.

Existe alguém que você gostaria muito de trabalhar?
Gosto de trabalhar de uma maneira geral. É difícil determinar um ou outro artista. Acho que gostaria muito de trabalhar com o Domingos de Oliveira, seria um presente, ou com o Jorge Ben, imagina!?

E a sua relação com a moda? Dê onde ela surgiu?
Não sei muito bem… quando menina usava a moda como recurso de rebeldia, de expressão. Vestia-me como menino, rasgava e riscava os tecidos, queria ser o Mogli ou algo parecido, e não uma boneca, ou uma diva. Continuei assim por dentro e acho que reagindo às minhas angústias, procurando o que me faltava, passei por muitas fases. Muitas delas já diante da mídia, o que gera certa repercussão. Aliado ao meu interesse pela costura, trazido da casa das minhas avós, eu tenho esse desejo de produzir. Acho que foi isso que me levou, aos poucos a assistir desfiles, aceitar convites, produzir estampas e campanhas.

Além de música e moda, o que mais rola no universo de Mallu?
Tenho em mim um interesse, uma fome de conteúdo, de maravilhas, de manifestações de vida. Isso me leva a estudar assuntos como Japonês, jardinagem, gastronomia, animais luminosos do fundo do oceano, encadernação, bordado…

Você mudou não tem muito tempo para o Rio. Quais são seus programas preferidos como moradora da cidade maravilhosa?
Tenho o costume de correr e aproveito muito a cidade. Não só as ciclovias e praias, mas também os bosques, condomínios e bairros tranquilos. Aproveito a tradição de sucos naturais e mate gelado. Sou muito caseira e saio mais com finalidades práticas (sempre atenta aos acasos e pequenos prazeres) e meu prazer com a cidade é diário, no ar, nas vistas, no som, no cheiro, nas pessoas, na luz do sol, na noite quente...

O que Mallu anda escutando ultimamente?
Escuto muito Dr. John, Bob Marley, Stan Kenton, Cole Porter, HeitorVillaLobos, Satie, Luiz Bonfá, Henri Mancini, Bessie Smith...

Algum projeto em vista?
Pretendo finalizar essa turnê e fechar para balanço. Preciso me recompor, estar sem nada, parar, para que eu possa existir e construir um novo retrato dessa existência. Acredito que ao final do ano eu já esteja próxima de gravar um novo álbum.

Escrito por Nice Jourdan
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