Time Out Rio de Janeiro

5 minutos com Larissa Luz

Conheça a menina dos olhos que vem enfeitiçando a cidade maravilhosa com seu tempero baiano 

Dona de um estilo único, um sorriso encantador e um vozeirão de enfeitiçar qualquer um, Larissa Luz é uma baiana arretada que possivelmente vai dar muito que falar por aí. É que a moça vem crescendo e aparecendo no Rio. Seu som é marcado por uma forte influência afro. Descendência nagô ou não, Larissa é de Salvador e isso diz muito sobre ela. Seu show apresenta uma mistura performática na qual a linguagem corporal possui a mesma importância que o som. “Dança, movimento, música negra e transformação” é como a própria a moça descreve seu trabalho. Por isso, não basta ouvir o disco, é preciso ver a cantora em ação!

A carreira de Larissa desenrolou desde cedo, sempre apaixonada pela música começou numa banda de rock aos 15 anos de idade. Mas, os ventos mudaram quando Larissa foi convidada para assumir a banda de percussão afro, o Ara Ketu, um dos grupos com mais visibilidade na Bahia. Assim, ela cresceu e apareceu e dividiu palco com grandes nomes da música brasileira como Daniela Mercury, Carlinhos Brown, Sandra de Sá, entre outros. Um marco neste período foi puxar o trio elétrico durante o carnaval de Salvador para um público de 60 mil pessoas. Agora, moradora do Rio há mais ou menos um ano, Larissa decidiu inovar a carreira solo. Seu primeiro álbum, “MunDança”, é marcado por um encontro de Soul-Bahia-Jamaica, uma mistura de percussão orgânica com batidas eletrônicas. Destaque paras as músicas “Jambo Moça” e “ Descontrole”. Um som que flui, marcado por um groove sensual e leve. Para ouvir é só acessar o soundclound (https://soundcloud.com/larissa-luz).

No Rio, a cantora é figurinha fácil em festas como a ‘The Groov’, onde sempre dá uma palhinha, e shows do cantor Otto, na qual a parceria vem chamando a atenção e agradando o público. No dia dia 2 de agosto é a vez de Otto dar uma palhinha no show de Larissa no Largo Tereza Batista, no Pelourinho (em Salvador - BA), às 22h. Mas, para quem quiser conhecer a moça, ela se apresenta hoje, dia 24 de julho no Studio RJ.

 

Confira a entrevista da Larissa Luz para a Time Out!

 

Larissa, sua carreira e a sua história se confundem. Como foi esse começo em Salvador?
Comecei ainda na adolescência. Tive uma banda de rock só de meninas aos 15 anos depois entrei pra uma Cia de Dança Chamada Interart, onde eu cantava, dançava e atuava, daí não parei! Cantei em navios de cruzeiro, em barzinhos, em grupos folclóricos... Consegui comprar meu som e eu mesmo levava o som, montava, tocava e cantava nas festas... Até ser convidada a fazer o teste para o Ara Ketu!

Você acha que a cena musical de Salvador é diferente do Rio e do Brasil?
Acredito que cada lugar tem a sua cultura, suas limitações, suas vantagens... Cada cena com a sua particularidade apesar das coisas em comum.

A sua música é totalmente marcada por uma batida/percussão afro. De onde e como começou essa ligação?
Minha ligação com a música afro é histórica, é de alma. Sempre tive afinidade com o swing percussivo e os timbres dos tambores. A cultura africana é muito presente na Bahia. A diáspora deixou pra nós um legado que ficou enraizado e então faz parte de mim. Sempre me reconheci enquanto mulher negra e isso ia refletindo na minha música.

Com apenas 20 anos você foi convidada a liderar o Ara Ketu, uma das bandas da Bahia com mais visibilidade no Brasil. Como surgiu esse convite e como foi essa experiência?
Eles queriam um homem e uma mulher. Um amigo foi fazer o teste e pediram pra indicar uma mulher negra que dançasse e cantasse bem. Fiz vários testes sem nem saber que era para o Ara Ketu e então a notícia de que Tatau estava saindo e que eu tinha sido escolhida pra assumir a liderança da banda! Topei pelo desafio! Por ser o Ara Ketu que tem uma história incrível de conquista e inovação dentro da música negra. Adquiri uma boa experiência de palco, e me sinto bem melhor na arte da comunicação com o público! Cheguei a encarar 60 mil pessoas e foi demais!! Pude dividir o palco com grandes artistas e aprendi muito sobre gestão de carreira. Por conta de isso tudo que vivi no Ara, hoje me sinto um tanto mais preparada.

Existe diferença entre cantar num palco e em cima de um trio elétrico?
O trio é o palco em movimento. A cada pedacinho de tempo vai mudando o público. É bem diferente. Tem sua magia!

Já passou Carnaval no Rio ou você é aquela baiana que corre pra terrinha durante o carnaval? Se passou, gostou?
Ainda não passei carnaval no Rio! Mas quero muito conhecer!

Você já cantou ao lado de grandes nomes da música brasileira como Carlinhos Brown, Daniela Mercury, Sandra de Sá. Para uma artista em ascensão é um grande começo. Como foi cantar ao lado deles, ficou nervosa?
Foi incrível!!! Fiquei muito feliz de poder estar trocando com uma galera de peso com muito conteúdo musical que faz história e contribui para nossa formação artística.

Há quanto tempo você mudou pro Rio e porque escolheu esta cidade?
Vai fazer um ano que estou no Rio. Queria experimentar novos ares, outras pessoas, outras possibilidades de propagar a minha música.. Expandir o seu alcance... Gosto do clima do Rio de Janeiro, de poder estar em contato com a natureza e ao mesmo tempo com a coisa cosmopolita que a cidade oferece.

Ano passado você lançou o seu primeiro disco, MunDança. Como foi o processo criativo, musical e de produção do disco?
O disco foi produzido no Rio e na Bahia. Ainda estava morando lá quando começamos. Vim no Rio nas férias pós carnaval pra começar no estúdio Casa do Mato com o produtor Eduardo Andrade e ai fomos traçando cronogramas. Eduardo ia pra salvador com todo o sistema pra gravar com músicos de lá. Levantamos umas pré-produções mas criávamos muito do arranjo enquanto estávamos gravando, Eu e Pedro Itan íamos dirigindo as ideias e a coisa foi tomando forma! Depois chamamos Robson Nonato e Dj Deeplick para finalizar as produções das bases e mixar lá em São Paulo.

O que significa a “Música negra do mundo promovendo a dança para provocar a mudança”?
Quis fazer um projeto que juntasse dança, movimento, música negra e transformação. Tudo que é inerente a minha personalidade e ao momento que vivo. Daí saiu o neologismo: MunDança e a definição : música negra do mundo promovendo a dança para provocar a mudança.

Nos seus shows, a dança parece que faz parte do seu repertório não como se fosse algo a mais, mas sim como parte do show, tão importante como a própria música. Isso tem haver com seu estilo ou personalidade?
Tem muito. Sempre fui fissurada na linguagem corporal. Me atrai. Gosto de falar com os movimentos e acho bonito de vê. Consigo enxergar na dança um caminho para a libertação, bem estar e forma de comunicação.

Você andou fazendo umas participações nos shows do Otto e agora ele vai cantar com você também em Salvador. Como começou essa parceria?
Conheci Otto no Circo Voador numa The Groov em que íamos participar e foi mágico!! Rolou uma química muito boa, começamos a fazer som no camarim, e a energia fluiu!! Já era fã do trabalho dele fiquei ainda mais quando vi a pessoa incrível que ele é. Na sequência ele me chamou pra fazer com ele o show Condom Black no Vidigal e depois uma participação no show que fez no Circo . Agora minha vez de fazer as honras da casa e levar ele pra comer um Abará e curtir minha Bahia no show do dia 2 de agosto. Estamos bolando várias coisas juntos! Vai rolar!

Existe alguma referência musical que ajudou na formação da cantora Larissa Luz?
Zap Mama, Erikah Badu, Nina Simone, Ilê Ayê...

O que você anda escutando ultimamente?
Flávia Coelho, The Skints, Ticklah, Keziah Jones..

Existe algum lugar que você sonha em tocar?
Na África.

Na cidade, qual é seu programa favorito?
Curto muito a vida noturna da cidade. Quando sobra um tempinho um passeio de bike no aterro no fim da tarde é massa.

Algum projeto em vista?
Um bocado. Rs, Tudo sendo amadurecido e trabalhado pra chegar chegando!!

Escrito por Nice Jourdan
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