Time Out Rio de Janeiro

Leo Justi

Confira a entrevista com uma das atrações do Dia da Rua, o produtor e precursor do movimento Heavy Baile

Dizem que o branco mais preto que o Brasil já teve foi Vinicius de Moraes. O poetinha capitava a alma do povo brasileiro e a transforma em música, levando os ritmos e a poesia das senzalas aos salões mais nobres do país. A Bossa Nova ganhou fama no mundo ao apresentar o ritmo das favelas, juntando o samba à sincope do jazz. O estilo era único... mas, como manda a evolução: desde então tudo mudou.

A expressão através da música é algo natural num país quente feito o Brasil. Nas comunidades do Rio, a evolução musical aconteceu espontaneamente: sensualidade, sexualidade, política e muito senso de humor, tudo isso representa o funk carioca. Respondendo aos estímulos sociais, o estilo passou a reinar, muito além das comunidades. O baile funk desceu a ladeira e foi brilhar no asfalto. 

É aí que surge o produtor musical e DJ, Leo Justi. Com apenas 27 anos e uma bagagem que não é pra qualquer um, ele é um dos representantes ativos quando o assunto é música no Rio. Além de emplacar hits como Gaitero (2012) – música que mistura jazz, blues, gaita, funk, e que ganhou um vídeo clipe com dois garotos que arrasam na dança do passinho; ele também produziu um dos remix da música ‘Bad Girl’, da cantora britânica M.I.A – a faixa ganhou três versões que foram parar num pen drive de ouro com pouquíssimas edições e uma, no caso, foi clicada no pescoço da musa Beyoncé. Levando o funk carioca ao mainstream internacional.

Agora, uma das últimas novidades do produtor é o sucesso do movimento Heavy Baile. Mas afinal, o que seria isso? 

Pessoas suadas e pirando na pista de dança, essa é mais ou menos a cena que vem a cabeça quando se fala desse tal de Heavy Baile. Uma mistura de dancehall com as batidas pesadas do funk e outros experimentos eletrônicos. Se o Heavy Baile é moda ou não, ainda não sabemos. No entanto, já é uma verdade que está dando muito que falar. Tanto é que o artista foi convidado para ser uma das atrações do Dia da Rua 2014, que acontece no dia 18 de maio. (Clique aqui para saber mais do evento)

Uma coisa é certa, Leo e Vinicius tem algo em comum além da aparência quase de gringo. O ouvido apurado e de formação erudita – o produtor começou a estudar música clássica ainda criança, no entanto caiu no gosto popular, preferindo buscar as batidas mais quentes nas perifêrias da cidade. Leo Justi vai atrás das tendências, sempre tentando inovar no som, transformando seus remixes em reações corporais que respondem aos famosos "batidões".  

O músico já fez parceria com alguns nomes de peso, como Emicida, MC Guime, MC Zulu, Savage Skulls, Diplo, e também foi o artista convidado para abrir o show da Missy Eliott no festival Black2Black. 

Confira a entrevista que ele deu pra Time Out Rio 


O que é o Heavy Baile?
Primeiramente o conceito musical que utiliza muito do funk carioca numa linguagem mais club, com produção mais refinada. 

Como começou seu interesse pelo funk e estes ritmos "quentes"?
Sempre curti beats de rap e quando criança os sucessos do funk dos anos 90, mas me afastei do funk por influencia rockeira de um vizinho que me disse que aquela musica era porcaria, e eu acreditei rs. Mas foi a partir de 2004 - quando comecei a sair e beber - que a atmosfera do HipHop e danceall me cativou mesmo, na pista, e me fez ter vontade de produzir naquela vibe. Em 2005 meu amigo Cadu Confort me apresentou varias perolas do momento do funk, nas festinhas do colégio, e acabei cada vez mais interessado, reatei com o Funk, digamos.

Vc produziu a M.I.A. Como surgiu esse convite?
Mandei um tweet pra ela (pro twitter do selo que ela tinha criado na época, N.E.E.T.) e pra minha surpresa ela me mandou uma Direct Message no twitter dizendo que queria trabalhar comigo. Começamos a trocar emails e ela acabou me levando pra Índia por uma semana.

Como foi trabalhar com ela?
Foi desafiador. Um aprendizado importante.

Porque vc acha que as pessoas ficam intrigadas ou simplesmente "afim" do Heavy Baile?
Porque o nome é foda rs. Como "Batidão", "Furacão 2000" ou "Tornado Nervoso", acho que carrega o poder do funk no nome, com uma palavra em ingles que indica um caminho novo sendo explorado. Ou é, em menor escala, porque associam com meu nome e como tem uma galera que me associa com algo mais indie devem imaginar algo selvagem porém sofisticado, o que é uma mistura atraente acho.

Vi que uma vez alguém falou mal do Heavy Baile em alguma mídia. O que o H.B tem haver com o baile funk?
Muito pouco. Esse DJ que falou mal viajou brabo falando algo sobre o HVY BL atrapalhar o funk... 99% do universo funkeiro nunca ouviu o termo Heavy Baile. Mas espero aproximar o HVY BL do universo funkeiro cada vez mais, e é algo que esta acontecendo. Porém sempre pra somar, nunca subtrair.

O que você escuta nas horas vagas e recomenda?
Escuto pouca música, mas poderia listar: Jazz (Duke Ellington, Chet Baker, Frank Sinatra), rocks da adolescência as vezes, Deftones, Smashing Pumpkins, MPB velha tipo João Gilberto, Tom Jobim... sou pouco atualizado, não escuto nada novo. El Efecto e César Lacerda daqui do Rio são nomes fodas, também a Mahmundi tem uma musicalidade que muito me agrada.

Além do Heavy Baile, quais são os outros trabalhos/projetos que vc tem agora?
Produzi umas faixas do Apollo, um artista novo aqui do Rio, tenho colaboração com a Mahmundi também pra sair esse ano, e tenho varias faixas Heavy Baileiras no forno - como estou assinado com a Waxploitation todo o tramite é mais lento, não é como musico independente que sobe a musica no soundcloud e pronto...

Quais foram os outros artistas estrangeiros que vc trabalhou além da M.I.A?
Mc Zulu através de um projeto do The Bumps, da inglaterra, fiz um remix pro Savage Skulls que teve repercussão legal... Sou meio bizarramente horrível de memória, mas esses são 2 que lembro, rs.

Quais são as baladas do Rio que vc indica?
Wobble, Heavy Baile, Manie Dansante, 7 Day Weekend... São as principais que lembro agora!
 

Escrito por Nice Jourdan
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