Time Out Rio de Janeiro

Crítica: Radiohead

Contemporaneidade que aguça os ouvidos a cada batida

A esta altura, o Radiohead está mais familiarizado com o enxágue do que o inventor da máquina de lavar roupas, mas seu último trabalho é um projeto robusto (são dois discos) e extenso (19 faixas), mesmo para os padrões da banda. Neste álbum, dez músicas de The King of Limbs são remixadas por vários produtores eletrônicos que fazem a cabeça de Jonny Greenwood e companhia. Esse LP de 12” reúne todas as faixas retrabalhadas que foram lançadas no meio do ano, com um intervalo de 15 dias entre cada uma.

“Eu estava realmente curioso para ver como as pessoas que eu estava escutando tanto ultimamente usariam o material que nós demos a elas”, explicou Thom Yorke. “Eu queria ver como as músicas poderiam realmente se desvirtuar e sofrer mutações”.

E elas certamente mudaram. Algumas para um nível extremo e monstruosamente excitante, tão distorcidas que mal se pode discerni-las das originais. Comparar cada remix com suas matrizes é bobagem; todas são criações frescas e que se sustentam sozinhas – mesmo que, vez ou outra, o DNA da banda possa ser detectado –, e exalam uma contemporaneidade que aguça os ouvidos a cada batida. Dado o talento envolvido, isso não é nenhuma surpresa – o Radiohead dificilmente chamaria alguém como Calvin Harris para um projeto.

De maneira geral, as faixas mais afiadas e espertas estão separadas daquelas mais calmas e relaxantes, de modo que poderíamos classificar um disco como diurno, e o outro como noturno. Isto significa transitar pela música eletrônica avantgarde de produtores como Mark Pritchard (cuja maravilhosa versão para “Bloom” é um dos pontos altos do álbum) e Four Tet, passando por artistas de gutterhouse/pós-dubstep como Blawan (sua “Bloom” distópica é matadora) e Anstam, que preparou uma versão de “Separator” que exalta os arroubos vocais de Yorke através de uma intensa crepitação sinfônica. Um respeitoso trabalho, tanto do Radiohead, por sua criatividade sempre elástica, quanto de todos os remixadores, por suas sagazes aventuranças. Que eles continuem fazendo suas admiráveis gambiarras.

Escrito por Time Out Rio de Janeiro editors
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