Time Out Rio de Janeiro

Caio Tattoo

A tatuagem nunca foi mais popular no Rio como hoje. Um homem estava lá no início do fenômeno e fala com Time Out Rio sobre a forma de arte e seu lugar na cultura de praia da cidade.

O logo de um dos estúdio de tatuagem mais tradicionais da cidade é um marinheiro de um olho só, com os braços cruzados e músculos salientes. Não é um logotipo para os fracos, mas uma vez criada a coragem para passar pela porta, qualquer um que esteja em cima do muro certamente se sentirá instigado a participar daquele mundo. É quase um alívio conhecer o homem, com dois olhos, por detrás daquilo tudo.

Caio tattoo é uma instituição, que tem pintado braços, pernas e todo os lugar que você pode imaginar, durante quarenta anos. "Comecei com apenas uma agulha, trabalhando manualmente, sem qualquer tipo de máquina", diz ele mostrando uma tatuagem no seu bíceps, que apesar de borrada, tem seu encanto "É assim que este foi feito", ele sorri.

Um homem de cabelos grisalhos, com olhos profundos e físico atlético. É difícil definir a idade de Caio. Seu olhar inquieto da juventude e energia parecem negar os anos do estúdio sinalizado na entrada: "Desde 1977". Seu verdadeiro nome é um mistério.

"Quando comecei, as tatuagens eram apenas para marinheiros, prostitutas e bandidos", explica Caio ", que tinha uma má reputação na época". Agora, Caio tem clientes de todo o tipo. "Recebo médicos, advogados, atletas...todo mundo quer uma tatuagem".

O aumento das tatuagens no Rio é realmente um fenômeno que tem crescido muito. Há 10 anos atrás, as tatuagens levantavam olhares suspeitos e consequentemente emitiam uma mensagem forte sobre o tipo de pessoa que você era. Não mais! Hoje há pessoas tatuadas por toda a cidade, que é um dos aspectos mais marcantes para o visitante de fora que vem pela primeira vez (somado ao fato de que ninguém está usando quase nenhuma roupa).

Caio confirma que os dois estão intimamente ligados. Quanto menos roupa, mais tatuagem."Foi importante que este estúdio começasse na galeria de surf. Esta área tem sido sempre um "hang-out" para os surfistas e eles desempenharam um papel importante na disseminação de tatuagens para o grande público".

Como surfistas apresentam sua arte no corpo em movimento sob as ondas, as tatuagens de sua pele começaram a chamar a atenção. E assim as tatuagens se espalharam pela cidade de um lado da areia para o outro, seguindo da cultura do surf para a cultura de praia. Para uma cidade que vê a praia como um modo de vida, a tatuagem como forma de arte floresceu.

"As tatuagens são uma forma de se destacar da multidão quando você conta apenas com o seu corpo", diz Caio. "Com um pouco mais de roupa, elas são uma expressão de seu gosto e personalidade. Como resultado, bem como roupas, moda tatuagem está se tornando desenhos exclusivos e peças de arte".

"Quando as tatuagens começaram a se tornar populares, você entrava num estúdio e lá tinha alguns quadros na parede ou algumas pastas em cima da mesa. Você poderia apontar e dizer que queria uma daquelas. Não havia qualquer escolha. Agora quase todas as tatuagens que faço são originais, desenhos exclusivos que eu faço sob encomenda. Eu tenho um álbum, mas ninguém sequer o abre ".

Essa mudança combina com Caio. Seu estúdio é mais como uma galeria de arte do que um estúdio de tatuagem. Desenhos emoldurados de art tattoo pendurados nas paredes, em grande parte feitas por ele. O maior quadro, no entanto, é uma imagem de Filip Leu, o famoso tatuador francês, tatuando as costas de uma menina deitada nua. O olhar de Leu se perde no seu amor pelo seu trabalho.

"Elegante e de bom gosto, uma relação interligada entre o corpo e da arte" é a frase escrita a lápis pelo próprio Caio sobre a essência das tatuagens.
Em uma cidade onde o corpo é sagrado, não é nenhuma surpresa que a sua visão ressoe, e ele faça um grande sucesso. Só não se assuste pelo marinheiro enlouquecido no logotipo.
 

Escrito por Stephen Eisenhammer
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