Time Out Rio de Janeiro

Nuvem em duas rodas

Esporte, diversão e música boa em duas rodas

Imagina sair com os seus amigos para um passeio de bike com direito a trilha sonora, ir agregando cada vez mais pessoas pelo caminho, até que todo mundo para em um lugar totalmente inusitado e começa a fazer uma festa?

Carnaval? Que nada, essa é a proposta da Nuvem, projeto criado pelos amigos, festeiros e cicloativistas Ícaro Santos, Bruno Queiroz e André Amaral que está tomando conta das ruas da cidade.

Misturando cicloativismo e muita animação, os rapazes bolaram um sistema de som e iluminação adaptado à bicicletas e promovem incríveis passeios sobre duas rodas que terminam com uma grande festa celebrada em alguma área pública.

Pelo menos uma vez por mês o evento toma conta das ruas do Rio de Janeiro, e o trajeto dos passeios pode ser acompanhado ao vivo pelo Twitter e Facebook, sendo possível se unir ao grupo a qualquer momento do percurso.

Conversamos com Ícaro Santos, um dos idealizadores do projeto, sobre esse movimento que caiu do céu:


De onde veio a inspiração para misturar passeios de bicicleta com festas e ocupação de espaços públicos?

Surgiu de uma necessidade e de um desejo de ocupar a cidade, criando outra opção, mais livre, para as pessoas poderem dançar e se divertir fora dos clubes. Na rua todo mundo se mistura, o rico com o pobre, o hipster com o hippie, e na rua também temos a liberdade de tocar o que gostamos sem estarmos exatamente presos à questão de fazer o clube bombar. Essa mistura tem levado mais de 300 pessoas, a cada edição, a se divertir a valer.
Somos muito festivos, mas também somos muito politizados. Desse jeito conseguimos "fazer política" de uma forma mais hedonista, sem ser chato. Estamos fazendo nossa reivindicação sem gritar palavras de protesto, mas dando alegria e mostrando que é possível reagir ao Estado sem ser um militante rancoroso.


Como que vocês escolhem os lugares que serão ocupados pela Nuvem?

Eles são definidos de forma afetiva. Circulamos muito pela cidade e acabamos conhecendo lugares pouco usados – como o Mirante do Pasmado e o deque do Aterro do Flamengo. Também levamos em consideração o fato de que não pode haver moradias por perto para que o barulho não atrapalhe o sono de ninguém. E claro, tem que ser um lugar onde seja possível andar de bicicleta. Até agora fomos muito felizes nessa seleção, já que muitos participantes não faziam idéia da existência desses oásis tropicais.


E qual é o objetivo do projeto?

Queremos reivindicar nosso direito de usar os espaços públicos da cidade e ajudar a propagação do uso de bicicletas. Queremos ciclovias que sirvam para o uso diário e não só para o lazer. A melhor forma de reivindicar esse espaço é criando uma demanda maior. Também queremos criar uma área livre para troca de experiências.


Como têm sido os eventos que rolaram até agora?

Têm sido maravilhosos. É sempre uma grande surpresa, nós planejamos o básico e o inusitado acontece. Como somos muito abertos, os participantes pegam o evento para si. Por exemplo, na última edição um policial mal intencionado veio pedir propina e perguntou de quem era o evento. "O evento é de todos nós, fale com todo mundo", foi a resposta de um participante. O policial colocou o rabo entre as pernas e saiu de fininho.
Temos criado uma espécie de economia alternativa. Chamamos parceiros que vendem suas próprias guloseimas (rolinhos vegetarianos tailandeses e sacolés de combinações inusitadas). Temos também nossos ambulantes guerreiros que chegam sempre com uma cerveja mais barata e mais gelada, assim geramos renda para nossos parceiros. É um sistema de gentileza mútua.
Além disso, nosso sistema de som e luz tem melhorado a cada edição. Agora temos um transmissor de rádio que permite que cada participante seja um amplificador de som, basta chegar com seu rádio FM e sintonizar na estação pré-determinada. Como o sinal não é de longo alcance, não interferimos na rede "oficial", fica tudo entre nós.

Qual é o tipo de público que frequenta a Nuvem?

É o mais variado possível. Vão os cicloativistas que frequentam as “bicicletadas”, vão os clubbers que se amarram no som, vão pais que querem apresentar uma viagem mais lúdica aos filhos (sim, sempre temos pequenos entre nós). De uma forma geral, vão pessoas que estão abertas a uma nova experiência, que participam de forma ativa e querem outra opção de vida.

A nuvem é um projeto participativo de Ícaro Santos, Bruno Queiroz, André Amaral, Cinco Eusébio, Fox Gourlart, Marina Alice e Quito. Cada um tem uma especialidade: eletrônica avançada, design, produção audiovisual, comunicação em rede e um alto grau de conhecimento sobre bicicletas. É um grupo multidisciplinar.

Para saber mais, acesse http://nuvem.fm

ou www.facebook.com/nuvemmovel

Escrito por Carol Luck
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