Time Out Rio de Janeiro

As estátuas mais pop da cidade

Elas servem de recordações históricas, homenagens a grandes nomes e pontos de encontro. Conheça os dez monumentos mais conhecidos da cidade  

O Rio é repleto de atrações turísticas. São museus, parques, praias e montanhas que encantam os visitantes. Porém, andando pelas ruas da cidade é possível encontrar outros monumentos - não os naturais. São centenas de estátuas de personalidades históricas, nacionais e internacionais, músicos, escritores, poetas, jornalistas e jogadores de futebol.

Alguns monumentos passam despercebidos pelo olhar mais desatento. Outros, no entanto, são bem famosos, chamam a atenção, viram atrações, piadas prontas e assunto para os cariocas.

A Time Out Rio listou as dez estátuas mais pop do Rio de Janeiro para que você conheça as histórias por trás daquilo que você passa em frente todos os dias! Antes tarde do que nunca!

Cristo Redentor 

Não é preciso explicar por qual motivo a estátua está na lista. Se o papa é pop, o Cristo Redentor seria o quê? Mesmo quem não é cristão quer (e deve) visitar a estátua, que foi eleita uma das sete maravilhas do mundo moderno, em 2007. Esculpida pelo francês Paul Landowski, o monumento é o cartão postal mais conhecido da Cidade Maravilhosa, com seus 38m de altura, em estilo Art Déco e a 709m do nível do mar, no topo do Corcovado.

A inauguração aconteceu em 12 de outubro de 1931, mas a ideia de construir um monumento religioso no local é bem mais antiga. Em 1859, O padre Pedro Maria Boss ficou tão impressionado com a montanha que sugeriu à Princesa Isabel a construção. No entanto, apenas em 1921, por conta do centenário da Independência do Brasil é que o projeto para construção do Cristo Redentor começou a sair do papel. Mas a estátua poderia ter se juntado a outro cartão postal da cidade, no cume do Pão de Açúcar. O morro de Santo de Antônio também concorria. Mas a escolha do Corcovado foi certa.

Chegando aos 80 anos, o Cristo Redentor é um grande símbolo do Rio e já foi citada em dezenas de músicas de artistas como Chico Buarque, Gilberto Gil e Cazuza, entre outros tantos. No cinema, o Cristo estampou o pôster do longa “2012“. E em 1980, recebeu a visita do Papa João Paulo II.

Dorival Caymmi 

Um dos expoentes da música brasileira tem que estar em nossa lista, apesar de merecer uma homenagem ainda maior. A estátua fincada próxima a uma colônia de pescadores, em Copacabana, é de gosto duvidoso. Ao amanhecer ou anoitecer, a sombra da escultura de bronze, com todo seu volume em 1,80m de altura, 300kg e o braço erguido, pode assustar a um desavisado que passar pela região.

A escultura é de autoria do artista Otto Dumovich e inspirada em uma foto do famoso fotojornalista Evandro Teixeira. A obra foi inaugurada em 11 de dezembro de 2008 e sua localização não é mera coincidência. A obra de Caymmi girava, principalmente, em torno do mar e das histórias dos pescadores baianos, como em canções como “É Doce Morrer no Mar“, “Pescaria“ e “História de Pescadores“.

Caymmi já havia sido homenageado com o nome de uma pequena rua no Leblon. Na inauguração, a estátua recebeu até um beijinho do então prefeito César Maia.

Carlos Drummond de Andrade

O poeta é pop. Muito pop. A estátua de Drummond é a mais interativa. Já virou ponto turístico da Praia de Copacabana. Não há visitante que resista à tentação de sentar ao lado da escultura, abraçá-la e tirar uma foto. Alguns até resolvem dar um singelo beijo na careca do poeta ou, mais agressivos, dar um tapa ou peteleco.

De poeta, Drummond passou a conselheiro. Muita gente senta ao lado dele para conversar e bater aquele papo. O poeta já recebeu até a inusitada visita de uma vaca! É isso mesmo! Durante a Cow Parade, em 2007, umas das vaquinhas, chamada de Vaca do Drummond, foi colocada ao lado do poeta, lendo um livro.

A estátua em bronze, de Léo Santana, é inspirada em uma fotografia de Rogério Reis, de 1982. A escultura foi inaugurada em homenagem ao centenário de nascimento do poeta, em 2002. Infelizmente, Carlos Drummond não desperta apenas carinho. Alguns vândalos gostaram da ideia de furtar os óculos da estátua. Foram tantos os casos de roubo que uma câmera de vigilância está posicionada diretamente para estátua, para evitar novos furtos.

Bellini

A estátua do Bellini é uma das mais populares da cidade e conhecida por dez em cada dez torcedores de futebol cariocas. Afinal, ela é encravada em frente à entrada principal do Maracanã. A história da escultura também é uma das mais deliciosas e, por estes dois motivos, ela não poderia ficar de fora da lista.

Na verdade, a imagem estampada há décadas na frente do Maior do Mundo não é a do capitão do Brasil na Copa do Mundo de 1958. Quem olhar com calma vai perceber que se trata do rosto do cantor Francisco Alves, morto em 1952. A escultura foi criada em 1962 por Matheus Fernandes, a mando do empresário Abraão Medina.

O proprietário da rede de lojas O Rei da Voz, no entanto, solicitou ao artista a imagem do cantor repetindo o gesto imortalizado por Bellini e ordenou que a escultura fosse instalada na frente do estádio do Maracanã. A confusão estava feita. E continua assim até os dias atuais, o que pode ser considerado uma ofensa ao capitão brasileiro, dono de um porte físico e beleza bem mais apreciáveis que a magra escultura.

A “Estátua do Bellini“ virou um ícone para os torcedores de Flamengo, Botafogo, Vasco e Fluminense, que adotaram a imagem como se fosse do jogador e a transformaram em um ponto de encontro antes dos jogos. É muito comum um amigo dizer ao outro: “nos encontramos no Bellini“.

Manequinho

A estátua de um menino urinando é símbolo da torcida do Botafogo. Acho que a descrição já é suficiente para explicar a presença dela na nossa lista. A estátua foi instalada, inicialmente, na Praça Floriano Peixoto, em 1908. O escândalo causado levou à transferência da obra para a Praia de Botafogo, na região conhecida como Mourisco. Ao contrário do que alguns imaginam, a estátua não é uma réplica do Manneken Pis, situado em Bruxelas. Mas é bem parecida.

O monumento, de cerca de 1m de altura, se tornou símbolo da torcida do clube, em 1957, quando, após a conquista do Campeonato Carioca, a estátua amanheceu vestida com a camisa do time. Reza a lenda que foi o pagamento de uma promessa feita pelo craque Didi. O Manequinho acabou sendo roubado em 1990. Uma nova escultura foi colocada no local e transferida para a frente da sede do Botafogo, na Avenida Venceslau Brás.

Chacrinha

Com sua tradicional indumentária, com gravata borboleta, cartola, buzina pendurada no pescoço e um bacalhau na mão esquerda, o Velho Guerreiro tem que estar entre as estátuas mais pop. É a mais nova na nossa “coleção“ e foi inaugurada em novembro de 2010, em homenagem a um dos mais populares comunicadores da história da televisão brasileira, Aberlado Barbosa. A escultura de bronze do artista mede 1,90m e está localizada na Rua General Garzón, próxima ao antigo Teatro Fênix, no qual Chacrinha comandava seu programa de variedades. 

Noel Rosa

Alguém que, em apenas 26 anos de vida, deixou uma obra tão vasta e de tanta qualidade a ponto de ser colocado no hall de compositores mais importantes da música brasileira merecia uma homenagem. E a estátua dele está por aqui porque é uma das mais legais e criativas. A obra de Joás Pereira dos Passos, inaugurada em 1996, no início do Boulevard Vinte e Oito de Setembro, em Vila Isabel, retrata uma cena trivial, assim como a obra do compositor. O Poeta da Vila aparece sentado na mesa do boteco com cigarro entre os dedos, uma garrafa de cerveja e uma folha de papel com a letra do clássico “Conversa de Botequim“. O detalhe interessante é que o garçom que serve Noel Rosa possui as feições do pai do músico. Os visitantes menos tímidos se sentam na cadeira à frente de Noel.

Estátua da Liberdade

Não, não se trata da polêmica réplica postada na frente do New York City Center, na Barra da Tijuca. A Time Out Rio foi buscar coisa melhor. Distante do luxo, glamour, consumismo e excentricidades dos emergentes, uma outra Estátua da Liberdade sobrevive em terras cariocas. Na Praça Miami, no bairro pobre da Vila Kennedy, está localizada uma outra escultura. E não é réplica! A Estátua da Liberdade da Vila Kennedy é original! A escultura foi uma das três utilizadas pelo francês Frederic Augusto Bartholdi como modelo para a Estátua da Liberdade de Nova York. Reza a lenda que o então embaixador norte-americano no Brasil doou a obra, em 1960. A estátua permaneceu guardada até 1964, quando foi inaugurada na Vila Kennedy, após ordem do então prefeito da cidade, Carlos Lacerda.

Michael Jackson

Se Jackson era o Rei do Pop, a estátua do cantor não poderia ficar de fora de nossa lista. Inaugurada em 26 de junho de 2010, exatamente um ano após a morte do rei do pop, está situada no morro Santa Marta, em Botafogo, local em que o cantor gravou parte do clipe da música “They Don't Care About Us“, em 1996. A escultura é uma criação em bronze do artista Estevan Biandani, que retrata Michael Jackson com a camisa do Olodum, com a qual gravou o vídeo no morro.

Corneteiro de Pirajá 

Quem passa pela movimentada Avenida Visconde de Pirajá, na esquina com a rua Garcia D`Ávila, é surpreendido por uma estátua em bronze, de 1,70m de altura, de um corneteiro usando seu instrumento com se fosse uma fuzil. O militar retratado na obra do cartunista Ique é Luiz Lopes, que se tornou um heroi brasileiro por acaso. A história dele é fantástica! Durante a Batalha do Pirajá, pela independência da Bahia, em 1822, o militar deveria usar sua corneta para soar o "toque de retirada“ das tropas, que estavam em menor número. No entanto, Luiz Lopes, por engano ou convicção, tocou “avançar degolando“. A atitude assustou os portugueses, que imaginaram que um reforço militar estava a caminho, e recuaram. O resultado: vencemos a guerra. A estátua em Ipanema é alvo de muita polêmica. Grupos a favor e contra o Corneteiro brigam pela retirada ou permanência da escultura no local.

Escrito por Bruno Uchôa
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