Time Out Rio de Janeiro

Atrações fantasmas

Locais históricos passam despercebidos no vai e vem do cotidiano da cidade 

Atrações não faltam no Rio de Janeiro e muitas delas com fácil acesso. No entanto, alguns locais têm grande visibilidade e boa localização, mas nem por isso são visitados. É um mistério.

O Centro da cidade e proximidades são repletos dessas “atrações fantasmas“. São aqueles museus, igrejas e lugares históricos que a gente passa todo dia e pensa: “um dia vou dar uma visitada“. Mas acaba nunca visitando. Ou, pior que isso: passa, mas nem percebe que é um lugar histórico.

Pensando nisso, a Time Out Rio listou cinco locais pelos quais milhares de pessoas passam diariamente, mas pouquíssimas conhecem.

Castelinho do Flamengo

Quem passa pela Praia do Flamengo vê incontáveis prédios em estilo Art Déco. Porém, de repente uma construção diferente chama atenção de quem observa a paisagem. O Castelinho do Flamengo está lá, com sua arquitetura eclética e gosto duvidoso, do italiano Gino Copede, misturando uma torre gótica com elementos barrocos e neoclássicos. O local funciona como centro de cultura, mas ainda atrai poucos visitantes. No passado, já abrigou grandes festas da sociedade carioca, mas também já foi moradia para mendigos.

Construído em 1918 a mando do empreendedor português Joaquim Silva Cardoso, o local foi palco de muito glamour e festas de arrombas, mas também de muitas confusões e abandono. Quando o então proprietário senador Mendonça Martins morreu, em 1964, começou o ocaso do Castelinho. Com o inventário interminável e a morte da única herdeira que morava na cidade, Regina Mendonça Martins, o imóvel ficou abandonado e se tornou moradia para mendigos e moradores de rua, assustando a vizinhança. A partir daí, ficou conhecido também como Castelinho das Bruxas.

Após anos de abandono, o Castelinho foi restaurado e abriu as portas em 1993 com o nome de Centro Cultural Oduvaldo Vianna Filho, em homenagem ao dramaturgo morto em 1974 e responsável pela criação do seriado “A Grande Família“. A partir de 2009, o espaço se tornou centro municipal de referência em fotografia com salas para cursos e oficinas, além de galerias de exposições.

Serviço:
Endereço: Praia do Flamengo, 158 - Flamengo
Telefones: (21) 2205 0276 e 2205 0655
Horário: Ter-Sáb., 10h-20h; Dom. 10h-18h
Entrada Franca

Igreja da Nossa Senhora do Monte Carmo

Bem próxima ao Paço Imperial e à Praça XV, em meio ao burburinho do Centro da cidade e o vai e vem de milhares de pessoas entre idas e vindas do trabalho, está a Igreja da Nossa Senhora do Monte Carmo. O ponto exato é a esquina das ruas Sete de Setembro e 1º de Março.

O prédio é histórico e ficou abandonado por muito tempo, até ser restaurado e reinaugurado, em 2008, devido ao bicentenário da chegada da Família Real portuguesa. Hoje, a Igreja está aberta para visitas, concertos e tem uma apresentação de som e luz contando a história do local. No entanto, poucas pessoas conhecem o local.

O templo foi construído pelo mestre Manuel Alves Setúbal e inaugurado em 1770. Mas se tornou muito importante após a chegada da Família Real, em 1808. A Corte ocupou o então Paço dos Vice-Reis (atual Paço Imperial) e o Convento do Carmo. A proximidade levou o imperador Dom João VI a promover o templo a Capela Real e Catedral. Desta forma, a Igreja passou a abrigar as solenidades religiosas da realeza. Lá, Dom Pedro I, em 1822, e Dom Pedro II, em 1841, com apenas 15 anos, foram sagrados imperadores. O templo abrigou também o casamento de Dom Pedro com Leopoldina da Áustria, em 1817.

A igreja foi, durante décadas, a Catedral Metropolitana da cidade, após a Proclamação da República. A cerimônia pelo Quarto Centenário da Descoberta do Brasil foi realizada lá. Porém, em 1976, o templo perdeu o título de Catedral Metropolitana, se tornando Paróquia de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé.

Serviço:
Endereço: Rua Sete de Setembro, 14 - Centro
Visitas: Ter-Sex., 13h30; Sáb. e feriados, 12h-13h; Dom., 12h30-13h
Ingressos: R$8 (R$4, meia-entrada)
Missas: Seg-Sex., 8h; Dom. 11h
Telefone: (21) 2242 7766

Memorial Getúlio Vargas

Este é o integrante mais novo da nossa lista. Quem passa pela Praça Luís de Camões, na Glória, não tem como não perceber um enorme busto do antigo presidente do Brasil Getúlio Vargas, conhecido também como Pai dos Pobres, e o espelho d'água. Mas, apesar disso, o local continua vazio. Talvez pelo fato de o memorial ficar localizado no subsolo, as pessoas sequer saibam que ele existe. Além disso, a região não é de grande circulação, o que dificulta o acesso das pessoas. A escultura foi criada pelo artista Joás Pereira dos Passos. O “cabeção“ pesa cerca de três toneladas e fica sobre uma base na qual está reproduzida a carta-testamento que “Doutor Getúlio“ escreveu antes de se suicidar com um tiro no próprio peito. O Memorial possui um acervo composto por objetos doados por sua família, amigos e instituições. Entre os objetos estão muitos e muitos cartões retratando Getúlio, o que dá uma amostra do esforço de propaganda que o presidente fazia. Há também arquivos em multimídia como vídeos históricos do político em inaugurações e distribuindo donativos aos pobres.

Serviço:
Endereço: Praça Luís de Camões, s/n - Glória
Telefones.: (21) 2557 9444 / 2245 7577

Ilha Fiscal

A Ilha Fiscal é um dos símbolos do fim do período Imperial no Brasil. O prédio abrigou o “Último Baile do Império“, dias antes da Proclamação da República, e continua famoso até hoje por isso. O local é mais um que milhares de pessoas veem diariamente, mas a maioria nunca esteve. Quem passa pela Praça XV, seja de carro, moto, caminhão ou ônibus não tem como não ver aquele castelinho em estilo neogótico, perdido no meio da Baía de Guanabara. O prédio viveu pouco do Império, já que foi inaugurado meses antes do regime se desfazer.

O castelinho, construído para ser uma posto alfandegário, já funcionou como todo tipo de coisa. De Repartição de Faróis, a Repartição Hidrográfica, até Diretoria de Navegação. Atualmente, a Ilha Fiscal abriga um Museu da Marinha. São três exposições permanentes: A História da Ilha Fiscal, A Contribuição Social da Marinha e A Contribuição Científica da Marinha.

Serviço:
Endereço: Avenida Alfredo Agache s/n , próximo à Praça XV - Centro
Visitas: Qui-Dom. De abril a agosto: 12h30, 14h e 15h30; de setembro a março: 13h, 14h30 e 16h (o embarque começa 15min. antes do horário da saída da embarcação)
Venda de ingressos: 11h-16h
Entrada: R$10 adultos; R$5 estudantes, crianças até 12 anos e adultos com mais de 60 anos

Museu Carmem Miranda

O Museu Carmem Miranda foi aberto em 1976 em homenagem à cantora e atriz. A "Pequena Notável" foi uma das responsáveis pela divulgação da música brasileira nos Estados Unidos. O pavilhão, construído no Parque do Flamengo em frente ao Morro da Viúva, é muito visto, mas pouco visitado. E com motivo. O museu parece meio largado e mal cuidado. No entanto, dias melhores estão à vista. Com a construção do novo e moderníssimo Museu da Imagem e do Som na Praia de Copacabana, o Museu Carmem Miranda ganhará nova casa. A coleção do atual museu abriga cópias e cartazes de filmes e shows, caricaturas e fotografias. Há ainda um acervo com três mil peças, entre roupas sociais, objetos de cena, colares e as conhecidas plataformas.

Serviço:
Local: Parque Brigadeiro Eduardo Gomes (em frente ao nº 560 da Av. Rui Barbosa) - Flamengo
Tel: (21) 2334 4293
Visitas orientadas para grupos com marcação prévia
Entrada Franca

Escrito por Bruno Uchôa
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