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 Cheias de estilo e paixão pela música, elas trocaram a pista de dança pela cabine de DJ

Até no trabalho, elas são fiéis ao lema “girls just wanna have fun“. Foi neste clima que as DJs Flavia Xexéo e Paula Morais vestiram a camisa do Hip Hop, e Nana Torres e Marie Bouret se jogaram nas pistas do eletrônico. Nomes certos nos line ups cariocas, a trupe tem estilos diferentes, mas trajetórias em comum: frequentavam eventos da sua respectiva cena, tinham bom conhecimento musical, contatos no meio e estilo. Foi assim que elas trocaram o dancefloor pelos CDJs e agora mantem os pés no palco e o público nas mãos. Num bate papo mulherzinha, elas contam como venceram o clichê “mais um rostinho bonito“ e abrem o jogo sobre carreira, visual, música e assédio.

A veterana Flavia Xexeo, 29 anos, frequentava as festas de Hip Hop desde os quinze. Com conhecimento musical, sua case começou a ser requisitada e, em 2003, foi chamada para tocar no aniversário de uma amiga. Da brincadeira para o profissionalismo foi um pulo – ela namorava um DJ e conhecia muito produtores, o que ajudou a conquistar know-how e agenda. 

“Tive que me aprofundar nas técnicas e investir no visual. Ter estilo no som e na aparência é um diferencial. Carisma também é importante, a gente tem que estar brilhando ali em cima. Tem produtores que contratam mulher por ser gatinha, mas sei que sou boa no que faço“, revela Flavia, que toca em festas de adolescentes, boates e até na abertura de shows de astros como Ja Rule.

Foi num desses eventos que a goiana Paula Morais, 26 anos, viu Flávia tocando, com quem viria a dividir o line up tempos depois.

“Eu era promoter e sempre era a última a sair da pista. Alguns amigos me incentivaram a tocar, mas eu acha que não tinha coordenação motora“, brinca Paula. “Minha estreia foi em 2010, na The Week, com o Stevie B tocando na pista principal, imagina!? Quase tive um infarto. Mas depois entrei no clima e não queria mais sair lá de cima“. E nos palcos ela permanece há três anos.

A DJ Nana Torres, que vai do Deep House ao Techno, também é dessas. “Antes de tocar, fico tremendo de nervoso. Mas depois que aperto o play, tem que me tirar de lá“. Frequentadora das (extintas) raves e dos clubs undergrounds como o Fosfobox, onde tocou informalmente numa noite e logo pegou gosto pela coisa, ela conta que no início não foi fácil.

“Meu pai é músico, mas ele achava que DJ não era profissão, que eu ia me acabar na noite, morrer de fome... mas agora até a minha avó colocou um poster meu no quarto e mostra pra todo mundo“, conta Nana, que viaja quase toda semana para clubs ao redor do Brasil e tocou no Universo Paralello, festival de música eletrônica de sete dias, na Bahia. “É o auge, indescritível“. De olho na evolução, ela ensaia suas primeiras batidas como produtora de música, para dar um upgrade na carreira.

Direto de Cuiabá, Marie Bouret, 33, é um típico caso de que a necessidade fez a DJ. Ela veio para o Rio aos 20 anos, época em que estudava para fazer concurso de Direito. “Meu pai me deu um ultimato: ou arrumava um trabalho ou voltava pra minha cidade. Como  fazia uns bicos como hostess e meu irmão tinha um CDJ em casa, comecei a tocar House“, relembra a DJ, que já tocou em países como Índia, Portugal, Rússia, Estados Unidos e Paraguai.

Com o novo ofício, Clara teve que desenvolver outras habilidades, como aprimorar seus dotes com a maquiagem. Para as apresentações, as “DJéias“ também capricham no figurino: presença no palco é importante.

“Dependendo do meu astral ou do lugar , coloco um salto, capricho mais na maquiagem ou vou de tênis mesmo“, conta Paula.

Beleza é fundamental, mas não põe a mesa

No quesito aparência, há consenso: o poder e a beleza feminina ajudam na hora de fechar gigs. As mulheres conquistam tanto os produtores, de olho no público que elas atraem, quanto os frequentadores da noite. Para driblar o preconceito e os apreciadores mais saidinhos, tem que ter jogo de cintura.

“Mulher tem mais apelo, presença“, diz Flavia, que namora o DJ Saci, do crew Eletrobase. “Sempre rola de receber bilhetinhos, cantadas escritas em guardanapo. Mas os homens respeitam mais que as mulheres. Tem umas que invadem a cabine e agarram mesmo“.

“As meninas não perdoam. Teve uma que apertou minha bunda, começou a puxar meu vestido enquanto eu tocava. Tive que pedir pro segurança da boate tirá-la de lá“, diverte-se Nana.

Mas para barrar a concorrência, o repertório e a técnica são imprescindíveis.

“Ao contrário da cena Hip Hop, onde predominam os homens, no House a concorrência é maior. Tem muita mulher entrando no mercado, mas poucas tocam realmente bem. Elas contam com a beleza e a tecnologia, isso acaba facilitando. Pensam que é dinheiro fácil, mas o dia a dia mostra que não é bem assim“, conclui Marie..

“Eu não toco som mulherzinha, pra descer até o chão. As músicas que eu toco, geralmente, são os homens que gostam mais“, diz Paula, adepta do rap nacional e da black music.

“Um cara já falou pra mim que eu tocava feito homem. Como assim!?“, ri Marie.

Apesar de dominarem gêneros distintos, quaisquer semelhanças nas carreiras, não são meras coincidências. São estilosas e talentosas - roubam a cena mesmo. E estão sempre nos line ups das festas mais perto de você.

Para curtir, acompanhar a agenda e ouvir o som:
Flavia Xexéo: Site, Facebook
Marie Bouret: Facebook, SoundCloud 
Nana Torres: Facebook, SoundCloud
Paula Morais: Facebook

*Agradecimentos ao Z.Bra Hostel
 

Escrito por Bruna Velon
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