Time Out Rio de Janeiro

Bootie Rio

 Tudo junto e misturado na festa que nasceu para ser pop

O que Michael Jackson, Calypso, Madonna, Xuxa, Lady Gaga e Valeska Popuzada tem em comum? Nada, além de serem super pops. Cada um tem seu universo musical e estilos pra lá de excêntricos mas, na Bootie Rio, eles têm alguma coisa em comum. A festa é a embaixadora dos mashups no Brasil, termo que pode ser traduzido como uma mistura dançante - a base sonora do Caetano Veloso com o vocal do 20 Fingers feat. Gillette (daquela música “don`t wanna a short dick man“), por exemplo. Sim, tudo ao mesmo tempo agora. E é essa ousadia e irreverência que vai fazer todo mundo bombar na pista da Fosfobox no próximo dia 5, quando o pioneiro Lucio K fará sua apresentação, criando ao vivo uma antropofagia musical.

A fórmula da festa são os mashups, que acontecem quando um produtor usa duas ou mais faixas para criar uma nova música – mas tem gente que usa até 19 hits diferentes. Aliás, esta parece ser a única regra: deve ser feito com hits, para que o público possa brincar e ir identificando quem é quem: Beyonce ou É o Tchan?

“Todo mundo que conhece mashups, conhece a marca Bootie. No começo, a gente achava que não ia agradar, achávamos que só a gente curtia. Mas descobrimos que não estamos sozinhos, pelo contrário“, comemora o produtor Fabiano Moreira, que este ano celebra dois anos de festa lançando edições em São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre.

A brincadeira chegou em terras tupiniquins quando um amigo de Fabiano, que morava em São Francisco (EUA), vivia falando sobre a Bootie. A festa nasceu lá, em 2003, e hoje já conta com edições em mais de 19 cidades, em cinco continentes. E o Rio não poderia ficar de fora: foi a primeira abaixo da linha do Equador, lançada em 2010, com edições mensais.

“Os DJs convencionais odeiam, falam mal. Eles acham que, como o material não é original, é criado, que goza-se com o trabalho dos outros. Existe uma implicância, mas a gente nem liga!”, diverte-se Fabiano.

Além do formato, houve críticas também por parte das edições temáticas, como se isso esvaziasse ainda mais as músicas criadas. “Hoje, esse lance dos temas foi tão copiado que a gente até deu um tempo“, conta ele.

Entre as histórias, está a versão Star Wars Cai no Samba, com um amigo fantasiado de Stormtrooper distribuindo máscaras do personagem maquiado como Kiss, Lady Gaga e David Bowie, acompanhado de duas mulatas da Mangueira. Já na edição Kleptones, os ladrões da música, em uma auto-sátira, tinham três “policiais“ dando dura na galera.

“A gente fazia mugshots das pessoas e projetava nas paredes da Fosfo. Também rolava de algemar as pessoas nas grades da boate. Tinha fila para a tal cadeia“, relembra o produtor.

E o sucesso não se deu apenas com os notívagos: muitos DJs quiseram entrar na brincadeira. A Bootie tornou-se um selo de qualidade do gênero e o crew carioca recebe produções de todo o Brasil, diariamente.

“Tem muito mashup ruim por aí. Talvez os DJs profissionais não curtam porque tem muita porcaria. Mas também tem muita coisa genial. Sem dúvida, estamos fomentando a cena no Brasil com nossos mixtapes e vídeoclipes. Alguns tem mais de 250 mil acessos”, finaliza Fabiano.

Para conhecer o clã de DJs e produtores da Bootie Rio, acesse:
André Paste
André Pipipi 
Billy The Kid
Brutal Redneck 
Faroff 
Folkatrua VJs 
João Brasil
Mashmya$$
Schlaepfer
 

Escrito por Bruna Velon
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