Time Out Rio de Janeiro

Xarpi

A festa que está renovando a cena do rap carioca.

Na cultura de rua, o estilo é livre e o espaço democrático. Foi com esse conceito que nasceu a Xarpi, festa mensal que em 2012 comemora um ano na cena do rap carioca. A proposta é valorizar a prata da casa mas também agregar artistas de diversas pistas do país, como Criolo, Flora Matos, Mano Brown (Racionais MCs) e Emicida, que canta dia 14, no Circo Voador. Shows, DJs e um Mestre de Cerimônias (MC) fazem parte da fórmula que lota todas as edições, sempre itinerantes. Com batidas, rimas e improvisos o evento está fazendo todo mundo jogar a mão pra cima. E num universo predominantemente masculino, as produtoras Kel Pastore e Julia Monassa estão mandando ver. Confira a entrevista.

Como surgiu a ideia de criar a Xarpi?
Kel Pastore: Começou em 2010, quando fiz uma festa de aniversário e chamei vários amigos do rap para cantar e toda a galera da "arte de rua", que sempre fiz parte. Frequentava todas os eventos do gênero que aconteciam na cidade e nessa época notei que a cena estava bem devagar. Público eu sabia que tinha, mas as festas só rolavam às vezes e quando rolava não tinha muita novidade. Então, o sucesso da festinha que rolou em um sobrado na Lapa foi só um incentivo para eu começar a fazer evento de rap de verdade. Trazer os melhores Mc's de fora do Rio era um desejo antigo que só precisou desse empurrão. A idéia foi fazer tudo aquilo que faltava, com qualidade.

Há uma falta de festas de hip hop/rap underground no Rio?
Kel: Não mais, agora é o que mais tem. O rap teve um boom muito grande, a cidade vem abraçando cada vez mais. Já faz um tempo que não passa uma semana sem festas por aqui. Tem fim de semana que o povo tem que escolher entre umas 4.

Como está a cena musical na cidade?
Kel: Está melhor no momento em que passa a atingir muito mais gente. Muitos talentos vêm surgindo e não há nada melhor que o reconhecimento. O rap não precisa ficar preso no gueto ou em festas pequenas. Tem que derrubar barreiras mesmo e invadir todos aqueles lugares que antes não sonhavam em apresentar o rap.

E no Brasil, como está esse cenário?
Kel: Tá lindo, tá dominando cada vez mais. Finalmente, os MC's enxergaram que precisam crescer e utilizar de todos os meios para isso. O rap tá com uma cara nova, muito mais agradável. Música militante é ótima, mas de amor também. Hoje em dia, temos um leque muito maior de opções para escolher o que queremos ouvir. Não é todo dia que a gente quer ouvir falar de sofrimento, também queremos outros assuntos, como coisas do cotidiano ou sobre sentimentos. Não é à toa que a mídia vem abrindo espaço cada vez mais.

Quais artistas da atualidade do Rio e do Brasil você destaca?
Kel: Emicida foi o maior responsável por essa boa mudança na cena. Projota, Flora Matos, Rashid, Rael da Rima, Criolo, Cone Crew, Marechal, Black Alien e muitos outros também fazem acontecer.
 

Escrito por Bruna Velon
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