Time Out Rio de Janeiro

Coletivo Lamparina

 A festa que subiu a ladeira do Vidigal comemora seu aniversário ao som de hits imbatíveis e convidados especiais. Para dançar como se não houvesse amanhã

Sabe aquelas festas em que você se sente tão em casa que parece que é aniversário de alguém? Desta vez é a própria festa quem apaga a sua primeira velinha num clima de muito aconchego e afetividade. A Time Out Rio foi dar os parabéns e aproveitou para conversar com a galera que está por trás do Coletivo Lamparina.

Conta um pouco sobre a galera que está nos bastidores da Lamparina. Quem são?
Somos um coletivo formado por 4 artistas cariocas: André Luiz, Carolina Ivancevic, Mariana Quintão e Pierre Santos. Temos como principal formação o teatro e hoje atuamos também em cinema, TV, roteiro e produção. O Coletivo, é um braço da produtora Solos Coletivo, também formado pela gente. A maioria de nós atua há mais de dez anos na comunidade, promovendo eventos culturais no local mas foi só em 2011 que caímos sem querer na “boca do povo”. Nossa principal meta é através das celebrações e movimentos artísticos, ampliar e diversificar a oferta de cultura e entretenimento na comunidade. Nos bastidores da Lampa, toda a galera é da comunidade, amiga, parceira, fiel escudeira e a nossa ideia é que todos se profissionalizem cada vez mais em suas respectivas áreas ali, para crescermos juntos como uma equipe que tem um clima família.


 
Quem veio primeiro, o coletivo ou a festa? 
O coletivo surgiu primeiro, mas não formalizado. Somos um grupo de amigos que se conhece há mais de 10 anos e começou de fato a trabalhar juntos em 2006. Compartilhamos interesses, ideais artísticos e filosofia de vida. Nos admiramos e mantínhamos mil projetos juntos. Depois da festa decidimos "formalizar a união" e lançar a nossa produtora. Temos projetos de peça, programa de TV, intervenção urbana e eventos artísticos. Queríamos fazer uma festa para variar um pouco dos lugares que estávamos indo direto, mas não foi feita pensando em virar uma festa conhecida, era coisa só nossa mesmo. Aí reunimos os amigos, chamamos outros para brincarem de maestrar a pista e foi super legal. Aí resolvemos fazer de novo e a coisa cresceu, virou festa de amigo que chama os amigos, onde todo mundo é anfitriao e não tem DJS e sim amigos tocando como maestros de pista, o que na Lampa chamamos de MPS.

Como a comunidade recebeu vocês quando chegaram com a ideia de levar uma festa para lá? Por quê o Vidigal?

Na real, todos do coletivo são da comunidade. Pierre e Andre nasceram lá, Mari casou com Pierre e foi pra lá. Carol é a única que ainda não foi, mas está em vias tb de se mudar. Fizemos então festa nos arredores da convivência. Já estávamos cansados da mesmice das nights e locais que frequentavamos aqui pela Zona Sul , então pensamos em fazer a galera subir, aqui é lindo, tem cultura, é uma favela na zona sul, mole de chegar…tá na hora da galera frequentar. A comunidade foi super receptiva com a ideia e sempre estamos atentos em agregar todo mundo. Passamos por diversas casas até encontrarmos nosso local fixo, que hoje está sob nossa administraçao artistica.

Quem é o público que frequenta a Lamparina?

A Lampa é muito eclética e de fato o que acontece é bem isso: festa cheia de amigos. Todo mundo encontra seus amigos na festa e vira e mexe a gente escuta que tá parecendo aniversário, de tanta gente querida. Basicamente é um público zona sul em peso, gente que nunca tinha subido, gente que já era figurinha fácil, artistas, formadores de opinião, galera da música, moda, design. As galeras também variam conforme os MPS da noite, que chamam em peso sua própria galera, então sempre fica com muita gente misturada mas parecendo que são todas da mesma galera, como se todo mundo se conhecesse há milênios.




A festa está fazendo um ano hoje. O que mudou de lá pra cá?
Ficou maior mas sempre mantendo o clima do inicio. Mudamos de casa, reformamos, agora a cada edição colocamos um DJ convidado, além dos MPS e fomos também investindo cada vez mais no espaço. Acho que o que mudou foi a credibilidade que a festa ganhou e o próprio espaço, que foi sendo reestruturado. Aliás, vamos fazer um evento, o Reforma! com artistas plásticos, criando uma intervenção artística no local, que também fará parte das comemorações de um ano da Lampa.



Muita gente acha que vida de produção é sempre divertida, mas a gente sabe que nem sempre é assim....Qual é o maior perrengue em produzir festas no Rio?
Já passamos por cada uma...pepinos no bar no início, de montagem, estoque, gelo que atrasa, fora todos trâmites legais, negociação com UPP. Tem que ficar ligado em tudo o tempo todo. Uma vez acabou a luz no Vidigal faltando 5 minutos pra festa, foi o caos! Depois, por sorte, voltou. Produzir festa é muito gostoso, mas o trabalho é árduo, de divulgação, criação da identidade visual, a curadoria dos maestros de pista, que feita na pressa por exemplo, pode colocar mesmo tudo a perder. Agora, sinceramente, acho que o maior perrengue de produzir festa no Rio, hoje, é encontrar locais originais, desviar as pessoas dos lugares comuns, conseguir formatar novos espaços e “convencer” a galera a sair do senso comum.

Vocês conseguem se acabar na pista durante a festa?
Nem sempre, e pelas devidas funçoes, alguns de nós aproveitam mais do que os outros. Mas em algum momento todo mundo consegue dar sua esbaldada, até porque é tanto hit afetivo rolando que a gente se coça para dançar, fora que tb é tanto trabalho, que uma hora é necessário cair na pista, até mesmo para renovar a energia!


O que esta edição de 1 ano promete?
Emoção, celebração e catarse no mais alto grau! Misturamos o aniversário com amor. Teremos o set casal com a Julia Lobato e o Gala, set revival Lampa com uma dupla de amigos que já tocaram por lá nesse um ano e arrasaram : Remo Trajano e Lincoln Otoni e o DJ convidado Rodrigo Penna. A festa promete o clima mais colorido de todos, amigos na pista e hits muito afetivos, daqueles de chorar de emoção!


Quais foram os momentos top 3 de toda a trajetória ?

O primeiro que vem a cabeça é a virada da festa, quando caiu no boca-boca total e aí estavamos acostumados com um publico x, mas quando chegamos na porta tinha uma multidao ocupando a rua! Foi emocionante! Teve tambem uma Lamparina clássica, a primeira da Oficina do Jô, a pista era ainda na parte de cima, debaixo da copa das árvores, esse dia não tinha fim a festa, eram 7 horas da manhã e a galera colocou óculos escuros e a festa não acabava! Acho que foi até umas 9. O terceiro, acho que foi uma vez que um MP bombou de classicos, lançou um Dire Straits numa combinação sensacional com Touch me do The Doors e a pista pulava toda junta, como se fosse um show, como se todos fossem amigos de longa data. Foi arrebatador!


Qual o plano para daqui até o próximo aniversário?
O plano é investir cada vez mais na festa, dar um rolé fora do Vidigal com ela e fazer a nossa ocupação artistica no Jô, crescer com novos eventos voltados a promoção de cultural no local. A ideia engloba cineclubes, exposições, shows e muita Lamparina! Além disso, realizar outros projetos com o Solo Coletivo.

Escrito por Amanda Scarparo
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