Time Out Rio de Janeiro

Manie Gang

Descubra porque a Manie Dansante é considerada uma das festas mais originais da cidade. E, confira a entrevista que o DJ Vinicius Tesfon, um dos integrantes da Manie Gang, deu para a Time Out  

Festa estranha com gente esquisita? Muito pelo contrário! A Manie Dansante vem preenchendo o vazio de opções que paira sobre a noite carioca, representando uma alternativa inusitada para quem realmente gosta de sair da rotina. Talvez, seja pelo seu diferencial um tanto exótico, quando se trata de uma cidade sem muita coisa pra fazer... E, também pelas participações especiais, marcado por um público caracterizado a la anos 1920 ou enfeitados à base de muita purpurina. Por isso, a festa já pode ser considerada uma das pedidas mais legais em termos de noite no Rio. Primeiro, o som busca referência no passado, numa belle époque onde a boemia era muito mais intensa do que os dias de hoje, ou pelo menos parece ser no imaginário criativo de quem vos fala. A escolha do estilo musical como swing jazz dos anos 1920, 1930 e 1940, até parece uma pegadinha, e, a princípio, soa estranho para quem não está acostumado. Mas é garantido, no mínimo surpreende. Além do mais, a Manie ainda conta com alguns temperos extras, como apresentações de dançarinas burlescas, contorcionistas, malabaristas e o super aulão do grupo de dança Rio Hoppers, que particularmente dá um show.

A ideia de uma produção diferente surgiu da Manie Gang, formada pelos DJ’s Vinicius Tesfon, Andrei Yurievitch, Bruno Queiroz e Rodrigo Esper. Como os rapazes já eram dj’s, e tocavam juntos na Way Out, decidiram unir forças e criar algo bem particular. A primeira festa aconteceu no Comuna, o espaço que definitivamente era pequeno demais para eles. Agora, na quinta edição quase um ano depois, a Manie já conta com alguns fãs ativos, lotando as casas por onde passa. A próxima acontece dia 28 de setembro, no club La Paz, e traz uma novidade: A Manie Gang lança o primeiríssimo EP de remixes, “Retrobeat - Vol. 1”. Que você confere uma provinha no link a seguir: (https://soundclound.com/maniedansante)

Para aqueles que querem fugir da rotina e se divertir noite adentro, fica a dica!

E, para quem quiser conhecer mais sobre essa tal de Manie Gang, confira a entrevista que o DJ Vinicius Tesfon deu para a Time Out!

Como surgiu a ideia da festa e a escolha do nome Manie Dansante?
A ideia da festa surgiu quando o Rodrigo Esper tocou como convidado em uma festa que eu produzia, a Way Out, onde o Bruno e o Andrei eram DJs residentes. Ele fez um set de electro swing na festa e a reação da pista na época foi tão boa e as musicas tão divertidas, que eu fiquei impressionado e comecei a pesquisar sobre o som e como funcionava a dinâmica da cena internacional, passei um ano pesquisando e idealizando o projeto até que tomei coragem e chamei o Andrei e o Esper, logo depois o Bruno também animou com a ideia e a gente começou a formatar o projeto da forma que ele se apresenta hoje.

O nome veio depois de muitas horas de brainstorm, queríamos algo que passasse a proposta da festa de ter um apelo de som bem animado e voltado para a pista e ao mesmo tempo com algum requinte compatível com o ambiente do Jazz e do Swing, em nossas pesquisas encontramos um artigo sobre o fenômeno histórico, achamos que funcionava bem e adotamos ele. Inicialmente tivemos certo receio de usar um nome em francês, que pouco estavam familiarizados, mas no final o nome acabou contribuindo para a mística da festa.

Por que a escolha dos estilos Electro Swing, Swing, New Jazz e outros ritmos quentes?
Porque eles são alegres, divertidos, animam a pista, e os clássicos remixados alegram tanto os fãs do jazz quanto o publico que curte beats eletrônicos.

Desde a primeira edição a festa deu muito certo. Vocês imaginavam isso?
Esse projeto foi um grande tiro no escuro para gente, não encontramos registros de nenhuma festa com proposta semelhante na América Latina, não tínhamos ideia de como o público responderia, os produtores e as musicas não são tão difundidos, mas acreditávamos no potencial pela qualidade das músicas. Era um sonho nosso ter uma festa para ir e escutar esse tipo de som, estávamos esperando juntar entre 100 e 150 pessoas na nossa primeira edição, mas felizmente, para nossa surpresa, esse número foi superado em umas 4 vezes.

Qual localidade mais funcionou pra festa?
Essa pergunta é difícil, o Rio de Janeiro é muito limitado no ponto de vista das casas, as melhores casas as vezes não oferecem bons acordos ou tem as agendas já recheadas. Todas as edições e casas tiveram seu mérito, curtimos bastante a primeira edição na Comuna, a edição do Ameno Resedá foi divertida do ponto de vista estético, com muitas atrações, mas do ponto de vista da pista deixou um pouco a desejar. Um aspecto que nos traz dificuldades para encontrar lugares para fazer a festa é o nosso interesse manter o formato da festa com duas pistas, inauguramos a boate La Paz e estamos sendo muito bem recebidos lá. Desde a sua inauguração a casa tem passado por ajustes necessários e estamos trabalhando juntos com a casa para receber o público cada vez melhor. A instalação de bicicletários na frente do club, por exemplo, teve nossa ajuda e influência para a viabilização e poderemos receber com todo conforto os ciclistas que vierem na próxima edição.

E no Rio, cidade onde tem muita gente careta, como é produzir uma festa aonde as pessoas vão caracterizadas, purpurinadas? Como é que vocês que produzem a Manie enxergam isso?
Nós temos a sorte de termos amigos que fogem desse estereótipo e conseguimos agregar pessoas bem legais ao projeto, muita gente comprou a ideia, bem mais do que imaginávamos em termos de produção e purpurina e isso foi bem legal. Acredito que por faltar propostas parecidas na cidade, existe uma demanda reprimida de pessoas interessadas em novidades.

Vocês acham que quem chega de supetão e esbarra com uma apresentação de contorcionismo acha o quê? Porque escolheram essas apresentações de dança, de "circo", burlescas?
O universo do Swing já tradicionalmente é interligado com o burlesco e o Circo. Lindy hop, por exemplo, é o estilo de dança criado nos anos 20 no Harlem para dançar swing e jazz. É comum que os treinamentos de números e performances burlescas e de circo tenham como trilha o electro swing ou o swing clássicos, então a escolha e a aproximação foram bem naturais. A própria música nos ajudou a formatar a festa da forma que ela é. Queremos cada vez mais fazer parcerias com esses artistas.

Quem é o público que frequenta a Manie?
Em quatro edições ainda não conseguimos mapear perfeitamente o nosso público, mas tem muitas pessoas ligadas as artes visuais, interessadas em música, pesquisadores de jazz clássico, além claro, dos dançarinos de Lindy Hop. Os alunos dos nossos grandes parceiros o Rio Hoppers, que dão uma enorme vida a nossa pista.

Quais outras festas vocês indicam?
Aqui no Brasil não temos quase nenhuma iniciativa parecida e por esse motivos temos nos articulado para levar o swing para outras capitais. Recentemente surgiu a Swing Please em Brasília, que fez apenas 2 edições ainda.
Com essa pegada mais ligada a arte, montação e propostas inovadoras, eu particularmente indicaria o Bota na Roda, cada edição eles apresentam ideias novas. Eu e Andrei tocamos em uma das edições e foi bem legal.

Conta um pouco mais sobre o EP? Como foi a seleção musical, onde pode ser encontrado...
O EP tem o lançamento previsto para amanhã 25/09 pelo nosso soundcloud (soundcloud.com/maniedansante). Fizemos um trabalho legal de pesquisa e utilizamos samplers da radio nacional, bem como de clássicos da Ella Fitzgerald, e do Bill Haley, o EP conta ainda com a participação de um MC Frances em uma das faixas.

Algum projeto da Manie Gang em vista?
Estamos focados agora em produzir mais faixas autorais e difundir nossa música e proposta no resto do Brasil.
 

Escrito por Nice Jourdan
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