Time Out Rio de Janeiro

Boates que deixaram saudades

De alguma forma, elas marcaram época

Boate é uma coisa que abre e fecha com uma certa facilidade. Raras são as que duram quase 26 anos, como a Help. E parece que elas fecham (sempre sem grandes explicações) quando mais sucesso estão fazendo e quando mais você está gostando. Por isso, a Time Out Rio resgatou algumas boates cariocas que deixaram saudade. Ou não.

Bunker 94

Em um final de semana de outubro de 2006, o clima era de luto entre a galera alternativa do Rio. Talvez a maior saudade da atual geração jovem da cidade, a boate Bunker 94 foi um dos primeiros lugares underground do Rio. A boate funcionava onde hoje é a Le Boy, no número 94 da rua Raul Pompéia, em Copacabana, e seu auge foi no início dos anos 2000.

A casa abriu em 1997 com a proposta de trazer o underground para a cidade mas, nove anos depois, na sua última noite, a festa foi de pagode e funk. Pois é. Em entrevista à Time Out Rio, o DJ Wilson Power, ex-sócio da boate, disse que a Bunker fechou por conta da má administração de um segundo sócio.

Mas o DJ deu uma pista para matar as saudades dos tempos da boate. “Em janeiro do ano que vem vai ter uma festa comemorando os 15 anos da Bunker, mas não posso dar detalhes”.

Mistérios à parte, podemos dizer que a Bunker deixou seu legado. Boates como a Fosfobox e Odisseia foram crias do clube – palco, por exemplo, da banda Los Hermanos, criada no mesmo ano em que a boate abriu as portas.

Lounge 69

Com certeza, foi um dos lugares mais badalados do Rio. Projetado pela mesma equipe de cenografia que fez a D-Egde, em São Paulo, o 69 funcionava na rua Farme de Amoedo, em Ipanema, e tinha uma estrutura incrível.

Aberta em setembro de 2007, a casa tocava basicamente eletrônico. “Mas tinham festas do disco ao pop”, garante Felipe Novaes, ex-gerente de marketing do 69. Fechou em 2009, para a tristeza geral da nação moderninha carioca.

“O clube não conseguiu um alvará que permitisse o funcionamento como casa noturna, então os sócios tiveram que fechar”, explica Felipe. Apesar do forte movimento “Volta 69”, a prefeitura proibiu definitivamente que a casa reabrisse.
 
Help

Quem não se lembra das perninhas de neon mais famosas de Copacabana? A Help fez história no Rio. Uns não curtiam e implicavam, outros eram fãs e achavam um ótimo programa – em todos os sentidos. Aberta em 1984, a boate era queridinha da classe alta da cidade, mas no início dos anos 1990 se tornou ponto de prostituição.

Em 2007, a Help virou modinha entre os jovens. Festas de faculdade, aniversários, eventos particulares... Ficou cool festejar na Help. Até que o governador Sergio Cabral decidiu acabar com a festa.

Em janeiro de 2010, o lugar, que já era praticamente um ponto turístico, foi demolido para dar lugar ao Museu da Imagem e do Som, que deve ficar pronto em 2013 - depois de quase 26 anos de funcionamento da Help e de muita história. 

Sygno Music Club

A Sygno era uma espécie de plano B da Bunker. Se não desse para entrar na Bunker por algum motivo, a galera ia para a Sygno, que era ali do lado, na rua Francisco Otaviano. Não que a função de “segundo plano para a Bunker” seja um elogio, mas tem o seu valor – e as suas saudades.

Comandada pelo DJ Ricardinho NS, que já tinha um selo de música eletrônica, a Sygno abriu em 2004 com a ideia de trazer mais um ambiente eletrônico para o Rio. Mas não durou por muito tempo (como nenhuma boate dura muito naquele lugar, vide o caso da B.A.S.E. e da Penélope), já em 2005 fechou.

Cinematheque

A casa fazia parte do Grupo Matriz, o mesmo que gerencia a Casa da Matriz, Pista 3 e outros lugares. Por isso, tinha o mesmo clima dessas outras boates. Tocava basicamente rock, mas dependia da festa. E rolavam também uns shows para até 200 pessoas. Maria Gadú e Mallu Magalhães já se apresentaram lá.

A parte de baixo era motivo de discórdia. Muitos adoravam o espaço aberto, logo na entrada, sob as árvores. Outros odiavam, porque deixava a Cinematheque com cara de bar – durante a semana o restaurante funcionava para o almoço. As festas e os shows aconteciam no segundo andar.

O sócio Léo Feijó, que alugou o imóvel da década de 1940, ali no baixo Botafogo, disse que o proprietário entrou em contato, no meio de 2010, para falar que a casa ia ser demolida para se tornar um edifício. A Cinematheque continua lá até hoje, porém fechada. Uma pena, já que de 2007 a 2010, a boate foi uma boa opção para fugir do eixo Matriz-Pista 3.

Escrito por Time Out Rio de Janeiro editors
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