Time Out Rio de Janeiro

Chemical Brothers

Eles dominam as pistas com hits dançantes eletrônicos há quase duas décadas

Tom Rowlands e Ed Simons são ícones das pistas britânicas. Eles se conheceram quando eram estudantes em Manchester, na época em que o lendário clube The Hacienda começava a despontar na noite da cidade. The Chemical Brothers surgiu em meio a raves, ao big beat e ao britpop; a dupla já rodou o mundo e criou hits atemporais que embalaram incontáveis noites hedonistas.

O último álbum do grupo, Further, lançado em junho do ano passado, tem produção mais despojada, sem vocalistas convidados e com o som potencializado. A Time Out conversou com a dupla um pouco antes de sua participação no Chemical Music – a semelhança do nome do evento inédito na Grande São Paulo (e que já ocorreu no Rio) com o da dupla é mera coincidência.

Further é um álbum bastante eufórico e com ritmos sintetizados. Isso reflete o estado de espírito de vocês?
Tom: Da minha parte, acho que sim. É muito difícil fazer uma música alegre; é bem fácil fazer uma música mais apocalíptica, fatalista.

E vocês estão cantando sobre o amor…
Tom: É! Não sei como isso aconteceu, mas acho que a música comunica uma espécie de abandono. Tem uma canção do Arthur Russell chamada “Love Is Overtaking Me” (O Amor Está Tomando Conta de Mim, em tradução livre) e eu adoro essa ideia. Queria que a música me penetrasse. É isso que quero da minha experiência musical: ser consumido por ela.

Como surgiu a ideia de criar esse álbum audiovisual?
Ed: O estúdio de Tom fica no interior, e eu dirigia até lá para ouvir o que ele estava fazendo. Independentemente do humor no qual me encontro durante a viagem, quando a música chega até mim em um volume alto, sinto-me transportado. A ideia era mostrar o álbum antes de ser lançado e analisado, para que as pessoas pudessem sentir como a música pode ser transformadora. Especialmente quando a música é compartilhada por muitas pessoas em uma mesma sala.

Tom Adam (Smith) estava no País de Gales filmando Doctor Who; ele sempre trabalhava de manhã nas faixas novas que mandávamos e deixamos o resto a cargo da imaginação dele. Felizmente conseguimos criar no show de Londres a ambientação que queríamos para nossa música ser ouvida, pelo menos uma vez. Depois ela pode cair no mundo e seguir seu próprio caminho. Isso que é excitante sobre música: ela fica independente e começa a fazer parte da vida de uma pessoa de uma forma que nunca imaginamos.

Vocês estão juntos por quase duas décadas agora...
Ed: É definitivamente o meu relacionamento mais longo!

Como vocês fazem para dar certo?
Ed: Reconhecendo as necessidades um do outro (risos). Não, é porque nos divertimos muito juntos. Acho que isso é o principal.

Vocês viveram durante um governo conservador no Reino Unido, depois o Novo Trabalhismo, e agora uma coalizão está no poder. Vocês acham que o governo afeta a música britânica de alguma forma?
Tom: Bem, depende se aquele vídeo do YouTube com o David Cameron (líder conservador) em uma rave é de verdade ou não!
Ed: Tem um vídeo no YouTube de uma rave de 1998 que tem um cara que se parece com o David Cameron (assista em bit.ly/TOSP_1988rave). Não quero me aprofundar sobre o tema, mas nossa música já causou muitos sentimentos diferentes no Reino Unido. A música só toca as pessoas se refletir o que elas estão sentindo em um plano maior. Não sei, não sou muito bom para analisar esse tipo de coisa. Lançamos um álbum logo depois do 11 de Setembro e foi uma decisão que pareceu meio fora de hora.
Tom: Ainda estou pensando se o David Cameron vai ou não a raves.

Vocês já exageraram nas drogas?

Ed: Tocamos em clubes e gostamos de mergulhar nesse ambiente, mas quando se toca ao vivo ou como DJ, principalmente nos anos 1990, quando a cultura das drogas era mais difundida, sua percepção muda.
Tom: Nós tocamos todas as semanas do ano, se ainda estivéssemos nesse ritmo seria um desastre.

Escrito por Time Out Rio de Janeiro editors
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