As Margens no Centro

14 Jul 2012-15 Set 2012

Lua Wagner/ Divulgação
Rauricio Barbosa pinta a pele dos modelos seguindo os motes da paisagem

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Com sua beleza decadente, à primeira vista pode parecer que os dias de glória do centro histórico de São Paulo ficaram para trás. Prédios art nouveau aparecem sujos e abandonados, mendigos nas ruas se reúnem em praças que um dia foram elegantes e a fuligem negra e espessa resultante do tráfego encobre tudo. No entanto, mergulhe um pouco mais e você encontrará uma área que pulsa criatividade.

Algumas das mais belas joias culturais da região se estabeleceram ali há muito tempo: o Teatro Municipal e o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) são dois exemplos. Mas algumas são novas e estão em sintonia com o estilo moderno do Centro: são arrojadas, experimentais e reservam um encanto a mais por estarem escondidas.

Para descobrir uma das mais recentes estrelas no firmamento artístico da região, faça um passeio pelo Vale do Anhangabaú até o cruzamento com a Avenida São João. Pegue a subida que leva até o edifício Martinelli e entre pela porta de aço do número 108. Subindo pela ampla e frágil escadaria chega-se ao quarto andar onde se encontra o Estúdio Lâmina – uma galeria, um espaço performático e uma residência de artistas, tudo em um só lugar, ocupando o que já foi um apartamento suntuoso.

“O espaço é concebido como um ponto de encontro”, diz Luciano CortaRuas, cocriador e curador da galeria. “Queremos que ele seja um catalisador para artistas de todos os tipos de disciplinas.” Uma figura byronesca com um longo bigode preto, CortaRuas dorme em um colchão revestido de veludo púrpura rodeado por arte criada por seus amigos e colaboradores. E com um ar burlesco, o espaço já sediou alguns pequenos shows, performances e exposições desde que foi inaugurado no final de 2011 – e já abrigou até uma tropa itinerante de artistas uruguaios.

No entanto, com a exposição que será inaugurada no dia 14 de julho, a galeria está elevando sua relação interativa com os artistas a um outro nível. A mostra será o ápice de um processo aberto de fazer arte que levou dois meses – o público foi convidado a visitar o espaço e interagir com os criadores.

A exposição ‘As Margens no Centro’ apresenta 12 artistas que trabalham com mídias que variam desde fotografias pinhole a instalações de vídeo e efeitos sonoros – e até mesmo um pintor e ilustrador, Rodrigo Pecci. “Quero encorajar os artistas a experimentarem e mergulharem em outras disciplinas”, diz CortaRuas. “Acho que a experimentação é a marca da nova geração.”

Um exemplo? “Eu experimento com a arte utilizando diferentes conceitos, como psicodélico lo-fi, futurismo primitivo, arte de rua, digitalismo…”, diz a biografia do artista residente Allyson Alapont, que apresenta a vídeoinstalação Supercondensador (vimeo.com/supercondensador).

‘As Margens no Centro’, segundo CortaRuas, trata da intervenção artística e da paisagem urbana, com todos os seus conflitos e harmonias inerentes. “Há um artista que irá gravar os sons do Centro e outro que pinta as pessoas na paisagem”, diz. Na prática, é uma espécie de pintura corporal feita por Rauricio Barbosa que camufla os modelos; ele pinta a pele de maneira que ela se confunde com o cenário. “Rauricio ajuda a ilustrar como é fácil ignorar as pessoas que nos rodeiam”, conclui o curador.

Escrito por Kathleen McCaul

Serviço

Estúdio Lâmina
Endereço Av. São João, 108, aps. 41 e 44

Centro, São Paulo

Telefone 3228-6815

Data 14 Jul 2012-15 Set 2012

Horário de abertura Ter. a sáb., 11h-17. É preciso agendar a visita.

Site de As Margens no Centro

Mapa


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