Time Out São Paulo

Sonho Verde Azulado

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Sonho Verde Azulado

Data 03 Nov 2012-01 Nov 2013

Horário de abertura De 4/11/2012 a 27/1/2013, seg. a sex., 9h-17h; sáb., 9h-18h; dom., 10h-18h. De 28/1/2013 a 31/10/2013, seg. a sex., 9h-17h; sáb., 9h-13h.

Palácio dos Correios
Av. São João, s/nº, Centro

Telefone 3227-9461

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São Bento


Das muitas mídias disponíveis aos artistas, poucas têm o poder de trazer o passado de volta tão imediatamente quanto a fotografia. Cruzando o tempo e o espaço, das profundezas da floresta amazônica nos anos 1970 ao grande saguão do Palácio dos Correios em São Paulo, o rosto de uma jovem indígena será reproduzido em cores vibrantes e grande escala – 1,2 mil metros quadrados – na instalação fotográfica ‘Sonho Verde Azulado’.

A menina Paxioïmïkï é Yanomami, tribo amazônica que vive na região de fronteira entre Brasil e Venezuela. Ostentando colares de contas e um olhar impenetrável, ela foi clicada por Claudia Andujar, fotógrafa húngara que se mudou para o Brasil quando tinha 24 anos. Andujar entrou em contato com povos indígenas brasileiros pela primeira vez em 1958 e começou a usar a fotografia para documentar os Yanomami no início da década de 1970. Depois disso, passou grande parte da vida defendendo a causa indígena.

Para a instalação em um dos principais prédios históricos do Centro de São Paulo (o antigo correio central), a imagem original de Paxioïmïkï, feita em preto e branco, será recriada em tons de verde e azul. Isso será feito com uma técnica na qual Andujar, agora com 81 anos de idade, banha uma enorme reprodução da foto em preto e branco original em cores de diversos tons e, depois, a fotografa novamente.

As imagens resultantes serão montadas nas quatro paredes do mezanino do Palácio, em um quebra-cabeças simétrico feito sob medida para o espaço no qual cada foto é fragmentada em partes de 25 metros quadrados.

“A foto original, que gerou essa série de quatro imagens, foi tirada entre 1974 e 1976”, diz Andujar. “A tirei em uma de minhas primeiras visitas às terras Yanomami. Eu trouxe o verde da vegetação e o azul do céu dos quais me lembro, para dar cor às imagens e representar as virtudes dos indígenas em continuar defendendo o ambiente.” Segundo a artista, a imagem também serve para reafirmar a luta atual dos Yanomami e trazê-los diretamente ao coração da cidade. A tribo ainda sofre com constantes invasões de mineradores.

“As imagens são exemplos vivos de como Claudia responde às questões atuais na fotografia”, afirma Eduardo Brandão, co-proprietário da Galeria Vermelho, em São Paulo, e curador da exposição. “Para qualquer um que seguiu sua carreira nas últimas cinco décadas, elas mostram como Claudia incorpora tanto a modernidade quanto a pós-modernidade em sua obra, e como ela ainda tem o impulso de criar.”

Esta é apenas uma da recente série de exposições que estão transformando o Centro em um ponto focal de arte contemporânea. A mais recente foi a inauguração de um novíssimo espaço – o Pivô – dentro do Edifício Copan. A apenas algumas quadras dali, o neoclássico Palácio dos Correios é um projeto de 1922 assinado pelo escritório do arquiteto Ramos de Azevedo. Originalmente construído para ser o correio e telégrafo central de São Paulo, o prédio teve seu interior danificado diversas vezes e ficou vazio durante muitos anos antes de sua última reforma. Há um projeto para transformar o edifício em centro cultural entre 2017 e 2018.

Na fachada do prédio vizinho, uma quinta imagem, de tamanho gigante, feita a partir da mesma foto e na qual o olhar de Paxioïmïkï se direciona ao Vale do Anhangabaú – a última obra a céu aberto do projeto Cidade Galeria, lançada em 2010 para levar arte às ruas.

Escrito por Catherine Balston
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