Time Out São Paulo

The Insides are on the Outside

Mostra abre para o público a Casa de Vidro, residência modernista da arquiteta Lina Bo Bardi, no Morumbi

Este evento terminou

The Insides are on the Outside

Preço Grátis (R$ 10-R$ 20, reserva para grupos na Casa de Vidro).

Data 05 Abr 2013-30 Mai 2013

Horário de abertura Casa de Vidro. 3744-9902. Ter. a dom., 11h-17h. Sesc Pompeia. R. Clélia, 93, Pompeia, 3871-7700. Ter. a dom., 9h-21h.

Site de The Insides are on the Outside

Casa de Vidro
R. Gal. Almério de Moura, 200, Morumbi


O modernismo de edifícios como Masp, Copan, Fiesp, Auditório Ibirapuera, Conjunto Nacional, impressionam quem visita São Paulo. Mais rara é a chance de examinar de perto tal estilo em uma residência – o que torna a exposição em cartaz na antiga casa da arquiteta Lina Bo Bardi (1914-1992) imperdível.

Lembrada como a criação seminal de Bo Bardi, a Casa de Vidro, de 1951, é uma estrutura de paredes de vidro, no Morumbi, e parece se erguer acima da floresta tropical que a cerca, embora se mantenha envolvida por ela. O paradoxo é proposital, incorporando um diálogo entre o modernismo europeu e sua versão brasileira. Esta interação ocorre nas melhores obras de Bo Bardi, do Masp (1968) ao Sesc Pompeia (1982).

Na exposição, intitulada The Insides Are on the Outside/O Exterior Está no Interior, o curador Hans Ulrich Obrist – diretor da Serpentine Gallery, de Londres – estimula ainda mais interação, desta vez entre a obra de Bo Bardi e aqueles que se inspiraram nela. Ele dá a um grupo de artistas convidados liberdade para responder a qualquer aspecto da Casa de Vidro. Os resultados transformam a casa em uma gesamtkunstwerk, ou ‘obra de arte total’. Seguindo intervenções parecidas nas casas do arquiteto Luis Barragán, na Cidade do México, e do dramaturgo espanhol Federico García Lorca, a mostra teve o Prelúdio – uma pré-estreia de apenas um dia, só para convidados, com várias obras de artistas na Casa de Vidro, que aconteceu durante a Bienal de São Paulo de 2012.

As obras reveladas naquele dia continuam incorporadas à casa para a atual etapa da exposição. Atenção para as fotografias que os ingleses Gilbert & George tiraram de si mesmos como esculturas vivas dentro da casa, e para o registro em áudio feito pela brasileira Cinthia Marcelle de um grupo de dez músicos tocando uma colagem de músicas da coleção de discos de Lina e do marido, Pietro Maria Bardi. Em uma instalação multissensorial de Cildo Meireles, o aroma do café é combinado a uma gravação de arquivo em que Pietro Bardi pede à esposa, uma socialista radical, para fazer café, recriando os momentos em que ele tentava amainar (ou inflamar) uma discussão política exaltada.

A nova fase promete mais destaques, como a arte conceitual de Paulo Nazareth, os objetos encontrados (ou que parecem encontrados) de Jonathas de Andrade e as intervenções arquitetônicas sutilmente complexas de Renata Lucas. A exposição continua no Sesc Pompeia, com instalações de Ernesto Neto e Dan Graham que aparecem ao lado de uma série de vídeos – não perca ‘Feitiço’, de Pedro Barateiro, que mistura gravações de peças teatrais com imagens da Casa de Vidro.

Se você ficou com vontade de dar uma olhada na residência modernista do Morumbi, aproveite, pois quando a mostra terminar, a casa terá entrada só com hora marcada. E durante a exposição, será preciso um pouco de paciência: há restrição de dez visitantes por vez. Mas é um preço baixo a se pagar pela oportunidade de ver os mundos da arte, da arquitetura e do urbanismo sobrepostos até que se tornem tão translúcidos quanto os painéis de vidro de Bo Bardi.

  • Atenção: este evento acontece em dois endereços diferentes (Casa de Vidro e Sesc Pompeia).

Escrito por Matt Phipps
Compartilhe

Mapa


     Se o mapa ou detalhes deste estabelecimento estão incorretos, entre em contato

Comentários dos leitores

blog comments powered by Disqus