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Moderna para Sempre: Fotografia Modernista Brasileira na Coleção Itaú

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Moderna para Sempre: Fotografia Modernista Brasileira na Coleção Itaú

Data 04 Mar 2014-09 Mar 2014

Horário de abertura Ter. a sex., 9h-20h; sáb., dom. e feriados, 11h-20h.

Avenida Paulista, 149, Jardim Paulista

Telefone (11) 2168 1700

Estações próximas
Metrô 2, Brigadeiro

Em homenagem ao aniversário de 460 anos de São Paulo, em 25 de janeiro, o Itaú Cultural volta sua atenção ao momento em que a cidade em expansão era capturada pelas lentes de visionários do século 20. A data marca a abertura da mostra ‘Moderna para Sempre: Fotografia Modernista Brasileira na Coleção Itaú’, que exibe pela primeira vez o conjunto completo de 116 imagens com base no movimento fotoclubista brasileiro, iniciado em São Paulo.

Você tem até março para contemplar essas fotos reveladoras, tanto sobre a cidade como sobre a estética modernista aplicada à fotografia, assinadas por artistas célebres como German Lorca, José Yalenti, Paulo Pires, Marcel Giró e muitos outros.

Enquanto a metrópole se expandia em torno desses fotógrafos, eles começaram a desenvolver visões singulares a partir do final dos anos 1930. Focando as transformações arquitetônicas e situações cotidianas através de ângulos inesperados, eles adotavam perspectivas perturbadoras, texturas repetitivas e abstrações geométricas que se tornaram emblemáticas da estética modernista. Que, a propósito, volta a despertar interesse no mundo das belas artes.

Um exemplo é o que aconteceu na feira SP-Arte/ Foto de 2013, quando a galeria Luciana Brito dedicou um estande à fotografia modernista brasileira, com obras de Gaspar Gasparian, Geraldo de Barros e Thomaz Farkas. E agora há a chance de ver uma coleção com obras desses fotógrafos na exposição do Itaú. Além do puro prazer das texturas, formas e contrastes, as imagens também demonstram a importância da paisagem de São Paulo, sempre em transformação, na criação da identidade da fotografia brasileira.

O nascimento do modernismo brasileiro remonta, é claro, à Semana de Arte Moderna de 1922, que aconteceu no Teatro Municipal e marcou a inauguração de uma linguagem experimental em todas as artes, embora ainda não fizesse referência direta à fotografia. Mais tarde, o primeiro fotoclube do país foi fundado na cidade de São Paulo, em 1939, o Foto Cine Clube Bandeirante, que inspirou o movimento de fotoclubismo no país.

Segundo a descrição do curador da mostra, o também fotógrafo Iatã Cannabrava, no material de divulgação, as imagens provenientes do fotoclubismo paulistano representam “a busca por formas e volumes, abstrações e surrealismo, em uma influência evidente da antiga vanguarda europeia”. Essas intenções ficam claras na ilusão óptica de Perspectivas, de Fabio Morais Bassi; na obra sem título de Gunter E. G. Schroeder, com diagonais espelhadas parecidas com flocos de neve; e nas duras imagens de Composição N e Espinhas, de George Radó, que têm a seriedade de um raio-X.

Já a foto Esboço, do catalão exilado Marcel Giró, risca linhas finas como se fossem detalhes de uma obra de Jackson Pollock, escondendo um lago plácido e plantas aquáticas. Outras imagens, como as três fotos de 1960 de Paulo Pires – Estudo Abstrato Nº1, Comporta e Curvas – são estudos intrigantes em movimento, enquanto Construtores, do mesmo autor, mostra silhuetas de operários durante os estágios iniciais da construção do icônico e imenso Edifício Copan, projetado por Oscar Niemeyer.

Mas talvez a visão dos modernistas brasileiros fique mais patente nas 23 obras de José Yalenti. Fotografias como a cintilante Fonte 9 de Julho e a assombrosa Paralelas e Diagonais carregam ressonâncias da escola alemã de arquitetura e design Bauhaus e de obras como as do multiartista húngaro László Moholy-Nagy. A exposição inclui ainda algumas aquisições recentes, como os trabalhos de Lorca, Yalenti e Pires, como um tributo merecido a São Paulo, que Cannabrava chama, merecidamente, de “um dos palcos mais importantes do modernismo”.

Escrito por CM Gorey
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