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Os Trópicos

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Os Trópicos

Data 23 Set 2014-28 Set 2014

Horário de abertura Ter. a dom., 9h-19h.

Praça da Sé, 111 ,

Telefone (11) 3321 4400

Estações próximas
Metrô Sé

A exposição mostra, através da produção dos artistas Marie Voignier (França), Olaf Breuning (Suíça) e Christoph Keller (Alemanha), a narrativa do clássico contemporâneo 'Tristes Trópicos', publicado em 1955, pelo antropólogo Claude Lévi-Strauss (1908-2009), como experiência estética para contextualizar a ânsia da sociedade contemporânea. 

Um documento antropológico e monumento literário, o livro de Lévi-Strauss descreve a experiência do pesquisador em três viagens ao Brasil (entre 1935 e 1938). Nem verdadeiramente científico, nem explicitamente filosófico, nem simplesmente literário, e no entanto tudo isso ao mesmo tempo, a publicação é um diário de viagem repleto de reflexões filosóficas e ideias que ligam muitas disciplinas acadêmicas como a sociologia, geologia, arte, arquitetura, história e literatura. No primeiro plano de sua reflexão, figuram o desencanto da diversidade, a morte do exotismo, o fim das viagens que existiam antigamente. 

A mostra demonstra um compromisso sócio-político baseado em considerações estéticas, cuja finalidade é estabelecer uma crítica cultural. Composta por vídeo-arte, fotografia, documentário, ensaio e crítica de grande força visual, a exposição gira em torno da experiência do artista, pesquisador e viajante aos ambientes tropicais: as obras permitem um entendimento contemporâneo dos artistas como etnógrafos.

O filme de Olaf Breuning, Home 2 (Casa 2), de 2007, questiona temas como deslocamento e a busca por uma identidade cultural. Aqui o narrador, interpretado pelo ator Brian Kerstetter, junta-se a um grupo de turistas que viajam para Papua Nova Guiné ou deriva por outros países como Peru ou Suíça. O seu caminho atravessa aldeias e tribos, enquanto o narrador transita entre encantar e insultar seus companheiros turistas e os "nativos" que ele encontra. Contextualizando a ânsia do cidadão global num mundo fragmentado, Breuning examina a busca humana para a comunhão social e a experiencia do folclórico local.

Marie Voignier apresenta uma instalação com seu filme Hinterland (Sertão), de 2012, no qual vemos alguns edifícios esquisitos num campo desértico, em seguida, a câmera mergulha profundamente na vegetação exótica e exuberante. Hinterland apresenta uma ilha tropical, dentro de um complexo de lazer perto de Krausnick, uma vila de 70 quilômetros ao sul de Berlim, criada no local onde antes fulgurava uma base aérea soviética. No filme, não somente encontramos os moradores da região que comentam sobre a historia da área militar, mas também os visitantes de complexo de lazer, no qual os trópicos são representados “no seu melhor”, “sem perigo”. 

Já Christoph Keller apresenta uma série de fotografias e colagens que desenvolveu durante uma viagem de três semanas ao Amazonas no final de 2012. Um dos pontos de partida são as reflexões do artista sobre da viagem, uma espécie de anti-arqueologia em relação à compreensão cultural tradicional europeia. A série de colagens 'Herbário da Amazônia', de 2014, sobrepõem ruínas de templos com folhas de plantas secas, que o artista colecionou durante a viagem para a Amazônia. As plantas não representam a selva, mas ela está dentro deles.

Escrito por Time Out São Paulo editors
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