Salvador Dalí

6 Jan 2015-11 Jan 2015

Associated Press Paris/Divulgação
Salvador Dalí
O artista catalão Salvador Dalí

Este evento terminou

Depois de grande sucesso no Rio de Janeiro, a maior retrospectiva de Salvador Dalí (1904 - 1989) já feita no país chega a São Paulo com algumas novidades: além dos trabalhos já apresentados no capital fluminense, compõem a mostra paulista cinco novas obras provenientes da Fundação Gala-Salvador Dalí e outras duas do Museu Reina Sofia, instituições detentoras de 90% dos trabalhos expostos. As obras que foram incluídas substituem alguns dos trabalhos da coleção do Museu Salvador Dalí, da Flórida (EUA).

Dentre essas sete obras do mestre do surrealismo que estarão exclusivamente em cartaz no Instituto Tomie Ohtake está o valioso e pequeno óleo sobre madeira 'O espectro do sex-appeal' (1934). Do tamanho de meia folha de papel, atribui-se à pequena pintura a forma como Dalí plasmou, de modo concreto, o temor pela sexualidade. 'Desnudo' (1924), que pertenceu a Federico García Lorca, 'Homem com a cabeça cheia de nuvens' (1936), de profunda carga simbólica, com referência explícita a René Magritte e 'O piano surrealista' (1937), fruto de sua colaboração com os Irmãos Marx, estão também entre os trabalhos incluídos.

A retrospectiva de Dalí, com curadoria de Montse Aguer, diretora do Centro de Estudos Dalinianos da Fundação Gala-Dalí, foi organizada para convidar o público a mergulhar por um universo onírico, simbólico e fantasioso. O conjunto de peças é formado por 24 pinturas, 135 trabalhos entre desenhos e gravuras, 40 documentos, 15 fotografias e quatro filmes. O espectador terá contato com a produção de Dalí desde os anos 1920 até seus últimos trabalhos, proporcionando ao visitante uma clara percepção de sua evolução, não só técnica, mas de suas influências, recursos temáticos, referências ideológicas e simbolismos.

Será possível ver as telas do período de sua formação como pintor - além de 'Desnudo', já citado, 'Retrato de meu pai e casa de Es Llaner', de 1920, 'Retrato de minha irmã', de 1925, e 'Autorretrato cubista', de 1926. Tais pinturas, além de marcarem o início da pesquisa de Dalí, também dão mostras de sua vasta e instigante produção de retratos, que, em suas diferentes interpretações e abordagens, acompanham a metamorfose de um trabalho marcado pelo questionamento sobre a realidade.

A fase surrealista, que deu fama mundial ao catalão, será retratada em telas que apresentam seu método paranóico-crítico de representação, com obras muito significativas como 'O Sentimento de Velocidade', (1931), 'Monumento imperial à mulher-menina' (1929), 'Figura e drapeado em uma paisagem' (1935) e 'Paisagem pagã média' (1937).

O público também poderá conferir a contribuição de Dalí para a sétima arte. Os filmes O Cão Andaluz (1929) e A Idade do Ouro (1930), codirigidos por Salvador Dalí e Luís Buñel, e Quando Fala o Coração (1945), de Alfred Hitchcock, cujas cenas do sonho foram desenhadas pelo artista, serão exibidos dentro do espaço expositivo, apresentando um pouco mais da diversidade e da linguagem adotada pelo artista. 

O acervo, por sua vez, apresenta documentos e livros da biblioteca particular de Dalí, provenientes do arquivo do Centro de Estudos Dalinianos, que dialogam com as pinturas proporcionando ao visitante uma viagem biográfica e artística pela carreira do pintor. É o caso dos títulos Imaculada 'Conceição' (1930), de André Breton e Paul Eluard, e 'Onan' (1934), de Georges Hugnet. As raridades tiveram seus frontispícios assinados por Salvador Dalí e retratam as bases do surrealismo na literatura.

O conjunto conta ainda com as ilustrações feitas para os clássicos da literatura mundial, como 'Dom Quixote de La Mancha', de Miguel de Cervantes, e 'Alice no País das Maravilhas', de Lewis Carrol. Merecem destaque os desenhos que ilustram o livro 'Cantos de Maldoror' (1869), de Isidore Lucien Ducasse (mais conhecido como Conde de Lautréamont), autor de grande referência entre os jovens surrealistas. É possível reconhecer nesses desenhos, por exemplo, as muitas figuras recorrentes na obra de Dalí, como objetos cortantes, muletas, corpos mutilados etc. Eliane Robert Moraes, em texto que acompanha o catálogo da exposição, diz que, movidos por uma crescente revolta pós-guerra, esses artistas “viram na violência poética de Ducasse uma alternativa para seus dilemas estéticos e existenciais”.

“Queremos mostrar o Dalí surrealista, mas também aquele que se antecipa ao seu tempo, que é audacioso, que defende a liberdade de imaginação do artista em sua própria criação. Ao mesmo tempo, a mostra passeia pela trajetória artística e pessoal de Salvador Dalí”, explica Montse Aguer, curadora da exposição. “Após a visita, todos entenderão sua importância como artista, não só no surrealismo, mas na história da arte. Isso significa uma importante ligação com a arte contemporânea, enquanto Dalí parte de uma profunda compreensão e respeito pela tradição”, conclui.

*Diariamente, serão distribuídas senhas para visita à exposição Salvador Dalí. As senhas, que terão validade apenas para o dia em que forem retiradas, serão divididas em três horários de visitação: 11h, 14h e 17h. A distribuição será feita na entrada do Instituto Tomie Ohtake, das 10h às 18h, ou até acabarem as senhas.

Serviço

Instituto Tomie Ohtake


Endereço Av. Faria Lima, 201

Pinheiros, São Paulo

Telefone (11) 2245-1900

Site de Instituto Tomie Ohtake

Data 6 Jan 2015-11 Jan 2015

Horário de abertura Ter. a dom., 11h-20h.

Mapa


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