Arte e a Ciência – Nós entre os extremos

9-14 Fev

Divulgação
Cena do filme 'Powers of Ten', de Charles e Ray Eames

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Com curadoria de Paulo Miyada, a mostra propõe uma compreensão da ciência por meio da arte. Com 35 obras de 16 artistas, a exposição busca colocar o pensamento do espectador em um plano mais abstrato, daquilo que sabemos, mas não conseguimos captar com os nossos sentidos. “É um ensaio sobre como a arte pode abrir caminho para pensar um universo muito mais amplo do que percebemos usualmente", explica o Miyada.

Segundo o curador, se pensarmos de maneira pragmática, podemos aprender o que é um ano-luz, mas não apreendemos essa escala; sabemos que o Grand Canyon foi esculpido pelas forças da natureza, mas é algo lento demais para acompanharmos; pensamos em micróbios e usufruímos de inúmeras substâncias que intervêm no nosso equilíbrio molecular, mas não vemos nada disso acontecer.

Dois cientistas, Fernando Reinach e Jorge Vieira, um especialista em síntese molecular e um físico astronômico, respectivamente, serão entrevistados sobre assuntos e conceitos abstratos para maior parte das pessoas, tendo as obras como referência para explica-los. Os vídeos com estas entrevistas fazem parte da mostra. Assim, o público poderá rever as obras pelo olhar da ciência.

Emblemático por seu tema e execução, faz parte da exposição o filme Powers of Ten, concluído em 1977 e dirigido pelo casal Charles e Ray Eames. A obra audiovisual ajudou várias gerações de pessoas de todo o mundo a expandir seu imaginário sobre o lugar do humano entre as mais extremas ordens de grandeza, do mínimo ao máximo.

Tudo começa em um prosaico piquenique sobre um gramado, então a câmera começa a afastar-se, mostrando uma área 10 vezes maior a cada 10 segundos, crescendo exponencialmente sua escala de observação até superar o parque, o bairro, a cidade e o planeta e adentrar o macrocosmo, “passando pelo Sol e as estrelas até a escuridão do Universo”. Em seguida, o narrador anuncia um movimento elástico na direção contrária, que retorna à escala de 1:10 em velocidade acelerada para, então, magnificar um detalhe da mão do homem adormecido na grama, ampliando o olhar em uma razão de 10 vezes a cada 10 segundos. Os pelos, a pele, as células, o mergulho ao “microcosmo das células vivas e, mais adiante, até o incessante movimento dos átomos” e ainda ao limite verificável pelo homem, a 10-16 metro, o nível dos quarks, uma das partículas subatômicas representadas por um padrão abstrato de pontos vibrantes.

Ainda segundo o curador, tanto a ciência quanto a arte nos ensinam que passar a escalas menores pode criar desvios de percepção, vertigens ou mudanças qualitativas. Nesta direção, no núcleo “Dividir, modular, ampliar: entender?” estão obras como Monumento de um dia (2013) de Marcius Galan, 21 Formas de Amnésia (1989) de Milton Machado e a série Parallax (2010-2011) de Marcelo Moscheta. Tratam-se de intensas explorações poéticas das mudanças que podem decorrer do recorte, isolamento e aumento das partes de um todo.

No que foi intitulado de 'Encontro com o infinito', a investigação fundamenta-se pela noção de que o infinito não se deixa capturar, sendo útil para matemática lidar com situações que tendem a ele, ao invés de pretender calculá-lo diretamente. Neste núcleo 'As caixinhas do sem-fim', (1971), de Amélia Toledo, 'Sistema de órbitas' (2015) de Daniel de Paula e 'One Million Years', de On Kawara “lidam justamente com as possibilidades e impossibilidades de segurar o infinito entre as mãos”.

Em 'Complexidades guardadas', o curador sugere a indagação de como o interior de elementos e objetos aparentemente mais simples e homogêneos, quando ampliados muitas vezes, deixam ver suas inúmeras estruturas e padrões complexos, caóticos e/ou ruidosos. Neste sentido, ele aponta trabalhos como 'Sem título' (2014) e 'The sun is falling down' (2015), de Pontogor, as esculturas 'Ou Ou' (2013) e 'Zu2' (2012) de Artur Lescher e os desenhos (1962-5 e 1963) e os relevos 'Amassados' (c.1963) de Franz Weissman.

Já em 'As imagens do mundo', destaca-se a contribuição da ciência para revelar uma noção expandida da paisagem, que engloba o mundo além da vivência imediata do entorno humano. O impacto dessas imagens técnicas sobre o imaginário do micro e do macrocosmo reverberam em obras como P3R6V (2014), Zona de conflito II (2014) e Cruzeiro do Sul e o Caminho de Leite nas coordenadas 23°33’22’’S 46°41’27’’ (2015) de Tiago Tebet, Sem título (1994) e Sem título (1996) de Tomie Ohtake, O Sol (parte II) (2014) de Elen Gruber, Estudo para holograma (2015) e Instantâneo sequência 1+3 (2009) de Leticia Ramos.

Muitas vezes a percepção intuitiva da realidade se dá exatamente ao contrário do que de fato se dá no espaço-tempo. No segmento “Velocidades relativas e paradoxos da percepção”, o curador aponta o vídeo Anti-horário (2011), de Gisela Motta e Leandro Lima, e Um dia em dez segundos (sobre a relatividade do tempo) (2015), de Marina Camargo. A exposição culmina em uma nova obra de Gisela Motta e Leandro Lima, chamada Duplo Singular (2015), comissionada para a exposição.

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Serviço

Instituto Tomie Ohtake


Endereço Av. Faria Lima, 201

Pinheiros, São Paulo

Telefone (11) 2245-1900

Site de Instituto Tomie Ohtake

Data 9-14 Fev

Horário de abertura Ter. a dom., 11h-20h.

Mapa


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