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Planeta dos Macacos: A Guerra – crítica do filme

Filme que encerra a nova trilogia da franquia é o mais irregular.

Iniciada em 2011 com Planeta dos Macacos: A Origem, a nova trilogia do universo Planeta dos Macacos se encerra (será?) com o mais fraco de seus episódios. Não que Planeta dos Macacos: A Guerra seja ruim, longe disso, mas o filme passa um pouco do ponto ao enfatizar momentos dramáticos com a clara intenção de forçar o choro da plateia. Outro calcanhar de Aquiles é a obrigação em fundir a trama com a da obra original, dirigida por Franklin J. Schaffner em 1968.

A explicação para a involução dos seres humanos é simplória demais. Mas há duas fases dessa moeda. A opção por usar o personagem Bad Ape (Steve Zahn) para indicar o que aconteceu para gerar a evolução em massa dos macacos é muito boa. Pena que o personagem depois serve apenas como um alívio cômico.

Essa dualidade de erros e acertos pode ser sentida também na trilha de Franklin J. Schaffner. Enquanto o tema principal traz muita força, a utilização excessiva das músicas em praticamente todas as cenas acaba tendo um efeito contrário ao que se queria, tirando a dramaticidade dos acontecimentos ao invés de acentuá-la.

Na trama, César (Andy Serkis) e seu grupo de macacos tenta fugir da perseguição de um obcecado coronel (Woody Harrelson com pinta de coronel Kurtz, de Apocalypse Now). Prontos para partir para um lugar melhor para viver, os macacos são atacados e César perde entes queridos. Tomado pelo ódio, o líder dos macacos manda seu grupo seguir viagem enquanto ele busca vingança contra o coronel.

Mas há acertos sim. A direção de Matt Reeves segue competente, principalmente nas sequências de ação. O filme, aliás, começa com um enfrentamento entre humanos e macacos que impressiona. Isso sem falar na urgência da questão central da história: a empatia com o outro, o respeito às diferenças. Algo importante para ser discutido nos dias de intolerância que nosso mundo vive atualmente. 

Além disso, o César de Andy Serkis também continua muito convincente e cada vez mais humano, no bom e no mau sentido. Aliás, talvez seja isso que faz de Planeta dos Macacos: A Guerra uma obra irregular. Errar é humano. 

Escrito por Rafael Argemon
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