Time Out São Paulo

São Paulo mapeada

 Com avançadas técnicas, o vídeo mapping está iluminando a cidade

Há algo de colorido que vem animando fachadas de prédios e iluminando pálidas paredes de baladas por São Paulo. É o video mapping – uma sofisticada técnica de projeção que “mapeia” superfícies em 3D e projeta imagens customizadas em 2D e 3D sobre seus contornos, criando efeitos visuais impensáveis há alguns anos.

Se você conhece o Sonique, Clash Club, Lab Club ou o novo Cine Joia, já deve ter vislumbrado como essa forma de arte pode incrementar a festa. Especialmente quando as técnicas de mapeamento são misturadas à iluminação do ambiente e às habilidades de DJs e VJs. Nos melhores exemplos do gênero, luzes, gráficos, desenhos e filmes correm as paredes, misturando-se às músicas, e criando um efeito espetacular.

No Cine Joia, no bairro da Liberdade, um sistema de alta tecnologia com dois projetores, feito pelo estúdio argentino Estado Lateral, fornece diferentes cenários a shows ao vivo: um feed do Twitter é renderizado em uma série de formas poligonais, que se dispersam pela parede, filmes editados por VJs aparecem e desaparecem, e gráficos mapeados marcham de um lado a outro nas paredes atrás da banda, enquanto as luzes descrevem uma trajetória em espiral para cima e para baixo no reboco, do lado oposto.

O mapeamento do local, diz Enrique Mármora, do Estado Lateral, foi feito em um trabalhoso processo de medição, design e programação, de forma que as imagens projetadas nos eixos X, Y e Z da construção, parecessem adentrar sua topografia, passando pelo enfeitado reboco.

Video Guerrilha
Outro evento recente de video mapping no final de novembro trouxe a arte tecnológica às ruas, com projeções especificamente desenvolvidas para brilharem em alguns dos prédios decadentes da Rua Augusta. Enquanto carros subiam e desciam essa rua que nunca dorme, o Vídeo Guerrilha, uma criação do coletivo paulistano Visualfarm, colocava filmes, fotos e animações que se arrastavam pelas paredes acima. Em uma instalação, os esboços feitos pelo público eram projetados em uma parede, como um grafite mutante. Enquanto em outro prédio, coberto por pichações, os escritos pareciam ganhar vida e se movimentar pela superfície.

O porte do Vídeo Guerrilha pode não ter sido tão grande se comparado aos padrões da Visualfarm – responsável pelas instalações visuais do Sonique, Clash Club e Lab Club e que já criou projetos pelo Brasil e até fora. Mas o evento tinha um quê de ousadia urbana que falta aos grandes eventos onde o video mapping costuma ser usado, como festas corporativas e cívicas.

Para os interessados em produzir (ou se aprofundar) na técnica, o mês de dezembro traz ótimas oportunidades, encerrando um ano de grandes passos nessa área aqui.

O evento Passport VJ University, que será realizado no prédio Trackers, terá sete dias de palestras e workshops – abordando os aspectos mais básicos aos mais técnicos dessa arte. Isso inclui programação e design de interface, com preços convidativos na faixa de R$ 10 (para os primeiros inscritos). “A ideia é aprimorar as habilidades dos VJs e atrair iniciantes interessados”, diz o curador e VJ Spetto, do coletivo paulistano United VJs. “Há uma escassez de artistas e profissionais nessa área.”

Mesmo os mais leigos podem aproveitar as apresentações do evento, com destaques como o United VJs, os mappers espanhóis do Telenoika e os meninos-prodígio alemães do Urbanscreen. Para encerrar a maratona de projeções com estilo, haverá uma festa no Memorial da América Latina, no dia 17 (16h às 20h, grátis, inscrições pelo Facebook). Além dos mappings na arquitetura mais do que propícia, a trilha será do mestre da deep-house, o DJ Larry Heard.

VJ University Prédio Trackers, R. Dom João de Barros, 337, Centro, 11 3337-5750. 8-14/12. passportvjuniversity.com.br.

Escrito por Claire Rigby
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