Time Out São Paulo

Filipe Catto

Com agudos potentes, ele mostra o repertório do álbum Fôlego no Sesc Ipiranga no próximo dia 10

O amor ganhou uma nova voz, intensa e arrepiante como as melhores paixões. Parece kitsch? Não quando se escuta o canto de Filipe Catto, compositor gaúcho de 24 anos que adotou São Paulo há dois anos. Com sua voz rara de contratenor, ele amacia e inflama uma forte poética ligada ao amor, tanto em letras e músicas de sua autoria como em interpretações de canções populares. No palco, seu espetáculo reforça tudo isso, com alto teor teatral e narrativo. No dia 10, ele mostra o show baseado no repertório de seu primeiro álbum Fôlego (Universal).

O pop dá o tom a essas canções. Tanto que sua composição ‘Saga’ fez parte até de trilha de novela. Mas em algumas faixas aparecem embalos de samba, bolero e até uns arranhões no rock. Há espaço para a interpretação de autores tão diversos como Reginaldo Rossi (‘Garçon’), Zé Ramalho (‘Ave de Prata’), Arnaldo Antunes e Dadi (‘2 Perdidos’). “São músicas que emocionam, mas são ecléticas”, define Filipe, tentando se desvencilhar da pecha de cantor romântico. “O amor é um tema muito verdadeiro, como a fome. Apesar de o repertório ser variado, eu canto com a minha verdade, acredito que minha interpretação crie uma unidade para o disco.”

Músicas como ‘Adoração’ tem vocação chiclete. A bela letra, escrita por ele, escancara a paixão em versos como “Pele que é pele não mente / Não esconde, não dissimularia / Meu corpo seja palco/ Vertido e tomado em pelo à tua poesia”. Para criar, é adepto da espontaneidade. “As letras e músicas costumam aparecer prontas para mim. Depende do momento e da inspiração.”

O timbre quase feminino de sua voz gera admiração – e comparações. As mais recorrentes são com Ney Matogrosso, mas no YouTube há um comentário que Elis Regina tinha reencarnado com outro sexo. Isso irrita? Ele ri. “Eu comecei a cantar com 11 anos. Nessa época, as vozes das meninas e meninos têm um registro parecido, mais agudo. Então, eu não tinha ideia que cantava de uma forma tão diferente.” Mas ele não supervaloriza a voz. “Acho que ela faz 20%. O resto vem de conceito, trabalho de palco, composição. Quero me aprimorar no palco e como compositor.” O caminho está aberto. 

Sesc Ipiranga R. Bom Pastor, 822, 3340-2000. R$ 4-R$ 16. 10/2, 21h. sesc.org.br

Escrito por Fabiana Caso
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