Cineminha hoje?

 As sete estreias da semana, por André de Leones

Paris Filmes
Cena do filme 'Shame'
Cena do filme 'Shame'

Após contínuos adiamentos, São Paulo finalmente verá a estreia de Habemus Papam, de Nanni Moretti, filme que esteve entre os destaques da última Mostra Internacional de Cinema. Premiado com a Palma de Ouro em Cannes pelo drama O Quarto do Filho, em 2001, Moretti está em casa ao desenvolver esta comédia sobre um papa recém-eleito que entra em parafuso.

Além de Habemus Papam, as estreias da semana trazem desde um drama sobre um compulsivo sexual até um filme de ação – mais um – com Denzel Washington, passando por um documentário sobre o lutador Anderson Silva.

Habemus Papam | Shame | Anderson Silva - Como Água | Guerra é Guerra |
Protegendo o Inimigo | Projeto X | Pequenos Espiões 4

  


Habemus Papam

 

Nanni Moretti é mais conhecido por relatos em primeira pessoa nos quais sua vida particular e insights sobre a vida política da Itália são entrelaçados. Caro Diário e Aprile são ótimos exemplos dessa vertente e, possivelmente, seus melhores filmes, ainda que a consagração do diretor só tenha vindo com o drama O Quarto do Filho.

Habemus Papam está mais para uma comédia de costumes de recorte clássico na qual acompanhamos as agruras de um papa recém-escolhido (Michel Picolli), acometido por uma senhora crise pouco antes de ser exposto ao público amontoado na Praça de São Pedro. Um psicólogo, interpretado pelo próprio Moretti, tentará ajudar o sumo pontífice a (re)encontrar seu lugar no mundo e na instituição religiosa que deveria guiar, mas ele sairá em busca de respostas sozinho. O termo de origem latina 'pontífice', a propósito, significa construtor de pontes, e o que temos em Habemus Papam é justamente um homem impossibilitado de estabelecer qualquer conexão consigo mesmo e com o mundo. Nesse sentido, o vazio sentido por esse papa angustiado parece ser diretamente proporcional ao vazio da Igreja no mundo contemporâneo. 

Dir. Nanni Moretti, Itália/França, 2011. Michel Picolli, Jerzy Stuhr, Renato Scarpa, Franco Graziozi, Camillo Milli, Roberto Nobile. 102 min. 


Shame

 

O protagonista de Shame é um executivo viciado em sexo obrigado a lidar com a chegada inesperada da irmã. A presença dela termina por levá-lo a uma espécie de confronto com seu comportamento compulsivo. Não é uma viagem fácil, e tampouco conclusiva. Além de contar com atuações brilhantes de Michael Fassbender e Carey Mulligan, Shame tem a vantagem de não psicologizar artificialmente os personagens. Sugere-se, aqui e ali, um passado difícil, mas nada que os coloque em uma camisa-de-força dramática, nada que seja fatalista. Mesmo o pequeno respiro oferecido ao final pode ser ilusório. O filme funciona melhor se pensarmos nele como um recorte de um personagem negativo, um primo de Repulsa ao Sexo, de Roman Polanski. Não temos de nos identificar com ele, e o diretor e roteirista Steve McQueen tampouco exige isso de nós. Basta vê-lo, conviver com ele por um tempo e, ao final, deixá-lo seguir seu rumo.

Dir. Steve McQueen, Reino Unido, 2011. Michael Fassbender, Carey Mulligan, James Badge Dale, Nicole Beharie. 101 minutos. 


Anderson Silva - Como Água

 

Produzido nos EUA e dirigido por Pablo Croce, este documentário acompanha o lutador Anderson Silva entre abril e agosto de 2010, período em que se preparava para um confronto com o seu maior rival, Chael Sonnen. Bem distante do cinéma vérité, Croce cria e desenvolve uma narrativa em torno desse desafio, quase como se trabalhasse com um material de ficção. O mais interessante é o que ele, inadvertidamente, deixa entrever, como a atuação esmagadora da máquina midiática que cerca os eventos do UFC. 

Dir. Pablo Croce, EUA, 2011. Anderson Silva, Jose Aldo, Junior dos Santos, Ramon Lemos, Lyoto Machida. 76 min. 


Guerra é Guerra (This Means War)

 

Definido pelos produtores como uma ‘comédia romântica de ação’, Guerra é Guerra não é bem uma coisa, nem outra. Ou, melhor dizendo, é um filme de McG. Nele, Reese Witherspoon namora dois sujeitos ao mesmo tempo. Eles são agentes da CIA e, quando descobrem o que está acontecendo, engatam uma luta insana por Witherspoon, utilizando todos os recursos da CIA. O filme pode ser visto como uma espécie de filho bastardo de True Lies, de James Cameron, no qual a dor de corno de Schwarzenegger oferecia momentos bem mais satisfatórios, tanto de comédia, quanto de ação. 

Dir. McG, EUA, 2012. Reese Witherspoon, Tom Hardy, Chris Pine. 98 min. 


Protegendo o Inimigo (Safe House)

 

A central de operações da CIA na Cidade do Cabo é atacada por mercenários e um agente sem experiência de campo (Ryan Reynolds) é obrigado a aliar-se a um prisioneiro (Denzel Washington) para se salvar. O prisioneiro, no caso, é um ex-agente com passado nebuloso e habilidades de um Jack Bauer. Com esses elementos em mãos, o sueco de ascendência chilena Daniel Espinosa tem a chance de usar os clichês a seu favor (como Nicolas Winding Refn em Drive) – ou ser soterrado por eles. 

Dir. Daniel Espinosa, EUA/África do Sul, 2012. Denzel Washington, Ryan Reynolds, Vera Farmiga, Brendan Gleeson, Sam Shepard. 115 min. 


Projeto X - Uma Festa Fora de Controle (Project X)

 

‘Parece Superbad chapado de crack’, diz o anúncio da Warner, supostamente citando um espectador. O filme, a exemplo de tantos outros, é narrado pela perspectiva das câmeras dos personagens. Em vez de adolescentes aterrorizados e perdidos em uma floresta, como em A Bruxa de Blair, temos adolescentes aterrorizando a vizinhança em uma festa de proporções absurdas. Isso talvez o habilite a ser encarado como uma espécie muito particular de filme apocalíptico.

Dir. Nima Nourizadeh, EUA, 2012. Thomas Mann, Oliver Cooper, Jonathan Daniel Brown, Dax Flame, Kirby Bliss Blanton. 90 min. 


Pequenos Espiões 4 (Spy Kids - All the Time in the World in 4D)

 

Como o título já entrega, é o quarto exemplar da franquia assinada pelo diretor Robert Rodriguez. Nos EUA, Pequenos Espiões 4 foi lançado em 4D mediante um processo conhecido como Aromascope. Não se trata de uma novidade. Em 1981, o cineasta John Waters lançou um filme chamado Polyester. Na entrada do cinema, o espectador recebia uma cartela de odores, a qual ele raspava e cheirava no decorrer da exibição. O filme, portanto, tinha cheiro. Rodriguez trouxe isso de volta. No Brasil, contudo, ele será lançado apenas em 3D e 2D. Os distribuidores não conseguiram entrar num acordo para importar a ‘tecnologia’.

Dir. Robert Rodriguez, EUA, 2011. Rowan Blanchard, Mason Cook, Jessica Alba, Joel McHale. 89 min.

Escrito por André de Leones
 

Comentários dos leitores

blog comments powered by Disqus
 

© 2011 - 2016 Time Out Group Ltd. All rights reserved. All material on this site is © Time Out.