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A Zona Norte da cidade foi o berço do movimento punk entre os anos 1970 e 1980. Nas imediações do bairro Vila Carolina (entre o Limão e a Freguesia do Ó), brotaram bandas pioneiras como os Condutores de Cadáver (sic) e Restos de Nada – que por sua vez inspiraram novos grupos como o Cólera e os Inocentes.

O documentário Botinada - A Origem do Punk no Brasil, de Gastão Moreira, retrata bem os passos desse bando que se uniu em torno do som punk e de uma região da cidade – a Galeria do Rock era outro ponto de encontro, por onde rodavam os flyers dos shows e onde se encontravam as gangues que originariam manchetes bombásticas nos jornais.

Tal a amplitude do fenômeno que, ao ouvir o nome Freguesia do Ó, o célebre baiano Gilberto Gil traçou a relação imediata com o movimento punk. O compositor se surpreendeu com a sonoridade da última sílaba, uma referência religiosa, na verdade. O bairro foi batizado em homenagem à Nossa Senhora do Ó, uma espécie de ‘apelido’ para Nossa Senhora da Expectação – o ‘Ó’ foi incorporado pois fazia parte dos cantos de uma novena de Natal.

Inspirado pelo nome, Gil costurou o cru e rústico punk paulistano com uma canção de apelo pop, Punk da Periferia, lançada no álbum 'Extra', de 1983. Uma guitarra de rock se mistura a uma batida ska, com timbres bem ao sabor oitentista.

Mas a letra professa a linguagem punk, citando lixo e esgoto, com essa abertura: “Das feridas/ Que a pobreza cria/ Sou o pus/ Sou o que de resto/ Restaria aos urubus”. E o refrão irresistível provoca: “Aqui pra vocês!/ Sou da Freguesia”. Foi um hit instantâneo.

 

Escrito por Fabiana Caso
 

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