10 galerias para gravar

Bonitas e acessíveis, gravuras originais são o ponto de partida ideal para começar uma coleção de arte

Divulgação
‘Bocão’, de Samuel Casal

Choque Cultural | Gravura Brasileira | Graphias | Galeria de Gravura | Galeria Virgílio | Galeria Vermelho | Mônica Filgueiras & Eduardo Machado | ArterixEstação Pinacoteca | Museu Lasar Segall 

Nos estratos mais altos da hierarquia da arte, é comum que colecionadores influentes exerçam grande poder sobre os artistas. Bem relacionados e, por vezes, mais bem informados que muitos galeristas e curadores, seus gostos e desgostos, seus caprichos e, claro, seus interesses financeiros geram o sucesso ou a derrocada de artistas diariamente, além de garantirem a sobrevivência financeira do mercado artístico. Mas que graça terá a arte se ela estiver destinada a ser vista, apreciada e adquirida por apenas algumas (poucas) pessoas?

Ao ocuparem o espaço tênue entre as obras únicas e as reproduções em massa, as gravuras são, há muito tempo, uma forma de os apreciadores de arte adquirirem trabalhos originais a preços razoáveis – e uma maneira de os artistas se expressarem sem as limitações impostas pelo alto preço das tintas e das telas.

Produzidas manualmente, elas levam as marcas do artista na assinatura da obra, mas, sobretudo, em pequenas variações na impressão – um charme à parte. E se você ainda não encontrou uma gravura de que realmente goste entre os traços fortes e irregulares feitos a partir de madeira ou linóleo, ou mesmo as refinadas gravações das peças feitas com metal, as litografias de linhas coloridas e manchadas, ou ainda as serigrafias de cores blocadas, então é hora de procurar um pouco mais.

Por onde começar? Nas pilhas de gravuras de qualquer uma das galerias listadas nas próximas páginas, ou simplesmente pesquisar em suas lojas virtuais. O preço de boas gravuras começa em cerca de R$ 180, valor que pode comprar uma das belas e rústicas imagens feitas pelo mestre do cordel J. Borges – um dos nomes mais conhecidos da arte folclórica brasileira. As peças de Borges não são numeradas, o que ajuda a reduzir o valor, mas a maior parte das impressões é numerada (por exemplo, 3/20 é a terceira de uma edição de 20 exemplares) ou marcada com P/A ou P/I, siglas que denominam provas feitas para o artista ou para o gravurista, respectivamente.

Os preços não param aí: a Galeria de Gravura, em São Paulo, tem uma de Salvador Dalí por R$ 10 mil, e as delicadas gravuras em metal do artista paulistano Cláudio Mubarac também chegam aos milhares de reais. A gravação em metal, aliás, é uma das técnicas mais complicadas – tudo depende da umidade do papel, da viscosidade da tinta e de como as imagens são talhadas. Além disso, o resultado depende da paciência do gravurista em fazer diversas tentativas até que a impressão dê certo.

Parte importante de nossa tradição de gravura popular, os cartazes lambe-lambe (ao estilo da nossa imagem de capa) são produzidos há décadas em todo o território brasileiro para divulgar shows e eventos, bem como mercadorias e serviços. Aproveite para prestigiar a exposição na galeria Choque Cultural, que vai até 22/9, que apresenta stickers (adesivos), pôsteres e lambe-lambes do coletivo SHN. Já era hora de ela ser mais valorizada. Fique atento também aos principais eventos anuais relacionados à gravura, tais como o SP Estampa, cuja edição de 2013 ainda não tem data definida, e a feira Tijuana, que começa em 10/11 na Galeria Vermelho.


Técnicas principais

  • Gravura em metal Feitas a partir de placas de metal esculpidas.
  • Litogravura Gravura a partir de matriz de calcário ou placa de zinco.
  • Monotipia Impressão a partir de imagem pintada sobre uma superfície plana.
  • Serigrafia Impressões com tinta aplicada a uma tela sobre a superfície.
  • Xilogravura Impressões feitas com uma matriz de madeira esculpida.

 

Choque Cultural

 Uma das galerias mais interessantes da cidade, a Choque Cultural surgiu em 2003 como uma editora, antes de abrir suas portas como galeria de arte em uma casa em Pinheiros. Ela é mais conhecida por sua arte urbana, sendo uma das maiores representantes da cena por aqui. A paixão por gravuras ainda é o ponto forte do lugar. No mês passado, por exemplo, presenciamos a ‘Printshoq’, uma série de mostras e eventos onde conferimos gravuras de artistas do calibre de Samuel Casal e da co-proprietária do lugar, Mariana Martins, que colocaram a mão na massa para mostrar o processo de seus trabalhos. Siga até uma das exposições regulares do lugar espalhadas pelos três andares da casa e, depois, vá até a loja nos fundos e revire as caixas com obras de arte e gravuras a um bom preço. R. João Moura, 997, Pinheiros, 3061-4051. Ter. a sáb., 12h-19h. choquecultural.com.br 

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Gravura Brasileira

Localizada em Perdizes, atrás do Parque da Água Branca, essa galeria ultraespecializada utiliza até os muros do jardim de passagem entre os ambientes para suas exposições. O espaço também mantém um arquivo com centenas de gravuras organizadas em pastas e gavetas. Não à toa, é ela o cérebro por trás da SP Estampa, um evento anual que reúne gravuras de diversas galerias e ateliês da cidade, além de sediar uma série de cursos e workshops sobre o tema. Procure pelo co-proprietário Eduardo Besen e sua assistente Nina Kreis, artista que também produz as mais delicadas impressões feitas a partir de folhas de metal, para um bate-papo. Acredite: o que eles não sabem sobre impressão provavelmente não vale a pena saber. R. Dr. Franco da Rocha, 61, Perdizes, 3624-0301. Seg. a sex., 10h-18h; sáb., 11h-13h. gravurabrasileira.com

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Graphias

Comandada pela artista e professora Salete Mulin, ao lado do sócio e companheiro Mauro Vaz, a Graphias mantém uma seleção de alta qualidade de gravuras dos principais artistas-gravuristas brasileiros. Pesquisar o acervo, nos fundos, ou mesmo o site da galeria é como uma aula sobre os diversos estilos e técnicas usados na impressão. Passeie pelas belas formas blocadas em dois tons de Augusto Sampaio até a obra de Gilda Gouvea, com seus volumes e formatos de impressões feitas a partir de folhas de metal. Conheça ainda o trabalho do mestre Marcelo Grassmann, com suas litografias viajantes. Cursos e workshops são outras boas atrações da Graphia, assim como os eventos organizados juntamente com as exposições. R. Joaquim Távora, 1.605, V. Mariana, 5539-1358. Ter., a sex., 11h-16h; sáb., 11h-15h. graphias.com.br
 

Galeria de Gravura

Praticamente toda online, a Gravura tem um imenso arquivo de artistas brasileiros incluindo o rei do cordel, J. Borges, e o baiano Carybé, além dos trabalhos em concreto de Eduardo Sued e alguns Di Cavalcanti. Compre online ou marque uma hora para ver as gravuras ao vivo. Av. Paulista, 2.073, cj. 2.123, 2829-4890. 10h-18h, com hora marcada. galeriadegravura.com.br
 

Galeria VirgÍlio

Especializada em jovens artistas brasileiros, há um trio de talentos em seu catálogo: Fernando Vilela, criador de formas obscuras com técnicas mistas, Rosana Paulino, que usa a técnica da monotipia, e Rafael Pagatini, com gravuras cunhadas com madeira. R. Virgílio de Carvalho Pinto, 426, Pinheiros, 3062-9446. Seg. a sex., 10h-19h; sáb., 10h-17h. galeriavirgílio.com.br

Galeria Vermelho

Tem a reputação entre os artistas como uma das melhores para ser representado. Com sua forma inteligente de expor trabalhos, fica difícil não se surpreender com a Vermelho. Confira ainda a loja Tijuana, com objetos de arte, livros de edição limitada e gravuras. R. Minas Gerais, 350, Higienópolis, 3138-1520. Ter. a sex., 10h-19h; sáb., 11h-17h. galeriavermelho.com.br

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Mônica FilgueIras & Eduardo Machado

Essa pequena galeria tem uma ótima linha de gravuras, incluindo os trabalhos curvilíneos de Tomie Ohtake, as cores marcantes de Alfredo Volpi e a série Xuxu de sopas Campbell de Ozi. Procure pelas gravuras do argentino León Ferrari, além da ousada pop art dos anos 1960 e 1970 de Claudio Tozzi. R. Bela Cintra, 1.533, Jd. Paulista, 3081-9492. Seg. a sex., 10h-19h; sáb., 10h30-14h.

Arterix

Localizada na Praça Benedicto Calixto, abrigo de uma tradicional feira de antiguidades, a Asterix era uma loja de arte e design que se transformou em apenas “loja de arte”, como ela se define. Parte da missão de democratizar o processo de apreciar e comprar obras, o lugar acabou fazendo das gravuras uma de suas especialidades, desde clássicos como Carlos Cruz-Diez e Marilu Beer a jovens como Kika Levy, Cris Rocha e Nina Kreis. Pça. Benedicto Calixto, 103, Pinheiros, 3086-0784. Seg. a sex., 10h-18h; sáb., 10h-18h30. arterix.com.br

Estação Pinacoteca

Se você ainda tinha dúvidas sobre a importância da gravura na história da arte brasileira, a Pinacoteca do Estado dedica um andar inteiro da Estação Pinacoteca (a alguns metros do prédio da Pinacoteca) a essa arte no Gabinete de Gravura Guita e José Mindlin. A instituição traz frequentes mostras de print art, como a ‘Gravura Brasileira no Acervo’. A exposição, em cartaz até 27 de janeiro de 2013, reúne 105 gravuras do acervo de 3 mil peças, uma viagem de 1910 a 2010 pelas obras de Fayga Ostrower, Ivan Serpa, Lasar Segall e Lívio Abramo, entre outros. Lgo. General Osório, 66, Centro, 3335-4990. Ter. a dom., 10h-18h. pinacoteca.org.br

Museu Lasar Segall 

A coleção principal do museu contém gravuras, desenhos, pinturas e esculturas de Lasar Segall, artista nascido na Lituânia (1891-1957). Há, portanto, muitas gravuras à venda. Para os amantes de print art também há excelentes cursos que acontecem semestralmente – com início em agosto, as aulas de impressões feitas a partir de gravação em madeira, metal e calcário são acessíveis, custando R$ 120 a inscrição, mais o valor do material. A esta altura talvez você tenha perdido a primeira aula, mas ligue para saber se ainda há vagas. R. Berta, 111, Vila Mariana, 5574-7322. Seg., qua. a dom., 11h-19h. museusegall.org.breiro 

Leia mais sobre o Museu Lasar Segall.

Navegue por nossa galeria de gravuras e artistas, com preços variados. 

Escrito por Claire Rigby
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